Quem nunca olhou uma parcela pequena e pensou que ela cabia no bolso? O problema é que muitas decisões de compra nascem justamente dessa conta incompleta. Segundo a especialista Priscila Barbosa, do Banco Central, comparar a parcela com o salário pode levar famílias ao aperto financeiro e ao acúmulo de dívidas.
A orientação surgiu em um vídeo educativo divulgado pelo Banco Central para explicar como avaliar compras parceladas sem comprometer o orçamento mensal.
O erro que muita gente comete antes de comprar
De acordo com Priscila Barbosa, a pergunta mais comum na hora da compra costuma ser: “De quanto é a parcela?”.
No entanto, ela alerta que esse não deveria ser o principal critério para decidir.
A especialista explica que o consumidor precisa verificar se a parcela cabe dentro da sobra do orçamento após o pagamento de todas as despesas essenciais. Entre elas estão alimentação, transporte, aluguel, condomínio, água, energia elétrica, telefone, combustível, escola e plano de saúde.
Quando a análise considera apenas o valor do salário, o risco de comprometimento da renda aumenta.
Parcelas antigas também entram na conta
Outro ponto destacado pela especialista envolve os compromissos financeiros já assumidos.
Muitas pessoas analisam apenas a nova compra e esquecem de somar parcelas contratadas anteriormente. Com isso, a renda disponível acaba sendo menor do que parecia inicialmente.
Segundo Priscila, essa soma ignorada costuma gerar a sensação de que ainda existe espaço para novos gastos, quando, na realidade, o orçamento já está bastante comprometido.
Banco Central recomenda método PLA-POU-CRÉ
Durante a explicação, a especialista apresentou uma estratégia chamada “PLA-POU-CRÉ”, baseada em três pilares:
- Planejamento;
- Poupança;
- Crédito responsável.
A recomendação começa pelo planejamento financeiro. Em seguida, a pessoa deve criar o hábito de guardar parte da renda todos os meses. Somente depois entra o uso do crédito, sempre com objetivo definido e responsabilidade.
A proposta busca reduzir compras por impulso e evitar o crescimento das dívidas ao longo do tempo.
Contas de cabeça podem enganar
Priscila Barbosa também alertou para outro comportamento comum entre consumidores: estimar despesas sem registrar os valores reais.
Segundo ela, muitas pessoas acreditam gastar menos do que realmente gastam. Por isso, o Banco Central recomenda anotar todas as despesas em uma planilha, aplicativo ou qualquer ferramenta de controle financeiro.
Esse acompanhamento permite visualizar melhor para onde o dinheiro está indo e ajuda a identificar excessos antes que eles se transformem em problemas maiores.
Reserva de emergência ajuda a evitar novas dívidas
Além do controle dos gastos, a especialista reforçou a importância de criar uma reserva financeira para lidar com imprevistos.
Despesas médicas, problemas no veículo, manutenção da casa ou perda temporária de renda podem surgir a qualquer momento.
Quem possui uma reserva de emergência tende a enfrentar essas situações sem recorrer a empréstimos ou ao crédito de forma precipitada.
Especialista recomenda pensar nos objetivos futuros
A orientação também inclui a definição de metas financeiras de curto, médio e longo prazo.
Segundo Priscila, guardar dinheiro para objetivos maiores ajuda a reduzir a dependência do crédito e aumenta as chances de conquistar projetos importantes sem gerar endividamento.
Ao mesmo tempo, esse hábito fortalece a organização financeira e cria mais segurança para lidar com despesas inesperadas.
Perguntas frequentes
- Posso comprar parcelado?
Sim. O importante é verificar se a parcela cabe na sobra do orçamento após todas as despesas essenciais. - Comparar a parcela com o salário é suficiente?
Não. O Banco Central orienta comparar a parcela com o valor que sobra depois dos gastos obrigatórios. - Preciso considerar outras parcelas já existentes?
Sim. Todas as prestações em andamento devem entrar no cálculo antes de assumir uma nova dívida. - Como controlar melhor os gastos?
Anote despesas em planilhas, aplicativos ou cadernos para acompanhar os gastos reais do mês. - O que é reserva de emergência?
É uma quantia guardada para enfrentar imprevistos sem recorrer a empréstimos ou crédito.