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sexta-feira, abril 17, 2026

Impeachment de Dilma: como estão, dez anos depois, os personagens centrais do processo

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Dez anos atrás, em 17 de abril de 2016, o Brasil acompanhava a votação pela abertura do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), a segunda destituição de um presidente desde a redemocratização do país.

O processo, que começou na Câmara e finalizou no Senado, durou ao todo nove meses e terminou com o afastamento definitivo do cargo, no fim de agosto daquele ano.

Hoje, Dilma preside o banco do Brics, o seu vice Michel Temer, que assumira a Presidência, se afastou de cargos públicos e um dos deputados do “baixo clero” da época, Jair Bolsonaro, conseguiu aumentar sua popularidade, chegando até a Presidência da República.

Veja abaixo como estão hoje os principais personagens do impeachment de Dilma em 2016:

Apesar da perda do mandato, Dilma Rousseff não teve seus direitos políticos cassados em uma votação apertada no Senado (42 votos a 36). Isso permitiu que ela se lançasse candidata a senadora por Minas Gerais nas eleições de 2018, mas não conseguiu ser eleita.

Dilma Rousseff — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em 2023, Dilma foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco do Brics, com sede em Xangai, na China. Ela substituiu o economista Marcos Troyjo, indicado de Jair Bolsonaro, no meio de um mandato de cinco anos.

Em 2025, ela anunciou que foi reeleita para mais um mandato.

Michel Temer, vice-presidente

Michel Temer assumiu a Presidência após o impeachment de Dilma e permaneceu no cargo até o fim do mandato, em 2018. Em seu governo, foram aprovadas reformas econômicas relevantes, como a Reforma Trabalhista, a Reforma do Ensino Médio e o Teto de Gastos.

Michel Temer — Foto: Mariana Pekin
Michel Temer — Foto: Mariana Pekin

Durante o mandato, Temer enfrentou denúncias de corrupção. Ele foi preso preventivamente duas vezes em 2019 por acusações de ser suposto líder de uma organização criminosa que teria recebido cifras milionárias em propina, no âmbito dos desdobramentos da Lava-Jato no Rio. Nas duas ocasiões, ele foi liberado dias depois por habeas corpus. A absolvição das acusações veio apenas em 2022, com o encerramento da ação penal.

Hoje, Temer descarta ter vontade de voltar a concorrer às eleições e atua como advogado e consultor político.

Autores do pedido de impeachment

Os autores do pedido que resultou no impeachment de Dilma foram os juristas Janaína Paschoal, Miguel Realle Junior e Hélio Bicudo. O pedido era baseado em uma denúncia por crime de responsabilidade, acusando a então presidente de desrespeitar a lei orçamentária e a lei de improbidade administrativa e, também, lançava suspeitas de envolvimento em atos de corrupção na Petrobras.

Janaína Paschoal atuava na época como professora da USP. Após o impeachment, ela ganhou destaque nacional e se lançou na política. Em 2018, foi eleita deputada estadual em São Paulo com votação recorde pelo PSL, na época a mesma legenda de Jair Bolsonaro. Nas eleições seguintes, em 2022, tentou o Senado pelo PP, mas não foi eleita. Em 2024, foi eleita vereadora em São Paulo.

Janaina Paschoal — Foto: Reprodução/Facebook
Janaina Paschoal — Foto: Reprodução/Facebook

Miguel Reale Júnior era professor da USP na época. Antes, foi ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso. Hoje, segue professor titular de Direito Penal da USP e é conselheiro do Instituto Não Aceito Corrupção.

 Miguel Reale — Foto:  Regis Filho/Valor/Arquivo
Miguel Reale — Foto: Regis Filho/Valor/Arquivo

Hélio Bicudo, cofundador do PT que rompeu com o partido, era militante dos direitos humanos e foi procurador de Justiça em SP com destaque no combate ao Esquadrão da Morte, grupo policial de extermínio. Ele morreu em 2018 aos 96 anos.

Hélio Bicudo — Foto: Fabiano Cerchiari/Valor/Arquivo
Hélio Bicudo — Foto: Fabiano Cerchiari/Valor/Arquivo

Presidentes da Câmara e do Senado

O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teve papel central no processo de impeachment ao acolher o pedido de abertura do processo depois de o governo não atender às suas demandas políticas enquanto ele era investigado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Eduardo Cunha — Foto: Reprodução/Facebook
Eduardo Cunha — Foto: Reprodução/Facebook

Em dezembro de 2015, horas depois de o PT retirar o apoio a Cunha no Conselho de Ética, o político aceitou um dos pedidos de impeachment apresentados contra a presidente e deu início ao processo.

Ele foi preso por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em 2016 pela Operação Lava-Jato. Condenado a mais de 15 anos de prisão, foi para regime domiciliar em 2021 e teve uma das condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A perda dos direitos políticos por oito anos foi revista em 2022, e Cunha concorreu a deputado federal por São Paulo, mas não foi eleito.

Em 2021, Cunha lançou o livro “Tchau Querida: O Diário do Impeachment” com os bastidores do processo. Ele chegou a alegar no livro que, se pudesse, teria acelerado ainda mais a tramitação.

Para as eleições de 2026, Cunha se filiou ao Republicanos e deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por Minas Gerais.

