15.5 C
Brasília
quinta-feira, maio 28, 2026

Gestão tecnológica nas cidades pesa mais que capacidade financeira

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

Para que uma cidade seja considerada inteligente, ela não precisa somente de um cenário financeiro favorável. Há um conjunto de fatores, segundo especialistas, que podem pesar mais do que o dinheiro quando se trata da adoção de medidas de tecnologia e inovação. “Há cidades inteligentes que são muito empreendedoras no uso de tecnologias. E ainda que não possuam tantos recursos, são arrumadinhas e têm boa gestão. Isso depende da maneira como as lideranças locais compreendem a tecnologia”, diz Maria Alexandra Cunha, professora de administração pública na FGV São Paulo.

Apesar de enfatizar que recursos financeiros são importantes, Cunha frisa que é comum ver cidades com menor capacidade econômica que se destacam quando se trata de inovações. “Claro, não estamos falando de uma cidade estrangulada pela falta de recursos”, destaca. “Mas o ponto é que mesmo que com recursos mais modestos, a liderança pública pode ter uma boa capacidade de gestão sobre o uso da tecnologia”, acrescenta.

Entre as 100 cidades eleitas as mais inteligentes do país no ranking Connected Smart Cities 2025, por exemplo, 44 não aparecem entre os 100 maiores PIBs municipais. Além disso, Vitória (ES), eleita a cidade inteligente do ano passado, está em 51º lugar no levantamento mais recente do IBGE sobre o Produto Interno Bruto municipal. Entre as cidades mais ricas do país, duas sequer aparecem na lista das 100 mais inteligentes: Manaus (AM) e Guarulhos (SP), respectivamente 6º e 10º entre os PIBs municipais.

O geógrafo Willian Rigon, responsável pelo Connected Smart Cities, diz que o levantamento reforça que as inovações de um município não podem ser creditadas unicamente a recursos financeiros. O ranking avalia, além de questões econômicas locais, fatores como mobilidade, governança, inovação, sustentabilidade, saúde, educação e conectividade. “Um dos achados mais interessantes da análise é que cidades de porte médio conseguem superar municípios muito mais ricos quando existe boa gestão pública e planejamento urbano consistente”, afirma.

Rigon defende que critérios como inovação, continuidade administrativa, foco em qualidade de vida e capacidade de execução das iniciativas podem gerar bons resultados. “Cidades como São Paulo, Vitória, Florianópolis e Curitiba mostram como ecossistemas urbanos mais complexos favorecem políticas integradas de mobilidade, conectividade, inovação e qualidade de vida. Ainda assim, o ranking mostra que não basta ser capital; o diferencial está na capacidade de coordenação, planejamento e execução das políticas públicas”, afirma o geógrafo.

A professora Taiane Ritta Coelho, que estuda cidades inteligentes e leciona sobre o assunto na Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que as iniciativas de Curitiba (PR), que já ganhou até reconhecimento internacional sobre o tema, estão pautadas na escuta ativa da população. “Você olha para a cidade para ver o que precisa melhorar e como a tecnologia pode ajudar esses problemas existentes”, diz.

Cidades de porte médio conseguem superar municípios muito mais ricos quando existe boa gestão pública”

— Willian Rigon

“Uma cidade pode ter recursos e se preocupar com implementação de tecnologias, mas só isso não basta se não houver planejamento e sem olhar para os problemas reais da população, que muda conforme cada cidade, Estado ou país”, acrescenta Coelho.

Uma pergunta pode surgir ao falar sobre o tema: como uma cidade que está fora dos 100 maiores PIBs municipais do país consegue ficar entre as mais inteligentes?

Para o prefeito de Praia Grande (SP) – município listado em 35º lugar no ranking das smart cities e na posição 156 do PIB -, Alberto Pereira Mourão (MDB), é possível criar uma cidade inteligente quando tecnologia e inovação figuram entre as prioridades de uma gestão municipal. “Em 2002 fizemos 300 quilômetros de fibra óptica em Praia Grande para interligar as repartições públicas. Essa tecnologia facilita os serviços administrativos da prefeitura até hoje”, afirma Moura, que hoje está no sexto mandato.

Atualmente, a cidade tem iniciativas como serviços de segurança de dados, sistema on-line de matrículas, cadastro imobiliário informatizado, bilhete e cartão eletrônico no transporte público, semáforos e câmeras inteligentes e prontuário eletrônico de saúde. Mourão defende que essas estratégias, além de melhorar a vida dos moradores, trazem retorno financeiro ao reduzir custos operacionais. “Acredito que o princípio básico dessa tecnologia é racionalizar os gastos públicos”, diz o prefeito.

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img