Em um dia de giro financeiro baixo e sem grandes direcionadores macroeconômicos aqui e lá fora, o Ibovespa teve dificuldade em apresentar uma tendência única ao longo da maior parte do pregão, passando a adotar um tom mais negativo apenas perto do fechamento. O movimento misto em blue chips também dificultou um desempenho mais positivo do índice.
Após variar entre os 173.222 pontos e os 174.311 pontos, o Ibovespa encerrou em queda de 0,20%, aos 173.371 pontos. O volume financeiro negociado pelo índice foi de R$ 11,4 bilhões e de R$ 15,9 bilhões na B3.
Entre as blue chips de commodities, as PN da Petrobras fecharam em alta de 0,61%. O movimento ocorreu em linha com a alta dos preços do petróleo, que subiram após os Houthis, apoiados pelo Irã, anunciarem um bloqueio marítimo aos portos na Arábia Saudita.
Já as ON da Vale cederam 1,38%. Apesar do impacto contínuo das paralisações em Fábrica e Viga, a mineradora deve entregar resultados sólidos no segundo trimestre, com a produção de minério de ferro ligeiramente maior na comparação anual, segundo o Santander.
“Estimamos um Ebtida consolidado de US$ 3,85 bilhões para a Vale (queda de 1% na comparação trimestral e alta de 12% na base anual”, com margem de 37%”, comentam os analistas Yuri Pereira e Laura Zioli.
Por outro lado, o Santander projeta volumes menores na comparação trimestral e custos unitários mais elevados após um primeiro trimestre particularmente forte.
Bancos também terminaram mistos: as ON do Banco do Brasil responderam pelas maiores perdas, no valor de 1,56%, enquanto as units do Santander avançaram 1,35%.
Após conversas com o setor financeiro, a equipe de estratégia em ações do Itaú BBA, liderada por Daniel Gewehr, destaca que a visão dos investidores locais sobre os papéis do setor está mais neutra atualmente, ao mesmo tempo em que alocadores estrangeiros estão bastante seletivos neste momento.
“As discussões estão mais focadas nos fundamentos (com destaque para o receio de revisões para baixo nas estimativas de lucro) e menos nos desdobramentos políticos, porque o cenário-base do mercado, em nossa visão, é de continuidade [do governo atual”, pondera o banco.
A equipe do Itaú BBA afirma que o Bradesco é o nome que mais gera debate entre as grandes instituições financeiras, com investidores mais “céticos” sobre a tese de investimentos no banco. Um dos pontos de desconforto é o guidance (orientação futura) para a expansão da margem ajustada ao risco neste ano e para as perspectivas em 2027, caso ocorra uma desaceleração abrupta da economia, destacam os profissionais.
A visão do mercado, no entanto, vai na contramão do Itaú BBA, que adota uma postura mais otimista em relação ao banco (com estimativas 6% e 4% acima do consenso para os exercícios de 2026 e 2027, respectivamente).
“Acreditamos que sua carteira de crédito está menos cíclica agora e que o segmento de seguros (responsável por mais de 40% dos lucros) pode continuar crescendo a taxas de dois dígitos”, diz o banco. “Se a execução seguir conforme o planejado, esperamos que o ceticismo dos investidores diminua e que as ações passem por uma reavaliação gradual de preço.”
Hoje, as ações PN do Bradesco encerraram em alta de 0,66%, enquanto as ordinárias subiram 0,69%.
O dia também foi de forte volatilidade em Wall Street. Após abrir em alta, os principais índices fecharam em queda: o Nasdaq terminou estável (-0,05%), o S&P 500 cedeu 0,19%, e o Dow Jones recuou 0,59%.