O cheiro ácido e corrosivo chega antes de a porta ser aberta: é o cheiro da construção de uma machosfera social, é o cheiro da identidade sendo forjada em mais uma de suas siderúrgicas.
A ureia antiga que nunca é removida totalmente na limpeza anterior. A água parada espalhada por toda a pia, que se texturiza nos cantos ao contato com os papéis jogados ali; o cloro superdiluído, que fracassa heroicamente contra décadas de mijo acumulado nos cantos; os azulejos amarelados – não por descuido e nem por desprezo – ornamentando a produção do Homem.
O chão que reúne em sua arte terra, areia, urina e esperma anuncia que o ecossistema está receptivo para os Homens. E o chão nunca está seco… Há sempre uma camada úmida e patogênica que dá brilho à machosfera – como uma película [in]visível, como se fosse uma substância amorfa viva que se apega às solas de seus sapatos, que sobe por suas beiradas, gruda-se ao corpo, penetra a pele e constitui seu plasma sanguíneo, passando a guiar suas sedes por mijo… Aquele mesmo mijo que, ao fazer companhia, servirá de memória afetiva sinalizando de onde ele saiu e para onde o Homem deseja sempre voltar. É a lembrança da pica perdida que ficou em algum banheiro.
O banheiro “público” [cis]masculino, feito para Homens com “H”, não é apenas um banheiro: é parte crucial do ritual machofílico. Ali, esses Homens aprendem a suportar o nojo para provar que pertencem uns aos outros. De tão nojento e aversivo para a maioria das pessoas de diferentes gêneros, serve como marcador identitário.
Só os Homens de verdade entram e saem sem notar o mofo da parede. Homens de verdade não se incomodam com a pia entupida de papel; com os raros, porém às vezes adornáveis, restos de creme dental fixados na borda da cuba da pia, que quase transborda de água branca e cuspida.
Os “H” verdadeiros não se enojam do escarro verde-amarelado nas paredes das cabines ou próximos às torneiras; sempre que possível deixam suas marcas, liberam seus escarros – que também se espalharam pelas cidades, nas calçadas, pelos vidros dos carros e ônibus – e que nos banheiros, junto de suas leitadas, deixam o aviso de que ali também jaz a memória de um Homem.
Homens de verdade até se divertem em notar que o tolete segue boiando no vaso sanitário, deixado por algum “H” que não aprendeu – e que não precisou se importar em aprender – a dar a descarga; e o “H” seguinte faz questão de deixar sua marca sobreposta. Deixam suas fezes como se deixassem seus afetos mais sólidos. Não bastasse isso, e na ausência de papel higiênico, por vezes, quando decidem retirar o excesso de bosta de seu orifício predileto, passam as mãos no edi e as “limpam” nas paredes, deixando ali seus registros cis-masculinos, como se batizassem o banheiro contando suas histórias fétidas, informando que por ali passou um Homem que não tem vergonha de ser fecal.
Limpar a caverna é pedir demais em alguns casos, pois como amam dizer: “Quem limpa o quintal está esperando visita.” Apesar disso, muitos querem receber uma visita, outros querem visitar, e o banheiro “público” é um ambiente propício para isso.
A atmosfera com ar de podre e as beiradas dos vasos sanitários recheadas de germes e fezes – que soariam intocáveis e asquerosas para quem não deseja ser Homem de verdade – dão o tom do que é construir uma cis-masculinidade que honra sua performance grotesca e bruta. Nas paredes, disputando espaço com os rastros de merda, estão os “infantis” desenhos de paus e as inúmeras frases eróticas espalhadas por toda parte, clamando pela Claudia, suplicando por um boquete com catupiry ou por um edi com doce de leite.
Os banheiros ditos “públicos”, mas que são feitos para fabricar o Homem machosférico, representam a materialidade psíquica da masculinidade hegemônica – que é cisgênera e heterossexual. Concretizam o nicho ecológico em que habitam os embriões dos Homens. Afinal, “homem de verdade não tem frescura”.
