15.3 C
Brasília
terça-feira, julho 21, 2026

Bitcoin ainda é tão arriscado? Dados mostram que BTC já é menos volátil que big techs

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

O Bitcoin ainda atravessa um 2026 difícil, com queda acumulada no ano e um mercado mais cauteloso diante de juros altos, menor apetite por risco e dúvidas sobre a força dos ETFs à vista. Mas um dos argumentos mais usados contra a criptomoeda começa a perder força: a ideia de que o BTC seria volátil demais para ser comparado a ativos tradicionais ou para fazer parte de carteiras institucionais.

A volatilidade segue sendo uma característica do Bitcoin. O ponto é que ela já não parece tão fora da curva quando comparada à de ações individuais de tecnologia, especialmente papéis ligados a empresas de crescimento, inteligência artificial e inovação. Em um ano marcado por fortes oscilações também em gigantes da bolsa americana, o BTC tem se comportado de forma parecida — e, em alguns casos, menos instável — do que nomes como Tesla, Meta, Apple, Alphabet (dona do Google) e Nvidia.

Dados do Saylor Tracker mostram que, nos últimos 30 dias, a volatilidade do Bitcoin ficou abaixo da registrada por algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo. A Strategy, empresa de Michael Saylor que concentra sua tese em BTC, aparece no topo do ranking, seguida por Tesla e Meta. O Bitcoin surge mais abaixo, próximo de Apple, Alphabet e Nvidia, e acima de índices mais diversificados, como Nasdaq 100 e S&P 500.

(Saylor Tracker)

Segundo Pedro Fontes, analista de research do MB | Mercado Bitcoin, os dados ajudam a colocar em perspectiva uma das críticas mais recorrentes ao Bitcoin. A volatilidade de 30 dias do BTC ficou em 30,2%, abaixo de Tesla, Meta, Apple e Nvidia no mesmo período.

“Esse número não significa que o preço subiu ou caiu 30,3%, mas representa a intensidade das oscilações registradas no período. Quanto maior o percentual, mais instável foi o comportamento do preço”, explica Fontes.

Para o analista, a comparação enfraquece a tese de que a volatilidade, sozinha, impediria o Bitcoin de funcionar como reserva de valor ou de entrar em portfólios institucionais. A diferença é que ações de grandes empresas de tecnologia, mesmo amplamente negociadas e presentes em carteiras profissionais, também têm apresentado oscilações iguais ou superiores às do BTC.

“Portanto, ainda que por uma diferença pequena em alguns casos, o Bitcoin apresentou uma volatilidade inferior à de cinco das maiores empresas de tecnologia do mundo”, afirma.

Bitcoin ainda é volátil, mas menos que no passado

A queda da volatilidade também aparece quando o Bitcoin é comparado à sua própria média recente. Segundo Fontes, o indicador passou de uma média de 36,4% para 30,2%, uma redução de 6,1 pontos percentuais, ou cerca de 17%.

“Isso sugere uma compressão das oscilações: o preço continua se movimentando, mas com uma intensidade menor do que a observada anteriormente”, diz o analista.

Leia tambem: Volatilidade do ouro supera a do Bitcoin e bate pico da crise de 2008

Esse comportamento é relevante porque costuma aparecer em momentos de tentativa de formação de fundo. Depois de uma queda prolongada, parte dos investidores que precisava vender já saiu do mercado, reduzindo a pressão vendedora. Ao mesmo tempo, compradores de prazo mais longo começam a absorver a oferta em regiões que consideram atrativas.

Na prática, o mercado passa a oscilar dentro de uma faixa menor, testando suportes, mas encontrando menos vendedores dispostos a negociar nos patamares mais baixos. Isso não significa que o fundo já foi confirmado, mas pode indicar um esgotamento gradual da força vendedora.

“A formação de um fundo não costuma acontecer em um único dia. É um processo no qual o mercado tenta encontrar uma região em que a demanda seja suficiente para interromper a sequência de quedas”, afirma Fontes.

Segundo ele, o sinal positivo aparece quando novas quedas provocam reações menores, os suportes são recuperados com mais rapidez e a volatilidade começa a diminuir. Ainda assim, a compressão da volatilidade não elimina o risco de novos recuos.

