Crédito, Reuters
- Author, Charlotte Hadfield e Dulcie Lee
- Role, BBC News
- Published
Tempo de leitura: 3 min
“O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído”, escreveu Trump na rede Truth Social.
“Autorizo integralmente a abertura do estreito de Ormuz sem restrições e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos”, ele acrescentou, referindo-se à passagem marítima que acabou bloqueada por conta da guerra, uma importante via de transporte para o comércio de petróleo.
“Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, conclui.
Em um segundo post, o presidente dos EUA afirmou que a abertura do estreito aconteceria após a assinatura do acordo, prevista para próxima sexta-feira (19/06).
Trump se manifestou após declaração do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciando um acordo de paz entre americanos e iranianos.
“Ambos os lados declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, inclusive no Líbano”, disse em comunicado.
“A cerimônia oficial de assinatura será na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica do Irã por seu compromisso em encontrar uma solução diplomática para o conflito.”
Nem Shariz nem Trump deram detalhes sobre os termos do acordo. O primeiro-ministro paquistanês afirmou que “mediadores irão facilitar uma série de reuniões nesta semana”, e que estas serão “discussões prévias à implementação que lançarão as bases para as negociações técnicas e a cerimônia oficial de assinatura”.
Em um telefonema transmitido pela TV estatal do Irã, vice-ministro das Relações Exteriores do país, Kazem Gharibabadi, confirmou que o acordo será firmado na sexta-feira na Suíça.
“Um fim imediato e permanente à guerra e às operações militares em diferentes frentes, incluindo o Líbano, será anunciado esta noite”, disse ele, acrescentando que o bloqueio naval dos EUA contra o Irã também será suspenso neste domingo.
O que se sabe sobre o acordo
Os detalhes do acordo não foram divulgados — mas repórteres da BBC dizem que o futuro do programa nuclear iraniano, que é um dos pontos centrais na disputa entre os EUA e o Irã, segue incerto.
O correspondente da BBC nos EUA, Anthony Zurcher, afirma que “ao que tudo indica, o futuro do programa nuclear iraniano – a razão declarada por Trump para o início da guerra – está sujeito a novas negociações”.
O repórter da BBC Tom Bateman, que cobre o Departamento de Estado dos EUA, disse que a prioridade do novo acordo será estender o cessar-fogo de 8 de abril por mais 60 dias sem hostilidades, com o fim do bloqueio americano em troca pela abertura do Estreito de Ormuz, enquanto ambos os lados se comprometem com negociações.
“Ainda não temos o texto completo, mas, com base na forma como o acordo estava sendo apresentado pelo governo no final da semana passada, ele não resolve de forma conclusiva as questões que aparentemente motivaram o ataque de Trump, nem aquelas que levaram à agressiva retaliação iraniana”, diz Bateman.
“Para chegar a algo que ambos os lados possam apresentar como uma vitória, Trump precisa de uma proibição de longo prazo (pelo menos 20 anos) e verificável do enriquecimento nuclear por Teerã.”
“O Irã precisa de um alívio abrangente das sanções e acesso a dezenas de bilhões de dólares em receitas petrolíferas congeladas. Essas questões sempre foram pontos centrais de atrito.”
Bateman diz que, embora o acordo fale em “entendimentos” para futuras discussões, “até onde sabemos, ele não contempla nenhum deles de forma significativa”.