Não se nasce Homem! Torna-se Homem desde cedo entrando e saindo nesses e desses banheiros, desde cedo codificando sua maneira de expressar sentimentos, coisificando o desejo e os afetos, interditando a fala e adorando o falo, borrando a escuta e a partilha ampla e revelando suas afetividades a partir da violência e do grotesco.
As sujeiras desses banheiros não são hostis pelo mero fato concreto e sensorial de serem sujas, mas por serem autorizadas apenas em uma gramática formativa que compreende somente um tipo de corpo e comportamento. A cis-masculinidade é o discurso que submete corpos desde cedo a um fazer-saber planejado a priori – a contragosto – para ser parte dessa produção do nojento sobre o Outre, mas que normaliza todas as sujeiras sobre si. A sujeira e a limpeza são questões de perspectiva. E no Ocidente essas perspectivas são cis-masculinas.
O Homem que não se limpa será o mesmo que exigirá limpeza profunda de corpos não hômicos. O Outre é o referencial antagônico que produz o eu colonizador.
Os inúmeros pelos pregados aos sabonetes, suas cuecas e toalhas emboloradas, os pratos com restos de comida da semana passada deixados até que alguém os recolha, seus hálitos de esgoto e todo um despojamento nomeado como animalesco não são, em si, um problema do Homem: são a sua própria solução criativa. Essas e muitas outras camadas pertencem à sua identidade histórica.
Mas repare: basta uma lingerie de cores não idênticas, um fio de pelo nas axilas e nas virilhas, uma calcinha recém-lavada e pendurada no box do banheiro ou uma unha do pé com esmalte desgastado para chamarem as mulheres de porcas e desleixadas. Barrigas grandes e peludas, corpos gordos, arrotos e peidos, bem como pernas com pelos e que se abrem num hábito expansivo de dominação e posse territorialista – entre outras performances e estéticas – só são errados se estiverem fora de seus corpos de Homens. O erro é sempre o Outre, o não-Homem, o não hômico: aquele corpo que recusa a machosfera.
Como comentei em um texto antigo no meu blog – o texto mais lido desde a sua publicação –, numa sociedade que condena o comportamento homossexual, considerando inclusive que um homem cis que faz sexo com outro homem cis nem seja considerado “homem de verdade”, mas “gay/viado/bicha”, sua prática de retaliação revela por si seus mecanismos normativos.
Ora, se um homem cis supostamente hétero – que seria condenado por ter comportamentos homossexuais – encontra outro cis hétero sujeito à mesma ameaça de condenação, o pacto cis-heterossexual entra em ação. Eles ficam juntos, praticam sexo, mamam, passam cheque, gozam de suas pulsões mais proibidas e realizam seus desejos homossexuais e, numa aliança social bilateral para manter o perfil social “hétero” de ambos e seguirem aceitos nos grupos que frequentam, pactuam que nenhum contará sobre o outro. Todos têm algo a perder – seus privilégios heteronormativos –, logo, é tudo no sigilo! O sigilo é a moeda de troca dessa brotheragem.
Homens cis héteros defendem sua suposta heterossexualidade como se ela estivesse acima de tudo, inclusive acima daquilo que eles são e/ou poderiam ser. Fazem questão de expor suas marcas de “homens que gostam de mulher” e exigem ser tratados como pessoas publicamente avessas ao prazer afetivo-sexual que envolva dois corpos cis-masculinos. Mas é justamente nessa armadilha que eles mesmos criam seus paradoxos e se condenam ao cativeiro de si.
Alguns paradoxos são bem evidentes. Esses seres da espécie Homo sigillosus, que dizem gostar tanto de mulheres cis, são os mesmos que as objetificam e as desprezam, que não as reconhecem como pessoas dotadas de autonomia, de intelectualidade e de direitos – e as matam. Em contrapartida, veneram tudo que é cis-masculino: adoram uma toba – adoram sobretudo exibi-las como objeto de poder –, veneram ambientes e espaços machocentrados (futebol cis-masculino, encontros somente entre homens cis); cultuam atores, cantores, escritores, todos cis-masculinos e com uma performance masculina dentro do mais esperado para o Homem viril, vulgo Homem “macho” – no caso de homens brancos – e, mesmo assim – e talvez por isso? –, ainda buscam pelo sexo cis-homossexual.
