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quinta-feira, maio 14, 2026

O que são terras raras, elementos que Lula e Trump devem discutir nesta quinta-feira

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As terras raras, grupo de 17 minerais essenciais para a fabricação de celulares, carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares, devem entrar na pauta do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7), em Washington.

O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses elementos, mas ainda participa muito pouco da cadeia global de produção, hoje concentrada na China. O Brasil tem 24% do total das reservas globais, mas a exploração brasileira é apenas 0,5% da produção mundial.

Com a posição de Trump de antagonizar comercialmente com a China, os EUA buscam diversificar a origem de seus minerais críticos. Assim, na visão americana, as reservas brasileiras podem ser fundamentais nesse cenário.

As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos. São eles: lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, lutécio, escândio e ítrio (Y), de acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB).

Além dos produtos já citados, as terras raras são utilizadas para a fabricação de televisores de tela plana, lâmpadas fluorescentes compactas, ímãs permanentes, catalisadores de gases de escapamento, lentes de alta refração, entre outros, segundo a Secretaria Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SNGM).

A SNGM também afirma que as terras raras são importantes no contexto de uso de fontes de energia limpa, pois são aplicadas na indústria de alta tecnologia para produção de turbinas eólicas e carros híbridos e elétricos.

Esses elementos também fazem parte de uma categoria chamada minerais críticos, “recursos minerais cuja oferta está sujeita a riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores”, ressalta a SNGM.

De quem são os minerais críticos do Brasil?

No Brasil, minerais e elementos encontrados no subsolo pertencem à União. Esses minerais só se tornam propriedade privada após a extração.

Para exploração, é preciso que as empresas interessadas obtenham autorização de pesquisa e lavra na Agência Nacional de Mineração (ANM), além de licenças ambientais, e quando a exploração começar de fato, royalties calculados sobre o faturamento líquido na venda devem ser pagos via Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

A única empresa que já está na etapa de comercialização é a mineradora Serra Verde, que explora a jazida Pela Ema, localizada no município de Minaçu (GO), um depósito de argila iônica rico em terras raras leves e pesadas.

A Serra Verde é a única empresa que produz esses elementos em escala fora da Ásia. Ela foi vendida no mês passado para a empresa USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões.

Além dela, existem mais de 1.400 autorizações de pesquisa para terras raras já foram concedidas pela ANM, principalmente nos estados de Goiás, Minas Gerais e Bahia, mas todas em fases pré-operacionais.

Entre as iniciativas em fase pré-operacional estão mineradoras listadas em bolsas estrangeiras e empresas brasileiras de capital fechado e aberto.

Principais projetos de exploração de terras raras no Brasil

EmpresaStatus ANMJazidas/Projetos Principais
Serra Verde (vendida à USA Rare Earth)Em produção comercialPela Ema, Minaçu (GO) – argila iônica, terras raras leves/pesadas
Aclara ResourcesFase de instalaçãoNova Roma (GO) – terras raras
Appia Rare Earths & UraniumPesquisa avançadaIporá, Diorama, Israelândia (GO) – terras raras
Viridis Mining & MineralsEstudos de viabilidadePoços de Caldas (MG) – terras raras
Meteoric ResourcesEstudos avançadosPoços de Caldas (MG) – megajazida vulcânica
St George MiningPesquisaAraxá (MG) – terras raras, nióbio
Atlas Critical MineralsPesquisaProjetos em MG e GO – terras raras, grafite

Reservas e produção de terras raras

No mais recente resumo de commodities minerais do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), a China é o país que mais extrai terras raras, tendo alcançado 270 mil toneladas em 2025.

Os Estados Unidos vêm atrás, com 51 mil toneladas, seguidos pela Austrália (29 mil toneladas). Já o Brasil teve um crescimento de 257% no ano passado, explorando 2 mil toneladas desses elementos químicos.

A China é também o país que possui a maior reserva de terras raras do mundo, com 44 milhões de toneladas. Em seguida, aparece o Brasil, com 21 milhões de toneladas, e Austrália, com 6,3 milhões de toneladas.

O estudo também divulga países que não possuem reservas desses elementos químicos, mas tiveram um alto índice de processamento por meio da importação. Fazem parte dessa situação Mianmar (22 mil toneladas processadas), Nigéria (1,5 mil) e Madagascar (2,7 mil). Veja na tabela abaixo:

Produção e reservas de terras raras no mundo em 2025

PaísProdução em 2024 (em toneladas)Produção em 2025 (em toneladas)Reservas (em toneladas)
EUA45.50051.0001.900.000
Austrália29.00029.0006.300.000
Brasil560200021.000.000
Mianmar27.00022.000Não disponível
Canadá00830.000
China270.000270.00044.000.000
Groenlândia001.500.000
Índia2.9002.900Não disponível
Madagascar1.4002.700Não disponível
Malásia140110710.000
Nigéria1.5001.500Não disponível
Rússia2.6002.6003.800.000
África do Sul00860.000
Tanzânia00890.000
Tailândia2.1004.800Não disponível
Vietnã3001503.500.000
Outros1.000550Não disponível
Total380.000390.00085.000.000

[Fonte Original]

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