O Brasil caiu sete posições no Ranking de Competitividade 2026 do IMD World Competitiveness Center e passou a ocupar o 65º lugar entre 70 países avaliados, retornando ao pior patamar dos últimos anos. O recuo foi puxado pela piora em todos os quatro indicadores analisados pelo levantamento, com destaque para a eficiência dos negócios e a performance econômica, reforçando os desafios do país em áreas ligadas ao ambiente de negócios, à gestão pública e ao crescimento sustentável.
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Até então, a pior colocação do país havia sido o 62º lugar de 2024.
Além da performance econômica, o ranking, elaborado em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), também avalia eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura.
Segundo Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, uma combinação de tensões no atual cenário macroeconômico do país — incluindo política monetária e fiscal, endividamento público, inflação e volatilidade cambial — ajudam a explicar a queda de posição.
— No caso específico dos juros elevados, esse indicador tem influência relevante sobre o aumento do custo de capital — apontou Tadeu. — Também merecem destaque aspectos como mudanças frequentes nas regras para se fazer negócios, a liquidez do mercado e o cenário internacional, que igualmente contribuem para a elevação do custo de capital.
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O pesquisador afirma que os juros elevados tornam o crédito e os investimentos mais caros para as empresas, o que aumenta os custos para financiar operações e projetos. Esse cenário pode dificultar o planejamento e a gestão dos negócios, reduzindo a eficiência da iniciativa privada, o que explica porque, no relatório, o Brasil aparece na última posição do indicador de custo de capital.
Outros pontos de atenção para o Brasil são o débito corporativo, a educação primária e secundária, a produtividade de força de trabalho, habilidades linguísticas, habilidades financeiras e sistemas de valor. Em todos esses fatores o país fica em último lugar.
Tadeu também destaca os desafios do Brasil na formação de capital humano. O país ocupa a última posição do ranking em indicadores associados à qualificação da força de trabalho, educação e competências financeiras, evidenciando entraves estruturais que ainda limitam o fortalecimento de sua competitividade.
“O principal alerta do estudo está relacionado ao capital humano. O Brasil apresenta avanços importantes em diversas dimensões da competitividade, mas terá dificuldades para sustentar esses ganhos se não acelerar investimentos em educação, qualificação profissional e desenvolvimento de competências para a economia do futuro”, pontuou o diretor.
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Destaques positivos
Apesar da queda no ranking geral, o Brasil apresentou resultados positivos em alguns indicadores. O país ficou entre os dez primeiros colocados nos seguintes fatores: crescimento de longo prazo do emprego (5º lugar), subsídios governamentais (5º), participação de energias renováveis na matriz energética (5º), fluxo de investimento direto estrangeiro (7º) e atividade empreendedora em estágio inicial (8º).
O melhor desempenho foi registrado no mercado de trabalho, refletindo o atual cenário de baixas históricas na desocupação. A quinta posição no indicador de crescimento de longo prazo do emprego indica a capacidade de criar vagas de forma contínua e de absorver trabalhadores em diferentes segmentos da economia. Para os autores do estudo, o resultado aponta para a resiliência da atividade econômica e para a manutenção de oportunidades mesmo em um cenário global mais desafiador.
O levantamento também destaca a capacidade do país de atrair investimentos e estimular a criação de novos negócios. O bom posicionamento em investimento estrangeiro direto e empreendedorismo sugere que o Brasil continua sendo um mercado relevante para empresas e investidores.
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Além disso, a elevada participação de fontes renováveis de energia e a presença entre os líderes em subsídios governamentais aparecem como fatores que podem contribuir para a competitividade de setores estratégicos da economia.
Cingapura lidera ranking
Este ano, Cingapura lidera o ranking (ano passado ocupou o segundo lugar), seguida de Hong Kong, Suíça e Taiwan, respectivamente. Segundo o relatório, o país lider se destaca pelo ambiente favorável aos negócios e pela solidez de suas instituições.
Na outra ponta, atrás do Brasil, aparecem países como Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.
No ranking do IMD, competitividade é definida como a capacidade de um país de criar e manter condições favoráveis para que empresas operem de forma produtiva e eficiente, gerando riqueza e competindo nos mercados nacional e internacional.
Para medir esse desempenho, o estudo avalia os países com base nos quatro grandes pilares citados acima, que são divididos em subindicadores que abrangem aspectos como emprego, comércio exterior, finanças públicas, ambiente regulatório, produtividade, inovação, educação, saúde, entre outros.
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