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quinta-feira, junho 18, 2026

Bolsa está barata, mas não quer dizer que vai ser um bom investimento, diz Verde

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A bolsa brasileira ficou muito mais dependente do capital externo, para o bem e para o mal, como mostrou o comportamento do Ibovespa neste ano. O investidor estrangeiro atingiu a maior participação no fluxo total, enquanto os institucionais locais a menor, apontou Antonio Barreto, chefe de análise de ações no Brasil da Verde Asset Management, em evento da gestora hoje.

“Foi o que definiu praticamente toda a volatilidade de preço ao longo do primeiro semestre”, comentou. “É um fluxo que pode ser muito volátil e foi exatamente o que aconteceu nesse começo do ano, porque o Brasil vai competir com esse capital com outras geografias do mundo.”

No início de 2026, ele lembrou que todo mundo queria comprar commodities, estava tudo bem e a bolsa subiu. A parada abrupta, Barreto atribui em parte à revisão de lucros das empresas americanas, onde o “resultado foi tão fantástico que direcionou esse fluxo de novo para fora do Brasil”. O destino não foi só os Estados Unidos, mas também a Coreia, devolvendo praticamente toda a alta que teve ao longo dos três primeiros meses do ano.

Na parte da bolsa relacionada a commodities, Barreto disse ver um ambiente ainda propício pela frente. Os múltiplos das companhias do setor têm subido, mas, comparativamente, os das brasileiras Vale e Petrobras estão aquém de seus pares internacionais.

Tirando commodities da conta, a queda das ações nos últimos 30 dias chegou a 20%. O múltiplo médio dessas companhias foi a 9,7 vezes na métrica de preço/lucro (P/L, que dá uma ideia do prazo de retorno do investimento), já inferior à média deste terceiro mandado do presidente Lula.

“A gente pode dizer muita coisa da bolsa, mas não pode falar que está cara. Isso não quer dizer que a bolsa vai ser um bom investimento.”

Barreto pontua que, apesar do múltiplo baixo, o estrangeiro continua saindo e não há “ninguém morrendo de vontade de alocar capital no Brasil”.

Barreto afirmou que houve uma revisão “brutal” nas expectativas de lucro para 2026 em geografias como Estados Unidos e Coreia. O Brasil também passou por uma reavaliação, mas muito relacionada a empresas da cadeia de commodities. Tirando matérias-primas, praticamente não houve aumento das projeções de resultados ou até foi levemente negativo.

“Não parece por aí que o Brasil vai atrair esse capital de volta. E quando se compara a outras geografias, o Ibovespa de fato não chama atenção, longe disso, o Brasil tem um crescimento bastante baixo”, disse Barreto.

Mesmo sem o apelo de empresas de crescimento ou ligadas à tecnologia há, contudo, “empresas baratas geradoras de caixa, em grande parte desalavancadas e que devolvem muito capital, é uma bolsa que paga muito dividendo”, continuou.

Considerando-se um incremento de lucro da ordem de 8% com 6% de dividendos, o Brasil pode parecer mais competitivo por essa ótica, “não está tão mal na foto”.

Só que para o capital externo entrar, ele precisa estar confortável com o câmbio. Num ano eleitoral, essa equação é mais complicada. Numa eventual desvalorização de 10% do real, o retorno previsto de 14% em reais cai de repente para 4% e o país passa a ser de longe a “pior geografia do mundo”.

Barreto chama a atenção para o fato de todo fluxo que veio no começo do ano ter se concentrado nas maiores empresas, porque a alocação dos fundos globais em geral se dá pelo ETF do Ibovespa.

O momento, disse, é para a seleção “stock picking” cruzando a previsão de lucros com o pagamento de proventos. Na lista da Verde há companhias com retorno real de 12%, o que quer dizer que mesmo com “juros estratoféricos” há opções que remuneram o acionista a contento, no rol abaixo das dez maiores capitalizações de mercado. O lado negativo é que têm uma liquidez menor e, na média, uma volatilidade maior.

Rede D’Or, Suzano, Equatorial e Copel são alguns nomes com potencial de alto retorno em relação ao Ibovespa, citou. Mas há que se acompanhar ainda quais companhias têm condições de repassar preços num cenário de maior pressão inflacionária.

Antonio Barreto, chefe de análise de ações no Brasil da Verde Asset Management — Foto: Reprodução/LinkedIn

[Fonte Original]

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