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quarta-feira, maio 13, 2026

Brasil precisa reduzir risco-país para aproveitar posição ‘fantástica’, diz BlackRock

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O Brasil tem uma posição “fantástica” para atrair investidores, o que tem se refletido no comportamento dos ativos, mas isso não significa que eles tenham deixado de olhar outras dinâmicas no país, como a fiscal, aponta Pablo Goldberg, chefe de pesquisa e portfólio da gestora BlackRock.

“O problema fiscal é central, porque se conecta ao problema da taxa de juro real alta”, afirmou ele durante o evento Summit Brazil-EUA, organizado pelo Valor em Nova York durante a semana dedicada ao país na cidade americana.

Trazer a taxa de juro real para baixo exige “mais clareza fiscal”, um ponto em que o Brasil “tem se movido um pouco mais devagar do que investidores gostariam”, segundo Goldberg.

— Foto: Vanessa Carvalho/Valor

Apesar disso, ele afirmou que o Brasil e a América Latina em geral estão em uma posição “fantástica” ao combinar altos rendimentos, disponibilidade de recursos e paz.

“É hora pensar como canalizar todas essas forças e seu potencial para o novo mundo. E uma maneira para fazer isso é reduzir o custo do financiamento para investimentos no Brasil, o que tem a ver com a redução do risco-país”, afirmou.

O Brasil, observou, já tem um setor externo forte, com pouca dívida externa e alto nível de reservas. “Mas, no âmbito doméstico, a taxa de juro real ainda é muito alta.”

“Isso torna o investimento em CDI muito óbvio. O que você faria com qualquer outro ativo no Brasil, principalmente em um momento em que o dólar está se desvalorizando e o real se valorizando? É quase uma escolha óbvia”, afirmou.

No entanto, isso não é propício para investimentos de longo prazo, observou Goldberg. “Essa é a mudança que precisa acontecer para realmente desbloquear parte desse potencial”, afirmou.

A BlackRock olha para investimentos de longo prazo e o país precisa de projetos com esse perfil, mas “volatilidade macro é algo que vai contra os interesses dos nossos investidores”, disse Goldberg.

“Gostaríamos muito de ver políticas que sejam sustentadas, que os investimentos se mantenham ao longo do tempo e que o crescimento seja exponencial, o que beneficia a todos, incluindo a população brasileira”, afirmou.

Goldberg relembrou que já havia um fluxo de recursos para emergentes antes do conflito mais recente no Oriente Médio e, mesmo após a desescalada da guerra, o real está ainda mais forte do que antes do conflito. O mesmo aconteceu em termos de fluxos para, por exemplo, o mercado de ações brasileiro. “Portanto, acredito que há uma percepção de que alguns dos fatores que contribuem para a fraqueza do dólar persistirão”, disse.

Isso, continuou, é muito importante para sustentar moedas, o que tem um impacto positivo também nos termos de troca, fator que tem sido importante para determinar quem está sofrendo mais ou menos com a guerra.

Olhando à frente, Goldberg disse que as pessoas entrarão no “clima eleitoral” e que “haverá alguma volatilidade em torno do resultado”. “Mas, de modo geral, vejo o mercado se tornando cada vez mais confortável com as eleições no Brasil. Portanto, eu esperaria ver uma continuidade na recomposição das posições no país”, afirmou.

[Fonte Original]

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