25 C
Brasília
quinta-feira, junho 11, 2026

Ministro da Defesa do Reino Unido renuncia e aprofunda crise de liderança de Starmer

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

O ministro da Defesa do Reino Unido, John Healey, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (11) em meio a uma disputa sobre gastos militares, acusando o primeiro-ministro Keir Starmer de não destinar os recursos necessários para garantir a segurança do país diante do aumento das ameaças externas.

A saída inesperada, acompanhada de uma carta pública contundente, amplia a pressão sobre Starmer, que já enfrenta questionamentos dentro do Partido Trabalhista e uma possível disputa pela liderança. A renúncia também expõe o dilema central do governo britânico: como ampliar os investimentos em defesa em um momento de restrições orçamentárias, crescimento dos gastos sociais e economia estagnada.

Healey vinha negociando há meses com Starmer e com a ministra das Finanças, Rachel Reeves, sobre o financiamento adicional necessário para as Forças Armadas, impasse que atrasou a publicação do Plano de Investimentos em Defesa, prevista inicialmente para o ano passado.

“Você não conseguiu, e o Tesouro não teve disposição, de comprometer os recursos de que a nação precisa para defender o país neste momento de ameaças crescentes”, escreveu Healey em sua carta de renúncia.

Pressão sobre Starmer aumenta

A saída de Healey ocorre em um momento delicado para Starmer. Em maio, o ministro da Saúde, Wes Streeting, deixou o governo, enquanto o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, tenta retornar à política nacional para lançar uma candidatura à liderança trabalhista.

Uma fonte do governo afirmou que Starmer promoveu cortes em outras áreas para preservar os investimentos militares e que apresentará um plano de gastos capaz de garantir as capacidades necessárias às Forças Armadas.

A questão da defesa ganhou ainda mais relevância após o Reino Unido ter sido exposto em março, quando não conseguiu deslocar imediatamente um navio de guerra avançado para Chipre após uma de suas bases aéreas na ilha ser atingida por um drone de fabricação iraniana.

Além disso, Londres enfrenta um cenário estratégico mais desafiador diante da redução do envolvimento dos Estados Unidos na defesa europeia. O Reino Unido é atualmente o terceiro maior gastador militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), atrás dos EUA e da Alemanha, que o ultrapassou em 2024.

Starmer prometeu o maior aumento sustentado dos gastos militares desde a Guerra Fria, com a meta de elevar o orçamento de defesa para 3% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo Parlamento. Healey, porém, afirmou que o plano em discussão prevê gastos de apenas 2,68% do PIB em 2030, pouco acima dos 2,6% previstos para o próximo ano.

A projeção é inferior à da Alemanha, que pretende destinar 3,7% do PIB à defesa até 2030. A França deve permanecer abaixo do Reino Unido, com cerca de 2,5%.

Segundo Healey, os recursos previstos por Starmer ficam “muito aquém” do necessário para enfrentar o aumento das ameaças vindas da Rússia e para expandir a presença militar britânica no Ártico e no Oriente Médio.

O secretário de Defesa britânico, John Healey, caminha em frente ao número 10 da Downing Street, no dia de uma reunião de gabinete, em Londres, Grã-Bretanha, 2 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Toby Melville

Reação dentro do Partido Trabalhista

A saída de Healey, figura respeitada tanto dentro do Partido Trabalhista quanto no setor de defesa, provocou preocupação entre parlamentares governistas.

Um deputado trabalhista classificou a renúncia como um “golpe devastador” para Starmer. Outro afirmou que a saída do primeiro-ministro “agora parece inevitável” nos próximos meses. Um terceiro disse que a decisão pegou toda a equipe de defesa do partido de surpresa.

Cerca de um quarto dos parlamentares trabalhistas já pedem a saída de Starmer após o partido sofrer, em maio, o pior desempenho de um primeiro-ministro britânico em eleições locais em mais de três décadas.

A renúncia ocorre a menos de um mês da cúpula da Otan, marcada para começar em 7 de julho.

Kevin Craven, diretor da associação britânica da indústria de defesa ADS, afirmou que a saída de Healey representa uma “condenação contundente” da abordagem adotada por Starmer.

“Os riscos para o Reino Unido e para seus aliados de errar no Plano de Investimentos em Defesa — algo que agora parece cada vez mais provável — são muito maiores do que imaginávamos”, disse.

Kevin Rowlands, analista do centro de estudos Royal United Services Institute (Rusi), afirmou que a credibilidade do governo na área de defesa sofreu um duro golpe.

“Se o atraso do plano já estava prejudicando a credibilidade do governo, a renúncia de John Healey abriu um rombo nela”, afirmou.

Starmer havia prometido divulgar o plano antes da cúpula da Otan de julho.

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img