Os esforços dos Estados Unidos e de Israel para neutralizar a capacidade de mísseis do Irã enfrentam limites cada vez mais evidentes. Pouco mais de sete semanas após o início do cessar-fogo entre Washington e Teerã, a República Islâmica já recuperou o acesso a grande parte de suas bases subterrâneas de mísseis, levantando dúvidas sobre a eficácia de uma estratégia baseada principalmente em bombardeios contra a infraestrutura militar iraniana, segundo uma análise da rede CNN baseada em imagens de satélite.
De acordo com o levantamento, o Irã conseguiu reabrir 50 das 69 entradas de túneis atingidas por ataques americanos e israelenses em 18 complexos subterrâneos espalhados pelo país. Estradas destruídas para impedir o deslocamento de lançadores móveis também foram reconstruídas, e algumas chegaram a ser asfaltadas novamente.
O avanço dos reparos ocorreu apesar de semanas de ataques que tinham como objetivo bloquear acessos, destruir lançadores e dificultar o uso do arsenal iraniano. Para analistas, a rapidez da recuperação demonstra que atingir entradas de túneis pode retardar operações militares, mas dificilmente elimina de forma permanente a capacidade de lançamento de mísseis do país.
— Os militares americanos são muito eficientes em alcançar sucessos táticos, e bloquear temporariamente a força de mísseis iraniana é um exemplo disso. Mas, sem objetivos estratégicos claros e alcançáveis, isso pode acabar se transformando em um fracasso estratégico — afirma Sam Lair, pesquisador do Centro James Martin de Estudos sobre Não Proliferação.