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quinta-feira, junho 18, 2026

Dólar tem forte alta e bate R$ 5,17 após Fed conservador e ruído do Copom

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O dólar à vista exibiu forte valorização frente ao real nesta quinta-feira, dia de apreciação global da moeda americana após o tom conservador do Federal Reserve (Fed) na decisão de ontem. Apesar de o movimento do dólar forte ter sido global, aqui a apreciação ganhou intensidade maior em razão do aumento na percepção de risco após a decisão do Banco Central na noite de quarta-feira, que gerou ruídos no mercado. Diante disso, o prêmio de risco embutido no câmbio inflou neste pregão, e o real apresentou o segundo pior desempenho entre as 33 divisas mais líquidas.

Encerradas as negociações desta quinta-feira, o dólar à vista registrou valorização de 1,30%, cotado a R$ 5,1740, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,1281 e batido na máxima de R$ 5,1897. Já o euro comercial apreciou 0,97%, cotado a R$ 5,9270. Perto das 17h05, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,73%, aos 100,815 pontos.

Desde o começo da sessão desta quinta-feira, o dólar à vista avançou frente ao real. Além da pressão vinda do cenário global menos favorável, com dólar forte em todos os mercados mais líquidos, houve uma maior percepção de risco local que afetou o câmbio doméstico.

O diretor de investimentos (CIO) da SulAmerica Investimentos, Luis Garcia, diz que o componente externo hoje foi mais preponderante na formação de preço do câmbio, mas que houve também perda de credibilidade por parte do BC, o que se traduziu em pressão adicional ao real. No que tange o cenário externo, Garcia diz que a postura mais conservadora do Fed surpreendeu o mercado e isso levou a dois efeitos de alta no dólar.

“O banco central americano surpreendeu todo mundo, com tom mais “hawkish” [favorável a aperto monetário], e isso se deu não só pela perspectiva de que pode haver juros mais elevados, mas também por conta do fortalecimento das instituições”, diz Garcia, acrescentando que, ao adotar uma postura mais dura do que era imaginado pelo mercado, o BC americano afastou o temor de uma perda de credibilidade, e isso resultou em fortalecimento da moeda americana.

“Gosto de mencionar esse ponto porque no Brasil ocorreu justamente o oposto com a nossa moeda. Uma parte da desvalorização do real esteve relacionada ao aumento do risco país por conta da justificativa dada pelo Banco Central em sua decisão de ontem. Não foi a decisão o problema, mas a comunicação”, acrescenta.

Foi esse mesmo ponto levantado por Breno Falseti, sócio e economista da Rubik Capital. Para ele, o ambiente global mais adverso faz com que o BC tenha menos espaço para errar em sua comunicação. “De forma simples, seria dizer que, se os juros lá fora [nos Estados Unidos] estão a 2%, o mercado aceita uma comunicação nota 7. Agora, se os juros sobem para 5%, o mercado não aceita uma comunicação nota 7”, diz. “É uma questão de custo de oportunidade. Se há um custo maior para investir aqui, o investidor global é menos leniente.”

Falseti reconhece que dentro da própria comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) ontem houve sinais de que a autoridade segue atenta à pressão inflacionária. “A discussão se o BC está certo ou não é difícil. Qual é a diferença entre uma taxa de juros de 15% e uma de 14%? Difícil dizer. Se for levar ao pé da letra, é uma diferença muito marginal. Temos mais uma questão de credibilidade.”

Apesar da piora observada hoje no câmbio, tanto Garcia, da SulAmérica, quanto Falseti, da Rubik, veem que há espaço para ajuste no cenário. “Vemos uma deterioração nos fundamentos lá fora, por conta da reprecificação sobre a postura do Fed, e também aqui, porque estamos ligados ao cenário externo e também porque temos nossas próprias questões”, diz Falseti. “Mas ainda não é o pior cenário. Se o Banco Central ajustar a comunicação não vejo a piora se estender e virar um cenário semelhante ao de 2024”, acrescenta.

Já Garcia afirma que todos os vetores que apontavam para um dólar mais fraco estão na direção oposta e, portanto, no curto prazo o dólar tende a permanecer forte, mas no médio a longo prazo a dinâmica pode voltar a se alterar. “Se antes tínhamos uma combinação de Donald Trump adotando postura [geopolítica] que levava a enfraquecimento do dólar; investimento em ativos reais e commodities contra ativos ligados a tecnologia; e perspectiva de um Fed sem credibilidade, ‘dovish’, agora temos um ambiente oposto”, diz. “De toda forma, ainda acho que no longo prazo as forças estruturais para dólar fraco devem s manter presentes. A verdade é que os Estados Unidos, na questão institucional, são menos confiáveis, mas no curto prazo ninguém quer ficar de fora da festa da tecnologia.”

[Fonte Original]

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