Seis horas de estrada separam Brasília de um dos pontos mais singulares do Parque Nacional Grande Sertão Veredas: o lugar em que é possível estar, ao mesmo tempo, em Goiás, Bahia e Minas Gerais. É dali também que partem, a partir da Pousada Trijunção, as expedições da ONG Onçafari em busca do lobo-guará, um dos animais mais importantes do Cerrado brasileiro. No caminho, há rio, trilha, poeira e trechos que parecem feitos para testar até onde vai um 4×4. O Defender 110 Trophy Edition foi criado exatamente para vender esse tipo de imaginário – e para transformá-lo em produto.
A edição chegou ao Brasil como uma série limitada inspirada na tradição dos antigos eventos Trophy e Challenge, que ajudaram a construir a imagem do Defender ao longo de décadas. O carro parte de R$ 899.990. É um valor que o coloca muito perto de R$ 1 milhão, acima do Defender 110 regular, que sai de R$ 844.990.
No mercado brasileiro, serão apenas 40 unidades. A maior parte delas já foi vendida. O Trophy Edition não é apenas uma nova configuração da linha 110, mas um modelo pensado para reforçar o elo da marca com expedições, terrenos difíceis e a ideia de aventura com propósito maior, algo que a própria Defender associa historicamente a exploração e conservação.
Esse carro também ajuda a deixar mais visível uma mudança que a JLR vem consolidando: a da casa das marcas. O Land Rover praticamente sai do centro da cena. No Trophy Edition, ele aparece de forma ainda mais discreta que a versão anterior, restrito à grade dianteira e à chave. O protagonismo visual e comercial agora é do nome Defender.
A série especial é oferecida em duas cores que resumem bem esse discurso. A Deep Sandglow Yellow é uma leitura moderna de um tom historicamente ligado aos carros usados em desafios internacionais da marca. Já a Keswick Green remete aos terrenos difíceis da origem britânica do Defender. Em ambas, a carroceria recebe contraste em Gloss Black no capô, na parte inferior, nas pinças de freio e nos olhais de reboque traseiros.
O conjunto visual inclui ainda rodas de 20 polegadas em preto brilhante, pneus all-terrain, placa de proteção traseira escurecida, proteção dos arcos de roda em Gloss Black e proteção frontal preta. Há também decalques Trophy no capô, gráfico no pilar C e emblemas traseiros específicos. Por dentro, a edição recebe soleiras iluminadas Trophy, bancos de couro Ebony Windsor e barra transversal exposta na mesma cor do exterior, com tampas gravadas a laser com a marca Trophy.
Para quem quiser levar a proposta ainda mais longe, a Defender oferece acessórios opcionais voltados à expedição, como bagageiro de teto, escada retrátil, suporte lateral para equipamentos, para-lamas clássicos e entrada de ar elevada para melhorar a filtragem de poeira.
A parte técnica
Na linha 2026, o Defender 110 Trophy Edition manteve a mesma motorização da edição anterior. As mudanças se concentram principalmente em acabamento, visual e tecnologia embarcada. O conjunto é o D350, um híbrido leve a diesel, com motor Ingenium 3.0 litros de seis cilindros, 350 cv, sistema Twin Turbodiesel MHEV, câmbio automático e tração integral.
Os números de desempenho informados pela marca são 191 km/h de velocidade máxima e 0 a 100 km/h em 6,4 segundos.
Além da mecânica já conhecida, a linha Defender 2026 recebeu atualizações mais amplas. Entre elas estão a nova tela de infoentretenimento de 13,1 polegadas, faróis redesenhados com nova assinatura luminosa, lanternas traseiras com lentes fumê, novos acabamentos externos e recursos de assistência ao motorista. Um deles é o Cruise Control Adaptativo Off-Road, disponibilizado como item de série na versão X, pensado para tornar mais fácil a condução em terrenos acidentados. A ideia é que o carro faça todos os ajustes automaticamente e o condutor apenas aproveite a experiência de guiar.
No fim, o Trophy Edition faz sentido menos como exercício de ostentação e mais como construção de narrativa. É um carro de luxo, raro e visualmente marcado, mas que justifica seu preço pela ideia de que ainda existe espaço para um premium ligado à trilha, à poeira e ao terreno difícil. Um luxo que, em vez de fugir da lama, foi desenhado para procurá-la.