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quarta-feira, julho 22, 2026

Rastreamento de aparelhos criptografados revela sociedade milionária no narcotráfico

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 A quebra da criptografia de aparelhos usados por integrantes do esquema liderado pelo ex-major da Polícia Militar Sergio Roberto de Carvalho revelou a existência de uma joint venture (uma espécie de consórcio) com o traficante belga Flor Bressers, conhecido como “Corta Dedos”. Este teria pago 99 milhões de euros ao brasileiro em dez meses por metade do carregamento de cocaína importado do país.

A movimentação veio à tona após autoridades europeias associarem uma empresa de fachada, usada para importar a droga escondida em minério de manganês, aos apelidos utilizados pela dupla na rede de comunicação. De acordo com a polícia federal belga, no dia 5 de abril de 2020, cerca de 6 meses antes da deflagração da operação Enterprise pela PF no Brasil e na Europa, a polícia da Holanda apreendeu 3,2 toneladas de cocaína destinadas a uma empresa de dessalinização de água do mar na Bélgica e a uma empresa da República Tcheca.

A droga chegou ao porto de Roterdã a bordo do navio “Marseille”, escondida em meio a 14 contêineres de minério de manganês, vinda do Brasil. Em cinco dos contêineres, havia cocaína. 

As investigações revelaram que a empresa Kriva-Rochem, localizada na Antuérpia e registrada no nome de um “laranja” octogenário, havia importado grandes quantidades de cocaína pelo menos desde 2019. Durante uma operação de busca e apreensão na empresa belga e outros endereços ligados à quadrilha, foram encontrados diversos telefones celulares criptografados ou embalagens contendo números de Imei (o código único para cada aparelho celular).