Crédito, EPA
- Author, Kali Hays
- Role, Repórter de tecnologia da BBC News
Published
Tempo de leitura: 3 min
Embora Spagnuolo seja um cidadão italiano que vive na Suíça, ele foi detido na quarta-feira (27/05) e levado perante um juiz federal em Nova York.
Spagnuolo supostamente usou informações às quais teve acesso antecipado por meio de seu trabalho no Google, com sede nos EUA, para fazer apostas que lhe renderam ganhos de US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6 milhões).
Uma porta-voz do Google disse que a empresa está “colaborando com as autoridades em sua investigação” e que o funcionário foi colocado em licença.
A informação interna que teria sido utilizada consistia em material de marketing acessado “usando uma ferramenta disponível para todos os funcionários, mas usar essas informações confidenciais para fazer apostas é uma violação grave de nossas políticas”, acrescentou.
Um porta-voz da Polymarket disse que a plataforma “trabalhou em estreita colaboração” com as autoridades na investigação.
“A negociação em blockchain é transparente, rastreável, e agentes mal-intencionados deixam rastros”, acrescentou o porta-voz.
Blockchain é uma espécie de registro digital aplicado às criptomoedas, que são a única forma de pagamento que a Polymarket aceita.
A Procuradoria dos EUA trabalhou com o Federal Bureau of Investigation (FBI, a polícia federal americana) na prisão de Spagnuolo. Ele foi solto mediante fiança de US$ 2,25 milhões, de acordo com a ABC News.
Embora Spagnuolo supostamente tenha usado o nome de usuário AlphaRaccoon na Polymarket e suas apostas tenham sido feitas com criptomoedas de várias contas, o FBI disse ter detectado suas contas ao encontrar uma que ele havia aberto com um documento de identificação italiano.
Spagnuolo não respondeu a um e-mail solicitando comentário.
De acordo com perfis online, ele trabalhou no Google por mais de 12 anos como engenheiro focado em segurança da informação.
Ele começou a usar a Polymarket em 2024 e, entre outubro e dezembro do ano passado, o gabinete do procurador dos EUA disse que Spagnuolo fez US$ 2,7 milhões em apostas relacionadas ao Google.
Ao usar informações internas, ele conseguiu obter mais de US$ 1 milhão em lucros com essas apostas, segundo o gabinete.
Os documentos do tribunal dizem que as apostas mais lucrativas supostamente feitas por Spagnuolo na Polymarket foram prever corretamente quem seria e quem não seria a pessoa mais pesquisada no Google em 2025.
Ele supostamente apostou contra nomes como Bianca Censori e o presidente Donald Trump, e escolheu o cantor D4vd como primeiro lugar quando a plataforma de apostas atribuía probabilidades quase nulas a esse resultado.
Os documentos judiciais dizem que, quando Spagnuolo fez essa aposta em novembro, ele sabia que D4vd havia se tornado a pessoa mais pesquisada no Google porque tinha acesso a informações que o gigante de buscas havia coletado antes de serem divulgadas ao público.
D4vd está atualmente preso por supostamente ter assassinado uma adolescente.