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terça-feira, junho 16, 2026

Executivo de Valor: Diego Barreto, CEO do iFood, e as novas ferramentas para resolver problemas reais

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Uma das manifestações precoces da vocação de Diego Barreto, CEO do iFood, para a liderança foi quando mobilizou os colegas para criar o primeiro campeonato de patinação de sua escola, em Uberaba (MG). Se, naquela época, o objetivo era andar rápido e bonito sobre os patins, agora o foco é garantir qualidade e agilidade nas entregas feitas sobre rodas — no caso, as motos dos 600 mil entregadores que transitam pelas ruas das cidades brasileiras. O batalhão sob a influência da empresa cresce se forem considerados os 500 mil comerciantes que participam da plataforma que, no ano passado, atingiu a marca de 1 bilhão de pedidos entregues.

Já adulto, durante o MBA no International Institute for Management Development (IMD), ficou claro para Barreto que a capacidade de incentivar pessoas em direção a uma visão única era um dos pontos de destaque para a boa gestão: “É uma capacidade inata e potencializada por exemplos, como o de meu pai e de literatura, que muitos leem, mas poucos colocam em prática”.

Foi participando do cotidiano do pai, empresário do setor de logística e transportes, que Barreto aprendeu “a dureza do ‘chão de fábrica’ do empreendedorismo tradicional brasileiro”, que se tornou pragmático e que entendeu que a inovação só faz sentido se for para resolver problemas reais. Já as leituras a que ele se refere são sobre estratégia, nova economia e dados. “Mas conhecimento só constrói solução se for aplicado. Eu não fico apenas lendo sobre inteligência artificial [IA] ou algoritmos na teoria. A gente mergulha nisso para gerar soluções tecnológicas reais e bilionárias no iFood”, afirma.

O aprofundamento do uso da IA na operação para impulsionar a produtividade e criar novas soluções é, aliás, uma das prioridades para este ano. Também há outras entregas muito relevantes para o iFood, que se expandiu além do negócio inicial de delivery de comida e está se tornando um “ecossistema” que inclui sistema operacional para os restaurantes e fintech. Outras prioridades são expandir o iFood Pago, oferecendo crédito e serviços financeiros para restaurantes; crescer mais rapidamente e consolidar novas entregas (nas verticais de mercado, conveniência e farmácia); e a transformação da “realidade brasileira de ponta a ponta, com foco especial em impacto socioambiental e educação”. E, ainda, há a prioridade relacionada à cultura do iFood, que Barreto diz ser inegociável.

“Crescemos rápido, erramos com responsabilidade e jogamos juntos para transformar o impossível em impacto real. Aqui, liderar não é administrar, é gerar impacto.” Nesse contexto, Barreto diz que a clareza de direção e a maturidade da equipe importam. Se elas estão presentes, “não preciso colocar ninguém debaixo do meu braço”.

Segundo Barreto, o iFood movimenta 0,64% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e usa a força da iniciativa privada para transformar vidas. “Estou me preparando para retribuir à sociedade. O impacto direto do iFood no país me levou a me ver no futuro ajudando o Estado brasileiro.” Não, ele não pretende ocupar cargos públicos, e sim contribuir por meio da educação. “Já ajudamos milhares de pessoas — entregadores, donos de comércios e suas famílias — a concluir o ensino médio, e não vamos parar até transformar o país de ponta a ponta.”

Pessoalmente, as preocupações se voltam para a saúde e para o gerenciamento de sua própria prosperidade — como ele diz, com mais foco em retroalimentação do que acumulação. “Envelhecer bem começa agora”, diz o executivo de 43 anos. “O futuro não perdoa lideranças exaustas. Por isso, eu trato minha saúde física e mental como base do meu desempenho.” Isso inclui priorizar o sono, ter alimentação regrada, praticar esportes intensos e buscar aprendizado fora da zona de conforto.

Empresas em que trabalhou: Movile e Suzano Papel e Celulose
Idade em que se tornou CEO: 41 anos
Maior orgulho da carreira: ser quem é de forma natural sem abrir mão da pessoa que é em casa
Pessoa que o inspira: o pai
Hobby: ler incansavelmente

[Fonte Original]

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