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terça-feira, junho 23, 2026

Onda de calor na Europa deixa 40 mortos por afogamento na França

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Quarenta pessoas morreram afogadas na França nos últimos dias ao tentarem se refrescar para escapar do calor recorde, informou o primeiro-ministro Sebastien Lecornu nesta terça-feira (23), enquanto uma onda de calor se espalha por grande parte da Europa.

Reino Unido, Itália, Suíça e Espanha também enfrentam temperaturas extremas, com recordes em algumas regiões e impactos sobre escolas e redes de transporte.

A Europa está aquecendo a um ritmo mais de duas vezes superior à média global, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o que torna episódios prolongados de calor extremo cada vez mais prováveis.

Segundo o serviço meteorológico Meteo France.rande, parte da França está sob alerta severo de calor e deve registrar temperaturas próximas de 40°C nesta terça-feira. Em algumas áreas do oeste do país, os termômetros podem chegar a 43°C.

O país acaba de registrar a tarde e a noite mais quentes desde o início da série histórica, em 1947. Cinquenta e quatro departamentos estão sob alerta vermelho, em uma situação que meteorologistas classificaram como sem precedentes.

Em toda a França, pessoas têm mergulhado em canais e rios para tentar se refrescar. A ministra dos Esportes, Marina Ferrari, disse compreender o impulso de escapar do calor, mas alertou contra banhos em áreas não autorizadas ou perigosas.

Falando antes de uma reunião de emergência sobre a onda de calor, Lecornu afirmou que “há um triste flagelo quando se trata de afogamentos. Os números mais recentes que acabamos de receber mostram 40 mortes desde 18 de junho, a maioria delas de jovens.”

Na segunda-feira, equipes de resgate não conseguiram reanimar duas crianças, de 2 e 4 anos, encontradas inconscientes pela mãe dentro do carro da família, estacionado em frente à residência, informou um promotor da cidade de Carpentras, no sudeste da França.

Em Paris, moradores enfrentaram deslocamentos difíceis após noites mal dormidas em apartamentos pouco preparados para suportar o calor. Alguns trens foram cancelados, incluindo a ligação entre Paris e Bruxelas.

Lideranças empresariais afirmaram que a economia também está sendo afetada. “A França está funcionando em ritmo reduzido. As empresas, na medida do possível, estão adotando recomendações para proteger seus funcionários”, disse Patrick Martin, presidente da entidade patronal francesa Medef, à emissora BFM TV.

A onda de calor na Europa é impulsionada por um padrão meteorológico conhecido como “bloqueio ômega”, nome dado porque sua configuração lembra a letra grega: uma massa de ar quente se concentra no centro, cercada por ar mais frio dos dois lados, permitindo que as temperaturas aumentem dia após dia.

As ondas de calor e as tempestades estão sendo intensificadas pelas mudanças climáticas, elevando as temperaturas e provocando chuvas mais intensas.

O Meteo France afirmou que as condições atuais são comparáveis às da onda de calor de agosto de 2003, que durou 16 dias e provocou cerca de 80 mil mortes adicionais em toda a Europa, segundo a União Europeia. Ainda não há certeza sobre quanto tempo o episódio atual irá durar.

Na Itália, o Ministério da Saúde emitiu seu nível máximo de alerta para 15 cidades, e as autoridades adotaram medidas para restringir o trabalho em alguns setores. Tempestades são esperadas para esta terça-feira sobre os Alpes e os Apeninos, com previsão de chuvas fortes, rajadas de vento e granizo.

O Reino Unido também enfrenta calor intenso. O serviço meteorológico Met Office prevê temperaturas de até 37°C no sul da Inglaterra nesta terça-feira, o que pode representar um novo recorde para o mês de junho, antes de uma nova alta na quarta e na quinta-feira.

Dezenas de escolas planejam encerrar as atividades mais cedo, alegando que seus prédios não são adequados para enfrentar o calor.

As redes de transporte em toda a Europa também enfrentam dificuldades. A operadora ferroviária britânica Network Rail recomendou que passageiros evitem viajar, se possível, no fim desta semana, quando as temperaturas devem se aproximar dos 39°C. Restrições de velocidade nas linhas ferroviárias podem provocar interrupções nos serviços.

Em Londres, tempestades durante a madrugada, que fazem parte do mesmo padrão climático instável, causaram novos transtornos, inclusive no aeroporto de Heathrow.

A agência meteorológica da Espanha emitiu alertas vermelhos em várias partes do país, advertindo para temperaturas perigosas que podem chegar a 44°C. Nem mesmo a noite trouxe alívio, com cerca de 30 estações meteorológicas ainda registrando temperaturas acima de 25°C na manhã desta terça-feira.

Madri abriu abrigos climáticos para pessoas vulneráveis, incluindo moradores de rua.

Os abrigos “oferecem um ambiente climatizado, alimentação básica, a possibilidade de tomar banho e um local para descansar por algum tempo”, disse Juan Carlos Arellano, do serviço social Samur Social, da capital espanhola.

Dezenas de municípios no norte da Espanha cancelaram fogueiras tradicionais devido ao risco de incêndios florestais, evidenciando como as temperaturas extremas estão afetando tanto as tradições culturais quanto as atividades cotidianas.

Na Bélgica, o calor intenso obrigou uma escola primária em Tervuren, perto de Bruxelas, a transferir as provas finais para uma igreja próxima.

Na Suíça, o cantão de St. Gallen, no nordeste do país, restringiu a retirada de água de rios e lagos, alegando baixos níveis de água superficial e subterrânea e temperaturas elevadas.

Enquanto o sul da Europa sofre com o calor, destinos mais ao norte atraem turistas em busca de uma “coolcation”, termo usado para viagens a lugares mais amenos.

“Pensamos em viajar para a Croácia, mas viemos para a Suécia porque aqui é mais fresco”, disse a turista alemã Katharina Rexing, no centro histórico de Estocolmo, em um dia em que a capital sueca registrava 22°C, enquanto Zagreb, na Croácia, marcava 30°C.

Pessoas passeiam de barco no Parque do Retiro em um dia quente em Madri, Espanha, em 23 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Mohammed Salem

[Fonte Original]

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