Autoridades da França e do Reino Unido alertaram a população nesta quinta-feira para abandonar suas rotinas habituais, enquanto grandes áreas da Europa Ocidental continuam sob o impacto de uma onda de calor mortal que já causou dezenas de mortes, interrompeu o fornecimento de energia e levou ao fechamento de escolas e pontos turísticos.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ativou o nível máximo de mobilização dos serviços de saúde diante da onda de calor, o que significa que procedimentos não urgentes podem ser cancelados para concentrar recursos no atendimento às pessoas afetadas pelas altas temperaturas.
Paris enfrentou mais um dia sufocante depois que os termômetros na capital francesa atingiram o recorde de junho de 40,9°C na quarta-feira.
Partes do sul da Inglaterra e do País de Gales enfrentaram mais um dia de temperaturas recordes após um novo máximo para o mês de junho, de 36,1°C, ter sido registrado provisoriamente no condado inglês de Hampshire na quarta-feira. O serviço meteorológico britânico, o Met Office, estendeu até sexta-feira um alerta vermelho de calor que cobre uma ampla área do país — a primeira vez que esse tipo de aviso é emitido por três dias consecutivos.
“É provável que haja uma interrupção significativa da vida cotidiana, e o público deve fazer todo o esforço possível para adaptar suas rotinas diárias a esses níveis de calor, que até agora eram extremamente raros no Reino Unido”, afirmou Andy Page, meteorologista-chefe do Met Office.
Mortes por afogamento na França e na Alemanha
A França implementou diversas medidas contra ondas de calor após o episódio de 2003, que causou quase 15 mil mortes, atingindo principalmente os idosos.
Desta vez, porém, a preocupação recai também sobre pessoas mais jovens e ativas, afirmou Emmanuel Grégoire, prefeito de Paris.
“Estamos falando de pessoas entre 50 e 70 anos que geralmente têm boa saúde, mas pensam que este é apenas um período normal e continuam com suas atividades habituais como se nada tivesse mudado. Protejam-se”, disse ele à emissora TF1.
Pelo menos 48 pessoas morreram afogadas na França desde o início da onda de calor ao tentarem se refrescar, informaram as autoridades. Além disso, três crianças pequenas morreram após ficarem expostas ao calor dentro de carros em dois incidentes distintos.
Desde o fim da semana passada, mais de 20 pessoas morreram em acidentes na água na Alemanha, informou à Reuters a Associação Alemã de Salvamento Aquático.
Na Itália, a imprensa local relatou que cinco pessoas morreram na quarta-feira em incidentes relacionados ao calor.
A onda de calor, que deve atingir seu pico nos próximos três dias, pode colocar em risco a saúde de até 1,5 milhão de trabalhadores italianos, incluindo operários da construção civil, agricultores e entregadores, segundo estimativas da central sindical CGIL e da Greenpeace Itália.
Diversas regiões italianas proibiram o trabalho ao ar livre durante os horários mais quentes do dia, e o governo anunciou nesta semana que empresas obrigadas a interromper suas atividades por causa do calor poderão acessar recursos para custear funcionários temporariamente afastados.
As mudanças implementadas na França após a onda de calor de 2003 incluem monitoramento regular de idosos e a oferta de ambientes climatizados para moradores de casas de repouso durante parte do dia.
O ar-condicionado continua relativamente raro na Europa, mas fabricantes asiáticos, como a sul-coreana Samsung Electronics, a chinesa Midea e a japonesa Mitsubishi Electric, vêm registrando forte aumento nas vendas, impulsionadas pela demanda em países como França, Espanha e Itália.
Segundo o Reuters Climate Monitor, a onda de calor é impulsionada por um padrão meteorológico conhecido como bloqueio ômega (Omega block), que está elevando as temperaturas em até 18°C acima da média.
O fenômeno recebe esse nome porque se assemelha à letra grega ômega: uma área de alta pressão no centro aprisiona o calor sobre determinadas regiões por longos períodos, enquanto áreas mais frias permanecem nas extremidades. As mudanças climáticas estão intensificando tanto as ondas de calor quanto as tempestades.
Escolas afetadas pelo calor
O ministro da Educação da França, Edouard Geffray, informou que 13.500 escolas estavam fechadas ou funcionando em regime especial nesta quinta-feira.
Mais de mil escolas fecharam total ou parcialmente no Reino Unido, onde a temperatura em algumas salas de aula ultrapassou 40°C. As autoridades também demonstram preocupação com o calor extremo em pátios escolares sem árvores, enquanto ainda faltam algumas semanas para o fim do ano letivo para muitos estudantes.
A turista americana Keaghan Cronin, que brincava com seus filhos em fontes de água em Paris, disse que o local era agradável, mas o calor estava excessivo.
“As crianças estão muito desconfortáveis. Na verdade, vamos embora um pouco mais cedo porque está quente demais. Vamos deixar Paris antes do planejado”, afirmou.
Eventos esportivos afetados na Alemanha e na Áustria
O serviço meteorológico nacional da Alemanha emitiu alertas de calor extremo para uma ampla área do oeste do país. As temperaturas devem chegar a 38°C nesta quinta-feira e alcançar 41°C na sexta-feira e no sábado. Uma meia maratona prevista para domingo na cidade de Hamburgo foi adiada.
Na vizinha Áustria, o serviço meteorológico nacional emitiu alerta vermelho para o nordeste do país, incluindo Viena, neste fim de semana, quando a temperatura na capital poderá atingir um recorde de 40°C.
A entidade que governa a Formula One declarou risco de calor para o Grande Prêmio da Áustria, que será disputado neste fim de semana no circuito Red Bull Ring, em Spielberg.
A decisão exige que as equipes instalem sistemas de resfriamento para os pilotos, como coletes refrigerados por líquido. No entanto, os pilotos não são obrigados a utilizá-los e podem optar por uma penalidade de peso adicional no carro.