No entanto, temem ser reconhecidos e descobertos em suas profundas e secretas vontades. Temem ser descobertos inclusive por si mesmos. Certamente porque existe uma norma que os encarcera no título de Homens Heterossexuais, represando desde muito cedo, em suas socializações, a vivência mais íntima de seus afetos como uma experiência natural – mesmo que sejam criações doutrinárias que aprisionam um potencial de afetos e ignoram todas as possibilidades de um indivíduo.
Reitero: em muitos casos esses homens são comprometidos publicamente em relações afetivo-sexuais com mulheres cisgêneras, uma vez que supostamente isso atesta suas masculinidades. Mas no secreto querem mesmo uma neca ou uma necada e, como são covardes, ficam só com a pica dos brothers. Não bastasse esse detalhe, deve-se acrescentar o fato de que essas mulheres – em tese – não sabem de seus comportamentos afetivo-homossexuais. Ou seja, para além de qualquer perspectiva moralista, existe a quebra de pactos estabelecidos entre os pares, já que eles também, em sua maioria, são monogâmicos ou, no mínimo, não informam essas mulheres de seus atos – haja vista, novamente, a necessidade primordial de ser tudo no sigilo. Logo, para esses sujeitos vale a máxima: heterossexualidade acima de tudo, sigilo acima de todos!
E os banheiros surgem novamente. Pois é nos famosos banheirões, espalhados pelas cidades nos espaços urbanos “públicos” – desde rodoviárias até universidades e igrejas – que esses Homens se realizam sigilosamente. Para além de formar subjetividades homologadas pelo nojo, os banheiros “públicos” cis-masculinos são também seus tribunais, onde afirmam e reafirmam seus pactos no silêncio de seus gritantes desejos.
Toda a estética desses banheiros depõe sobre o ser Homem, uma vez que, se o cheiro e a textura dos espaços produzem a subjetividade, a arquitetura a torna verificável. Os mictórios não estão lado a lado por acaso. Não é apenas para facilitar a mijada. Antes de tudo, é para diferenciar o comportamento entre o que se chamam de “homem” e “mulher” – e servem também para treinar essa diferenciação. O ocó que mija sentado não é ocó de verdade, e “baitola”.
Mas para além de agirem como dispositivos comportamentais, esses mictórios de altura estrategicamente baixa e de largura facilmente transpassada atuam como altares “discretos” de uma vigilância paranoica e obsessiva: ninguém olha, mas todos veem. O pacto cis-masculino começa justamente na falsa negação do olhar, mas que se sente vigiado o tempo todo – vigilância essa necessária para a vida deles. O homem cis hétero aprende cedo que olhar demais pode ameaçar a sua suposta heterossexualidade a partir da suposta heterossexualidade alheia; mas a exceção são os códigos sensíveis produzidos para identificar o brother que quer gozar. Dizem-se heterossexuais na expressão pública de suas imagens e a rejeitam no privado – ou na privada.
Não olhar a neca alheia que se descarrega no mictório ao lado pode não ameaçar a sua posição na hierarquia dos Homens. Mas exibi-la e sacudi-la como quem silenciosamente convida à mirada é, sem dúvida, um ato de afirmação cis-masculina. O Homem de verdade envia seus silenciosos e codificados sinais de disponibilidade, e os demais Homens de verdade são aqueles capazes de capturá-los.
Apesar de todo seu júbilo pela valentia e coragem, é no sigilo úmido, cheirando a ureia e manchado de merda, que seus desejos cantam e gemem. O Homem aprende a arte cis-masculina da visão clandestina. Vê sem olhar; deseja sem afirmar explicitamente; compara sem admitir; mama sem dar um pio; e dá sem gemer muito. Esses banheiros são uma pedagogia silenciosa da “brotheragem”.
