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sexta-feira, junho 19, 2026

Avanço da inflação pressiona resultado de pequenas e médias empresas em maio

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O cenário econômico para as pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras registrou deterioração em maio de 2026. De acordo com o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), a movimentação financeira média real desses negócios apresentou uma queda de 8,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado interrompe uma trajetória positiva observada nos últimos meses e reflete uma piora disseminada em todos os setores da economia.

“Esse resultado de maio foi um dos piores dos últimos meses. Duas coisas chamam a atenção. Primeiramente, o fato de o resultado ter sido negativo mesmo em um mês com mais dias úteis. O segundo ponto foi o resultado disseminado na maioria dos setores que a gente monitora. Diferentemente dos outros meses, não houve nenhum setor remando contra a maré e registrando um crescimento. Todos, inclusive, tiveram intensidade de quedas muito parecidas”, diz Felipe Beraldi, economista da Omie.

Para o economista, o resultado é preocupante em função do ambiente econômico, que inclui juros altos, endividamento das famílias e ano de eleições. No entanto, Beraldi avalia que é cedo para definir esse resultado como uma tendência de curto prazo.

“Evidentemente, um resultado desse preocupa, justamente num período em que a gente está vivendo uma certa deterioração do ambiente econômico, com esse retorno das preocupações inflacionárias, expectativa de alta de juros e endividamento das famílias. É um ano bastante volátil também por conta de questões internas aqui, ligadas à política fiscal e às eleições. No geral, porém, é cedo para assumir o resultado como uma tendência de curto prazo”, observa.

O índice, que monitora cerca de 750 atividades econômicas de empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões, funciona como um termômetro da atividade econômica nacional das médias e pequenas empresas brasileiras. Segundo o economista da Omie, o ambiente desfavorável foi impulsionado pela queda na confiança do consumidor e pelo avanço da inflação.

O economista aponta que a aceleração dos preços foi um fator determinante para a perda de fôlego do mercado interno, além do rompimento das metas governamentais. “O IPCA subiu 0,58% em maio, impulsionado principalmente pelos reajustes em energia elétrica e alimentos, configurando um cenário de três meses seguidos de aceleração da taxa acumulada em 12 meses”, ressalta.

Além da inflação, a política monetária restritiva tem imposto desafios às empresas. As projeções do mercado financeiro apontam que a taxa básica de juros (Selic), hoje em 14,25%, encerre o ano em 13,75%. Esse patamar, ainda elevado, encarece o crédito e afeta diretamente o desempenho das empresas e os custos financeiros.

Juros altos impactam serviços

O recuo de maio atingiu todos os grandes segmentos acompanhados pelo índice. O ramo de infraestrutura foi o mais impactado, com queda de 13,5%. Na análise do economista, o recuo foi puxado pelos juros altos, que restringem investimentos de longo prazo em construção de edifícios e serviços especializados.

O setor de serviços, após um período de crescimento, também houve diminuição, com queda de 8,6%. Na indústria, o recuo foi de 8,8%. Dos 23 subsetores monitorados, apenas sete tiveram resultado positivo. O comércio, por sua vez, apresentou retração de 8,8%, atingindo tanto o atacado (-7%) quanto o varejo (-9,1%). O mau desempenho foi mitigado por nichos específicos, como os varejos de alimentos, livros e bebidas.

Beraldi reforça que a combinação de juros elevados e endividamento das famílias cria um ambiente de negócios complexo, exigindo alta capacidade de adaptação dos empreendedores. O resultado de maio aponta para um cenário de crédito caro e demanda pressionada, em que fatores internos e externos devem continuar a influenciar a volatilidade econômica das PMEs brasileiras ao longo do ano.

“As PMEs são muito pressionadas por todo esse contexto econômico que a gente tem vivido, mas ainda é cedo para assumir que essa queda seja uma tendência tão disseminada em todos os setores da economia. Daí a importância de continuar monitorando esses dados nos próximos meses”, afirma o economista.

O IODE-PMEs, medição desenvolvida pela Omie, acompanha as atividades econômicas das pequenas e médias empresas brasileiras com faturamento de até R$ 50 milhões anuais. Para elaborar os índices, a Omie analisa dados agregados e anonimizados de movimentações financeiras de contas a receber de mais de 170 mil clientes, cobrindo 750 CNAEs (de 1.332 subclasses existentes), considerando filtros de representatividade estatística. Os dados são deflacionados com base nas aberturas do IGP-M (FGV) e usam o índice vigente no último mês de análise para analisar a evolução das movimentações financeiras em termos reais.

[Fonte Original]

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