O novo primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar, concedeu nesta terça-feira (12) poderes de veto sobre projetos legislativos a quatro ministros. Um deles é o chefe da pasta das Finanças, Andras Karman, que herdou o que Magyar descreveu como um “legado dramático” do ex-líder de direita Viktor Orbán.
Magyar derrotou Orbán nas eleições de 12 de abril após o direitista ter passado 16 anos no poder. Na ocasião, o novo premiê herdou um déficit orçamentário crescente e uma economia que mal conseguiu sair da estagnação e, agora, enfrenta novos desafios provocados pelo conflito no Oriente Médio.
Mais cedo nesta terça-feira, Karman prometeu reconstruir a previsibilidade das políticas econômicas, prejudicada por anos de mudanças improvisadas, e estabelecer um plano de quatro anos para redução do déficit e da dívida pública, colocando a Hungria no caminho para cumprir os critérios de adoção do euro até 2030.
“Ele herdará um legado difícil, possivelmente dramático, cuja verdadeira profundidade só será revelada nos próximos dias”, disse Magyar enquanto seu governo assumia o poder.
Magyar, que afirmou que o déficit orçamentário da Hungria pode atingir 6,8% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, ou seja, muito acima do previsto anteriormente, disse que os poderes de veto durante o processo decisório do governo também serão concedidos aos ministros da Saúde, Justiça e Educação.
A medida parece destinada a funcionar como um freio ao próprio poder de Magyar, permitindo que os quatro ministros bloqueiem projetos antes que sejam enviados ao Parlamento, onde o partido governista Tisza detém mais de dois terços das cadeiras.
“Uma das tarefas mais importantes do próximo período será restaurar a estrutura moral e institucional do Estado de Direito”, afirmou.
O governo de Magyar prometeu recolocar a Hungria em um caminho pró-europeu para garantir a liberação de bilhões de euros em recursos da União Europeia congelados devido às reformas de Orbán, consideradas prejudiciais à democracia.
Magyar afirmou que seu governo lançará uma mudança radical de política econômica, abandonando um modelo baseado em mão de obra barata, manufatura de baixo valor agregado e corrupção, em favor de outro centrado em produtividade, inovação e investimento em tecnologia.
“A política econômica húngara não precisa de um simples ajuste, mas de uma direção inteiramente nova”, afirmou o ministro das Finanças durante audiência de confirmação no Parlamento.
Karman disse que o novo governo precisará de cerca de um mês e meio para ter clareza total sobre o orçamento de 2026, que originalmente previa déficit de 5% do PIB, dos quais cerca de 70% já haviam sido acumulados até abril devido aos elevados gastos pré-eleitorais sob Orbán.
Ele afirmou que um orçamento reformulado para 2026 servirá de base para o orçamento do próximo ano e para um plano de quatro anos destinado a reduzir o déficit da Hungria em direção ao limite de 3% estabelecido pela União Europeia.
Karman disse ainda que o gabinete tornará o ambiente de negócios mais previsível, encerrará legislações retroativas, restaurará a concorrência justa e eliminará licitações públicas superfaturadas, que, segundo ele, aumentaram o déficit e distorceram a economia.