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quarta-feira, maio 13, 2026

Dólar encerra perto da estabilidade mesmo com incertezas sobre a guerra entre EUA e Irã

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O dólar à vista encerrou o pregão desta terça-feira perto da estabilidade, em ligeira alta, refletindo a piora na percepção de risco global, ainda que em magnitude bastante contida, se comparada à dinâmica de moedas pares. Mais uma vez, a alta no valor dos barris de petróleo serviu como escudo do real em meio à piora no risco externo, movimento também observado na coroa norueguesa e no dólar canadense, divisas mais sensíveis à variação do preço da commodity.

Encerradas as negociações desta terça-feira, o dólar à vista registrou apreciação de 0,09%, cotado a R$ 4,8955, depois de ter batido na mínima de R$ 4,8886 e ter encostado na máxima de R$ 4,9156. Já o euro comercial recuou 0,24%, a R$ 5,7470. Perto das 17h10, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,36%, aos 98,303 pontos.

Entre as 33 moedas mais líquidas acompanhadas pelo Valor, o real apresentava um dos melhores desempenhos, seguido pela coroa norueguesa e pelo dólar canadense, as três divisas mais sensíveis a preços de petróleo. O dólar apreciava 0,16% ante a coroa norueguesa e 0,20% frente ao dólar canadense.

Nos primeiros minutos do dia, antes da divulgação do índice de preços ao consumidor americano (CPI, na sigla em inglês), o dólar seguia mais forte, com os agentes do mercado se posicionando na moeda americana possivelmente por conta de uma expectativa de um dado pior. Como as apostas no real têm crescido, havia espaço para ajustes. Uma vez que o dado veio em linha com o esperado, a cautela em dólar pode ter se mostrado inócua, e a moeda americana passou a perder tração. No começo da tarde, o dólar voltou a ganhar força, mas a dinâmica não se sustentou, e o câmbio terminou o dia perto da estabilidade.

Para o superintendente de câmbio do Banco Rendimento, Jacques Zylbergeld, o real ainda tem espaço para apreciar, ainda que o executivo enxergue um patamar psicológico importante perto de R$ 4,80. “Não é alguma ciência que tem por trás desse nível, mas algo mais psicológico. De todo modo, vejo espaço para o real se manter mais na direção de R$ 4,80 do que de voltar para R$ 5,20, ao menos por agora”, diz.

Zylbergeld, porém, dá atenção ao fato de o Banco Central ter feito a compra de dólares no mercado futuro via swap reverso na semana passada, o que pode ter segurado uma melhora adicional do real. “Ainda que tenha sido a compra de um montante pequeno para o tamanho do mercado, depois desta intervenção o câmbio ficou de lado. A sensação é que segurou um pouco daquela valorização forte que o real vinha apresentando”, diz. “Não sabemos se foi para conter essa valorização mesmo ou se o BC aproveitou a janela de melhora que tinha ocorrido por conta das internalizações do Tesouro para reduzir o estoque de swap. Fica aquela sensação de incerteza.”

Sobre o cenário eleitoral, Zylbergeld diz ver uma disputa acirrada e que dificilmente vai fazer grandes preços antes de haver alguma clareza sobre o vencedor. “Se a oposição [do atual governo] começar a dar sinais de que pode vencer, talvez veremos uma melhora por conta da expectativa em torno da mudança na condução da política econômica. Da mesma forma, se o presidente Lula volta a fortalecer, a questão fiscal pode voltar a pressionar [o câmbio].”

O estrategista global de moedas do Lombard Odier, Kiran Kowshik, diz manter visão otimista com o câmbio brasileiro. “Nossa estimativa de valor justo continua mais próxima de R$ 4,50. Embora a valorização recente seja relevante, ela reflete em grande parte uma correção dos níveis persistentemente sobrevalorizados observados no período pós-Covid”, diz, em nota. Até julho, a casa espera que o dólar continue caindo frente ao real.

“Uma combinação de carry trade, exposição a commodities e entrada de capital tem impulsionado a queda do dólar no Brasil. Os fluxos para ações atingiram os níveis mais fortes em vários anos, à medida que investidores globais buscam diversificação fora dos mercados desenvolvidos. O Brasil continua oferecendo um dos maiores juros reais entre os mercados emergentes, dando suporte à moeda.”

Embora o posicionamento no mercado futuro tenha aumentado, o banco suíço diz que as apostas no real ainda permanecem bem abaixo dos extremos históricos, sugerindo que ainda há espaço para uma valorização adicional do real, com o dólar provavelmente testando R$ 4,70 mais perto de julho. “À medida que nos aproximamos de julho, o câmbio tende a ser cada vez mais influenciado pelos desdobramentos políticos. Os mercados devem focar nas plataformas econômicas dos candidatos, sendo o compromisso percebido com a disciplina fiscal uma variável-chave. Uma mudança nas pesquisas em direção a maior credibilidade fiscal pode impulsionar ganhos adicionais para o real.”

[Fonte Original]

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