Os principais índices de ações de Nova York abriram em alta nesta quinta-feira, ganhando força no pré-mercado, após o relatório de empregos (“payroll”) vir bem mais fraco do que o esperado e mostrar uma desaceleração na criação de vagas na economia americana.
O resultado diminuiu as apostas de uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) na próxima reunião e levou os rendimentos dos Treasuries para as mínimas, o que também favorece as bolsas. Na véspera de um feriado prolongado por conta do Dia da Independência nos Estados Unidos, a sessão pode ser de menor liquidez, favorecendo maior volatilidade ao longo do dia.
Por volta das 10h35 (de Brasília), o índice Dow Jones subia 0,51%, aos 52.567,04 pontos, o S&P 500 tinha alta de 0,41%, aos 7.514,21 pontos, e o Nasdaq avançava 0,21%, aos 26.096,687 pontos. Entre os setores, comunicação (+0,36%) era o único que apresentava queda, e tecnologia (+0,44%) operava no positivo, após o movimento de realização de lucros nas fabricantes de chips e semicondutores visto na véspera.
O “payroll” divulgado pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos mostrou a criação de 57 mil vagas na economia americana em junho, o que ficou aquém do resultado de maio, de 129 mil, e do consenso dos economistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 115 mil. Os últimos resultados também foram revisados para baixo. Por outro lado, a taxa de desemprego recuou de 4,3% para 4,2%. Ainda no cenário macroeconômico, o dia é de agenda de indicadores esvaziada.
Em um primeiro momento, os dados levaram a uma forte queda no dólar e nos rendimentos dos Treasuries, enquanto os índices futuros atrelados às bolsas de Nova York ganharam força no pré-mercado. Samuel Tombs e Oliver Allen, economistas da Pantheon Macroeconomics, avaliam que, apesar do resultado mais fraco, a média móvel de três meses, de 111 mil vagas, ainda está bem acima de qualquer nível observado em 2025. Eles esperam que o banco central americano mantenha os juros estáveis na próxima reunião e afirmam que “o mercado de trabalho continua suficientemente fraco para que o Fed se sinta confortável em relação ao risco de que o choque nos preços da energia provoque efeitos mais amplos sobre a inflação”.
Andressa Durão, economista do ASA, afirma que o relatório “retira um possível risco de aquecimento do mercado de trabalho, mas não a ponto de gerar preocupações com a atividade econômica”. Ela estima que o banco central americano irá manter os juros inalterados ao longo deste ano, apesar dos riscos para a inflação estarem inclinados para cima.