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segunda-feira, junho 22, 2026

Brasil busca mais acordos para reequilibrar seu comércio

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Sob o choque tarifário do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que colocou em xeque a globalização com suas muralhas protecionistas, o Brasil se vê diante de grandes desafios. Um deles é o de como compensar as vendas externas para o país que é seu segundo parceiro comercial isoladamente e um grande comprador de bens manufaturados. O segundo, mais relevante, é como reequilibrar o comércio externo para reduzir a dependência não só dos Estados Unidos, que tem tido comportamento hostil em relação ao Brasil, mas também da China, que consome um terço de todas as exportações brasileiras. O governo Lula, que sempre jogou na retranca em relação a acordos comerciais, agora os busca com celeridade, uma mudança importante e positiva para uma nação até hoje em geral fechada ao comércio.

As sanções contra o Brasil com base na seção 301 da legislação de comércio dos EUA provavelmente serão sacramentadas em julho, embora sua aplicação imediata não seja mandatória. Haverá tarifas de 25% para pelo menos um terço das vendas do Brasil e, depois, em outro processo, mais 10% pelo fato de, segundo o governo americano, o Brasil ser leniente com o trabalho escravo. Essas investigações não foram rigorosas ou isentas, e indicaram que há pouco espaço para negociações que o país tem tentado exemplarmente, deixando de lado a propaganda ideológica, que fecha portas.

O comércio com os EUA é deficitário no ano (US$ 1,47 bilhão), e sua participação nas vendas brasileiras caiu nos cinco primeiros meses do ano de 12% para 9,7%, com viés de baixa. Os produtos que estão sob o manto protecionista americano são justamente bens manufaturados, já que Trump deixou de fora commodities para as quais não encontraria substitutos nem em preço nem em quantidade, como café, suco de laranja, carne e outros.

A barreira aos manufaturados no maior mercado do mundo e, por outro lado, as enormes compras de bens primários da China e da Ásia (quase metade das vendas totais brasileiras vão para lá) indicam a incômoda tendência à predominância da participação de produtos agropecuários e minerais na pauta exportadora. Ela reduz o país à condição de vendedor de matérias-primas e comprador de máquinas, equipamentos e bens industriais, numa relação típica da era colonialista.

A nova realidade geopolítica foi o último empurrão decisivo ao acordo comercial do Mercosul com a União Europeia, ainda sujeito a solavancos e divergências, mas, de qualquer forma, o mais importante entendimento comercial do Mercosul até hoje. O bloco não ficou parado e fechou em setembro de 2025 acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), que envolve Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, países ricos com 15 milhões de pessoas e PIB de US$ 1,4 trilhão. Em fase de promulgação, o acordo libera quase imediatamente 97% dos produtos comprados e vendidos pelo Mercosul com as nações do Efta.

O Brasil aprofundou as relações comerciais com o México e Canadá, outros compradores de manufaturas brasileiras – o último já compra aeronaves brasileiras e o primeiro tem intercâmbio intenso em automóveis e autopeças. O Mercosul anunciou recentemente que está perto de concluir um acordo com os canadenses, prevendo facilitação do comércio, proteção de investimentos e propriedade intelectual, além de cooperação tecnológica. De janeiro a maio, as vendas brasileiras ao Canadá cresceram 23,4% e ao México, 11,2%.

Curiosamente, ambos são membros do acordo de livre comércio com os EUA, prestes a ser renovado. Há, porém, a possibilidade de que o presidente americano deixe o acordo ou faça exigências desmedidas que levarão a seu fim.

Na cúpula do G7 na semana passada, encontro do presidente Lula com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, acertou o lançamento de negociações para um Acordo de Parceria Econômica Mercosul-Japão a ser aprovado na cúpula de chefes de Estado do bloco, no fim de junho. O Brasil já assinou entendimento de cooperação tecnológica e de investimentos com a Coreia do Sul, enquanto o Mercosul tenta retomar negociações com o país para um acordo de livre comércio.

A abertura comercial é uma tarefa complexa, dada a baixa competitividade de vários setores da economia brasileira, especialmente no setor industrial. Japão, Coreia, Canadá levam vantagem em preço e tecnologia nas manufaturas, e acordos comerciais precisam ser bem calibrados para que haja uma transição que não elimine indústrias locais com potencial de avanço competitivo.

Não há, porém, um caminho alternativo, diante da ofensiva dos EUA, que rompeu grande elos das cadeias de comércio internacional. A abertura tornou-se uma necessidade e é benéfica para absorção de tecnologia e ganhos de competitividade permanentes, além de os setores que lidam com o comércio exterior estarem entre os que pagam melhores salários. Com todo o invejável avanço das exportações agrícolas e minerais, o Brasil tem hoje a mesma fatia do comércio mundial que tinha na década de 1980, cerca de 1,2%. É pouco para uma das dez maiores economias do mundo.

[Fonte Original]

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