Ali, o cis-masculino se organiza como numa te[n]são permanente entre repulsa e fascínio. O nojo não interrompe o desejo porque a te[n]são é muito mais forte – acumulada ao longo dos dias. O nojo é parte fundamental desse desejo cis-masculino. No nojo desejado, eles se reconhecem e se afirmam. No nojo modulado pelo pacto, no nojo arranjado pelo contexto que o desnojifica temporariamente.
É um nojo brutal, feito para repelir tudo que não reconhece o “H” dominante, ao passo que serve como atrativo de seus semelhantes. A cis-masculinidade não se constrói apesar da brutalidade e da nojeira; ela se constrói a partir delas. O cheiro forte, o mofo, a parede hachurada de marrom seco, o espelho manchado de escarro, a pia entupida de papel, a violência sonora dos corpos que arrotam e peidam como quem diz “esse é meu sinal machosférico” – tudo isso produz uma estética “animalesca” que funciona menos como prova de virilidade que como autorização cis-masculina de existência e pertencimento.
Assim, quanto mais degenerado e asqueroso o espaço, mais ele parece confirmar uma fantasia cis-masculina de agressividade. É como se o Homem cis precisasse se afastar continuamente do cuidado para confirmar que ainda é Homem a partir do cu-dado – desde que se construa um nicho específico para isso. E talvez seja justamente por isso que esses espaços sejam tão violentos para outros corpos.
Esses mesmos Homens que violentam e agridem travestis em suas redes sociais só não as procuram nos banheirões porque as monas não participam dessa gramática do degenerado. Estes mesmos homens que dariam de tudo por uma neca travesti produzem outros circuitos de realização do desejo. E como aprenderam a andar nas sombras sigilosas da sociedade, buscam no pistão e nas esquinas pouco iluminadas uma neca que se conecte ao seu edi. Estes Homens gostam de neca e de edi, mas que seja um edi necoso. E nos banheiros públicos não encontram as travas.
O banheiro cis-masculino não é neutro. Ele é um território de fiscalização da cisgeneridade masculina. Cada corpo ali é lido, escaneado, comparado e sedentamente desejado – desde que seja de um Homem e desde que não se dê pinta (só pinto). É um dos poucos espaços sociais onde homens cis podem desejar outros homens cis sem destruir completamente a ficção heterossexual que os constitui – desde que esse desejo permaneça subterrâneo, agressivamente negado e nojentamente ritualizado.
Por isso o ambiente exige uma cumplicidade silenciosa. E pessoas trans rompem essa cumplicidade apenas existindo. Uma travesti nesse espaço evidencia que gênero não é natural; ela aprendeu a reconhecer esses pactos e, portanto, os ameaça. Um homem trans desmonta a ficção biológica do cis-masculino, tal qual uma pessoa transmasculina revela que seu corpo não obedece à ordem cisgênera.
E justamente porque essas presenças rasgam a fantasia institucional de que todos ali compartilham o mesmo pacto corporal, elas são ameaças que devem ser combatidas violentamente, até a morte. A violência emerge não porque pessoas trans entram no “banheiro masculino”, mas porque desestabilizam os hábitos e costumes daquela sociedade secreta; revelam que aquele espaço nunca foi apenas sobre mijar e cagar, mas sobre gerar masculinidades frágeis e sigilosas. O banheiro cis-masculino é uma zona onde o desejo homoerótico pode existir desde que mediado pela degradação.