“Essa compressão não confirma, isoladamente, que o fundo já foi estabelecido, mas é compatível com um cenário de esgotamento da força vendedora e construção de uma base para uma recuperação posterior”, diz.

A leitura dialoga com análises de grandes instituições financeiras. A BlackRock já apontou que a volatilidade do Bitcoin vem caindo conforme o mercado amadurece e se aproxima, em alguns períodos, da volatilidade de ações de megacapitalização, como Nvidia, Tesla e Meta. A Charles Schwab também avaliou que o BTC hoje apresenta cerca de metade da volatilidade que tinha há cinco anos e passou a se comportar de forma mais parecida com algumas ações de tecnologia.

Isso não torna o Bitcoin equivalente a um índice amplo de ações. O S&P 500 e o Nasdaq 100 continuam bem menos voláteis porque reúnem dezenas ou centenas de empresas, diluindo riscos individuais. A comparação mais adequada, neste caso, é com ações específicas que concentram expectativas elevadas de crescimento.

Ouro, prata e reserva de valor

A comparação com metais preciosos também ajuda a relativizar a relação entre volatilidade e reserva de valor. O ouro é menos volátil do que o Bitcoin e segue sendo visto como o principal ativo defensivo global. Mas isso não significa que reservas de valor tenham trajetória linear ou ausência de quedas relevantes.

Fontes lembra que a prata, embora tenha sido usada por séculos como ativo monetário e reserva de valor, já caiu cerca de 54% em poucos meses durante 2026. O ouro também enfrenta correções importantes ao longo de seus ciclos.

“Volatilidade e reserva de valor não são conceitos necessariamente incompatíveis. Uma reserva de valor não precisa apresentar estabilidade perfeita em todos os períodos”, afirma o analista.

Leia também: 5 criptomoedas que superam o Bitcoin em 2026 e sobem mais de 100% no ano

Segundo ele, a avaliação precisa considerar horizontes mais longos e características como escassez, liquidez, preservação de poder de compra e resistência a mudanças arbitrárias na oferta. É nesse ponto que a tese do Bitcoin se diferencia de ações, moedas fiduciárias e até de algumas commodities.

No caso do BTC, os pilares seguem sendo a oferta limitada a 21 milhões de unidades, a liquidez global e o avanço de uma infraestrutura institucional formada por ETFs, custodiantes, corretoras reguladas e produtos financeiros tradicionais.

A redução recente da volatilidade não significa que o Bitcoin deixou de ser arriscado. O ativo ainda pode ter movimentos mais fortes do que índices diversificados e segue sensível a mudanças de liquidez, juros, fluxo dos ETFs e sentimento do mercado. Mas os dados tornam menos convincente a afirmação genérica de que o BTC seria volátil demais para investidores institucionais.

“Os dados enfraquecem a afirmação generalizada de que ele seria volátil demais para investidores institucionais, especialmente quando ações de algumas das empresas mais negociadas do mundo apresentam oscilações iguais ou superiores”, diz Fontes.

Esse processo também pode criar um ciclo positivo. Uma volatilidade menor facilita a entrada do Bitcoin em modelos de risco, mandatos de investimento e estratégias de alocação profissional. Com mais investidores de longo prazo, a liquidez tende a aumentar, reduzindo o impacto de ordens isoladas sobre o preço e, potencialmente, diminuindo ainda mais a volatilidade ao longo do tempo.

Ainda é cedo para dizer que esse amadurecimento está consolidado. Um recorte de 30 dias não basta para decretar uma mudança estrutural. Mas a combinação entre menor volatilidade, queda da pressão vendedora e estabilização de preços é compatível com períodos em que o Bitcoin começa a formar uma base para tentar uma recuperação.

Para investidores, a conclusão não é que o BTC deixou de ser arriscado. O ponto é que a volatilidade já não serve mais como uma desculpa simples para descartar o ativo, especialmente quando algumas das ações mais populares do mercado global também oscilam tanto quanto — ou até mais do que — o Bitcoin.

Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!



[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img