O então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), adotou uma postura diferente da conduzida por Cunha. Ele equilibrou tensões entre governo e oposição e conduziu o julgamento garantindo o andamento legal da pauta. Depois, participou da articulação da transição para o governo de Michel Temer.

Renan Calheiros — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Renan Calheiros — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Calheiros segue no Senado, e hoje ocupa o cargo de presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, que tem focado na investigação de instituições financeiras e no acompanhamento de inquéritos pela Polícia Federal.

O então deputado Jovair Arantes (PTB-GO) foi o relator da Comissão Especial do Impeachment na Câmara. Ele elaborou um relatório favorável, defendendo a admissibilidade do processo. No texto, Arantes chegou a dizer que a população havia sido enganada pelo que foi chamado de “contabilidade criativa” do governo Dilma que, segundo ele, resultou em inflação, desemprego, alta dos juros e perda de credibilidade.

Jovair Arantes — Foto: Reprodução/Facebook/Jovair Arantes
Jovair Arantes — Foto: Reprodução/Facebook/Jovair Arantes

Ele cumpriu seis mandatos consecutivos como deputado federal (1995-2019). Em 2018, tentou mais uma reeleição, mas não alcançou o mínimo de votos. Hoje, atua como cirurgião dentista.

Já no Senado, o relator do processo foi o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). Seu relatório também foi favorável. No documento, o parlamentar argumentou que existiam requisitos legais, indícios de materialidade e autoria de crimes de responsabilidade.

Antonio Anastasia — Foto: José Cruz/ Agência Brasil
Antonio Anastasia — Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Ele seguiu como senador até 2022, quando foi indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, que ocupa até hoje.

José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, José Eduardo Cardozo seguiu no cargo de Advogado-Geral da União até o afastamento da então presidente pela Câmara, em maio de 2016. Ele seguiu defendendo Dilma até o fim do processo de impeachment, já como advogado particular.

José Eduardo Cardozo — Foto: Reprodução
José Eduardo Cardozo — Foto: Reprodução

Ao fim do processo, o advogado deixou a vida política para trás. Hoje, ele tem um escritório de advocacia em Brasília focado em questões jurídicas complexas.

Ricardo Lewandowski, presidente do STF

Como presidente do STF, Lewandowski presidiu o julgamento final do impeachment de Dilma no Senado. Ele conduziu os trabalhos e garantiu o rito constitucional, além de ter assinado a sentença. Foi ele quem permitiu a divisão da votação em duas partes: perda do cargo e inelegibilidade por oito anos. Isso fez com que Dilma mantivesse seus direitos políticos.

Ricardo Lewandowski — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
Ricardo Lewandowski — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

Lewandowski não é mais ministro do STF desde abril de 2023, quando se aposentou. De 2024 a janeiro deste ano, o ex-STF ocupou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Lula. Hoje, retornou à advocacia e consultoria jurídica.

Então deputado pelo PP-RJ, Jair Bolsonaro ganhou notoriedade midiática como um dos parlamentares que defendiam o impeachment da presidente. O momento mais notório e emblemático foi seu voto na Câmara pela admissibilidade do processo, em que dedicou o voto ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que torturou Dilma na época da ditadura militar.

Jair Bolsonaro — Foto: Diego Herculano/Reuters
Jair Bolsonaro — Foto: Diego Herculano/Reuters

Apesar de não ter sido um dos articulares do processo, Bolsonaro conseguiu usar o momento a seu favor para ganhar visibilidade nacional e se consolidar como uma figura de oposição ao PT. O Partido dos Trabalhadores, inclusive, diz que o processo foi usado como um “trampolim político” para Bolsonaro.

Bolsonaro foi eleito presidente da República nas eleições em 2018. Em 2022, tentou se reeleger, mas perdeu no segundo turno para Lula. Foi condenado a 27 anos de prisão pelo STF por articular uma tentativa de golpe de Estado no ano seguinte, no que culminou no ataque às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro. Hoje, cumpre prisão domiciliar devido ao seu estado de saúde.

O então deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) foi uma das principais vozes contra o impeachment no Congresso. O clímax foi a cusparada em Jair Bolsonaro durante seu voto rejeitando a abertura do processo. Wyllys cuspiu em direção a Bolsonaro, reagindo a insultos e agressões que alega ter sofrido do outro parlamentar. Esse episódio foi amplamente divulgado, gerando tanto críticas quanto apoio.

Jean Wyllys — Foto: Reprodução/Instagram/@jeanwyllys_real
Jean Wyllys — Foto: Reprodução/Instagram/@jeanwyllys_real

Em 2019, com a posse de Bolsonaro como presidente da República, Wyllys, que tinha sido reeleito para seu terceiro mandato, anunciou que não assumiria o cargo e deixaria o Brasil. Ele relatou ameaças de morte, potencializadas após o assassinato da vereadora Marielle Franco, de quem era próximo. Ele se mudou para a Europa e passou a viver em exílio autoimposto. Ele retornou ao Brasil em 2023.

Atualmente, o ex-deputado atua como pesquisador e palestrante. Ele é pré-candidato a deputado por São Paulo nas eleições 2026.

[Fonte Original]

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