E para aqueles que andam sempre armados, empunhando um “Mas nem todo homem”: não se avexem – não deveria ser uma expectativa ver suas imagens refletidas em frente ao espelho; espelhos refletem o que toca neles. Se vocês não fazem isso tudo, se vocês não são esses Homens, qual o terror que vos assola? Que pavor é esse da identificação à qual sempre precisam se defender? A aproximação é assim tão tênue que empresta inclusive um desejo indomável de pertencimento, seguido pela vergonha de assumir o papel de “H”? Ou seria essa só mais uma camada do pacto cis-masculino, no qual, ao dizer “Mas nem todo homem”, vocês desviam o olhar do problema e dão espaço e tempo para os brothers saírem pelas portas dos fundos sem serem notados? É o famoso “Se a carapuça serve”? Muitas e muitas camadas…
Caberia também muito texto para dizer que essas masculinidades cisgêneras também produzem feminilidades cisgêneras, num processo autocatalítico. Mas de antemão deixo dito apenas que é esse ato binário de produção do humano – que divide o mundo em Homens e Mulheres – que também organiza os espaços supostamente públicos. E digo “supostamente” porque em geral o público diz respeito ao cis, ao branco, ao sem deficiências e ao corpo que não é tomado por ameaçador. O público não é público para mim, que sou travesti e negra.
Assim, o “terror transgênero” que supostamente assola os banheiros femininos não é sobre uma real ameaça trans e travesti, mas é sobre higienizar espaços de existências binárias. E, se vale pontuar, mesmo os banheiros “públicos” cis-masculinos são profundamente higienizados – já que higienização não se restringe a germes e excrementos. O discurso de que as travestis ameaçam o banheiro cis-feminino é parte do pacto binário de que esses corpos não deveriam existir para além das sombras e das sobras, que deveriam se recolher, que o espaço “público” não lhes pertence. Mulheres cisgêneras, fruto que são da norma, atuam reforçando tudo que se entende por “normal”.
Da mesma forma, dizer que “homens trans” não disputam o uso do banheiro porque são passáveis é também uma estratégia binária de classificação dos corpos. Além de revelar uma completa invisibilização transmasculina, constrói falsos estereótipos do que são as transmasculinidades. Os Homens são treinados para rastrear e perseguir corpos: ora se persegue por desejá-los e mamá-los, ora para matá-los. Não existe passabilidade na prática. Assim como nem todo corpo transmasculino consegue passar.
Uma pessoa transmasculina no banheiro cis-masculino corre risco de estupro e de morte. Isso porque o Homem aprendeu que o corpo de outro Homem deve ser decifrado e conquistado como pacto, mas que corpos com buceta – bem como os das travas – devem ser invadidos brutalmente, sem aviso e sem consentimento. Como que para dar uma lição moral de que nunca deveriam ter abandonado seus nichos sociais pré-impostos.
Talvez seja por isso que a luz continue piscando – ora como alerta, ora como convite. Depende do corpo que a vê. Porque aquele banheiro nunca foi apenas um lugar de passagem, mas um recôndito machosférico onde o Homem retorna incessantemente para nascer de novo.
Não para se aliviar, mas para se [re]conhecer no cheiro da urina envelhecida – seu vinho afetivo-emocional –, no brilho úmido do chão, no silêncio cúmplice dos olhos que se evitam enquanto se procuram insistentemente com sede de gozo. O banheiro cis-masculino é o confessionário fétido de uma masculinidade que só consegue desejar sob a proteção da degradação, que só suporta o próprio desejo quando ele vem mascarado de brutalidade, sigilo e nojo. A degradação funciona como tecnologia de autorização do homoerotismo cis-masculino.
E talvez seja exatamente por isso que corpos trans assustem tanto: porque nossa presença interrompe a liturgia daquele breu branco e piscante. Nós revelamos que aquele espaço nunca foi natural; nunca foi apenas um banheiro neutro. É a esfera “pública” da fábrica de Homens – uma fábrica de silêncios e agressividades pactuais que opera quando o nojo encanta o tesão.
Andreone Medrado é doutora em Psicologia (IP-USP). Sua pesquisa investiga as relações entre nojo, desejos e afetividades, gênero e sexualidade, com foco nas dinâmicas de poder e nos marcadores sociais da diferença. É docente, palestrante e escritora, e também fundadora do Podcast Devaneios Filosóficos.