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quarta-feira, maio 13, 2026

Empresas do Irã fazem demissão em massa por causa da guerra

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Empresas iranianas começaram a demitir em massa nas últimas semanas devido ao prejuízo econômico crescente causado pela guerra com os Estados Unidos e Israel, noticiou o New York Times.

Parte do problema decorre de decisões do próprio governo iraniano, como a restrição à internet, que impossibilitou as operações de várias empresas. Os EUA também estão conduzindo um bloqueio naval de embarcações com escala no Irã, numa tentativa de pressionar o país a negociar.

O presidente dos EUA, Donald Trump, cita abertamente a estratégia de pressão econômica. “Espero que quebre”, disse ele neste mês sobre a economia do Irã. “Sabe por quê? Porque eu quero vencer.”

Antes da guerra, a economia iraniana já enfrentava anos de sanções, corrupção enraizada e má administração. Tudo isso provocou uma profunda desvalorização da moeda nacional, o rial. Os novos bombardeios dos EUA e de Israel agravaram ainda mais a situação ao atingir fábricas e infraestruturas importantes, gerando escassez de matéria-prima.

O descontentamento econômico já provocou repetidos protestos no Irã ao longo da última década, incluindo manifestações nacionais que começaram em dezembro, à medida que a moeda sofria uma hiperdesvalorização. Os protestos foram reprimidos violentamente pelo governo.

Uma autoridade citada pela Tasnim News Agency, uma agência de notícias semioficial iraniana, calcula que 1 milhão de pessoas já perderam o emprego por causa da guerra, com as demissões afetando até 2 milhões de pessoas direta e indiretamente. O número de currículos enviados a um site iraniano de empregos chegou a 318 mil apenas em 25 de abril, um total 50% maior que o recorde anterior de currículos apresentados num único dia, segundo o site Asr Iran.

O orçamento governamental, proposto no ano passado, já previa uma redução substancial dos gastos públicos por causa da inflação. Para cobrir o déficit, o governo havia proposto impostos mais altos, que agora devem ser neutralizados pelo mau desempenho do setor privado.

A indústria de tecnologia do Irã, antes símbolo do potencial do país, foi praticamente destruída por um apagão draconiano de internet imposto pelo governo. O chefe de uma associação do setor calcula que a interrupção da internet está custando ao Irã até US$ 80 milhões por dia em perdas diretas e indiretas.

A Digikala, conhecida como a Amazon do Irã e principal empresa de tecnologia do país, já demitiu 3% de sua equipe, o equivalente a 200 pessoas. Outra empresa, a Kamva, anunciou no mês passado que encerrará suas atividades.

Uma tecelagem no oeste do Irã demitiu 700 de seus 800 trabalhadores, segundo a Agência de Notícias Trabalhistas do Irã, um veículo semioficial, que também informou que outra fábrica no norte do país dispensou 500 funcionários.

Falta de matéria prima levou tecelagens do país a demitir centenas de pessoas — Foto: Vahid Salemi/AP

Mesmo fabricantes que não anunciaram demissões formais estão, na prática, paralisados. As empresas se mantêm abertas apenas nominalmente e produzem pouco, relataram líderes sindicais à Agência de Notícias Trabalhistas do Irã.

Mehdi Bostanchi, chefe do Conselho de Coordenação das Indústrias do país — órgão que atua como intermediário entre empresas e governo — afirmou que o setor industrial iraniano atravessa uma retração que poderá afetar até 3,5 milhões de trabalhadores.

“Nesta situação, ao contrário dos períodos clássicos de recessão, a queda no emprego é menos visível nas estatísticas oficiais e se manifesta por meio da não renovação de contratos, da redução das horas de trabalho e de licenças forçadas”, disse Bostanchi ao NYT.

Em alguns momentos, os esforços do governo para enfrentar a crise econômica acabaram aumentando a pressão sobre as empresas. Em março, o governo anunciou um aumento de 60% no salário mínimo do Irã para manter os salários alinhados à inflação galopante do país.

Em vez disso, isso “criou um choque na economia”, disse Nima Namdari, diretor-executivo da empresa de vendas online de carros Karnameh. “Como resultado, a onda de demissões se intensificou.”

[Fonte Original]

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