Felipe Nunes, CEO da Quaest, empresa de pesquisas eleitorais e de opinião pública, diz que ainda é cedo para afirmar quem vai vencer as eleições presidenciais de 2026. Os principais modelos da ciência política mostram resultados diferentes sobre uma eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O modelo de fundamentos políticos diz que presidentes que tiveram sucesso eleitoral chegam à campanha com saldo positivo de avaliação. “No Brasil, não houve nenhum candidato que venceu a eleição tendo saldo negativo de avaliação”, disse Nunes, no Abecip Summit, evento realizado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), nesta terça-feira (18), em São Paulo.
Em uma tabela elaborada com base em informações de 140 eleições na América Latina nos últimos 30 anos, Nunes mostrou a correlação entre taxas de aprovação e probabilidade de reeleição. Na última pesquisa da Quaest, Lula teve 46% de aprovação, o que, por esse modelo, significa 52% de chances de ser reeleito. “É basicamente uma moedinha para cima.”
No modelo de voto econômico, que diz que quanto melhor a percepção da economia pela população, maiores as chances de reeleição, Lula perderia. Nunes fez o aviso de que, a partir de 2002, esse modelo perdeu força, porque a percepção das pessoas sobre a economia é diferente do que é observado de fato.
“O que importa para o modelo do voto econômico não é renda, não é PIB, não é inflação ou desemprego. O que importa é a relação entre renda e custo de vida.” Lula perderia, porque, hoje, no Brasil, apenas 10% da população acredita que sua renda aumentou mais do que seu custo de vida.
Lula também perderia conforme o modelo de preocupações sociais. Nessa teoria, “80% dos presidentes eleitos tinham a proposta mais criativa para resolver o principal problema do país”, explicou Nunes.
Em 2026, o problema social que mais preocupa a população é a violência. “Ou seja, o Lula vai disputar a reeleição, sendo que o principal problema que agrega a atenção dos brasileiros é um problema para o qual ele não tem a solução mais crível. Ele não é o melhor candidato para o principal problema”, avaliou.
Já o modelo de calcificação, desenvolvido pelo próprio CEO da Quaest, diz que o voto tem relação com a identidade. “Como a gente vota? Como se nós fôssemos um time, um grupo, uma tribo. Não interessa o que está acontecendo na eleição, interessa a minha identidade. A que grupo eu pertenço?”, explicou.
Por esse modelo, “lulistas” e “bolsonaristas” têm praticamente o mesmo peso, e a definição da eleição ficaria com os “independentes”. Na última pesquisa da Quaest, 23% desses independentes indicaram que votariam em Lula, contra 16% que afirmaram que votariam em Flávio Bolsonaro (PL).
“Ou seja, se a gente pensar no futuro a partir das pesquisas de hoje, estou ferrado”, brincou. “Porque vou ter que encontrar uma maneira de entender o que vai acontecer com o eleitorado, sabendo que os modelos da ciência política projetam resultados muito diferentes. Dois acham que o Lula vai ganhar por pouco, dois acham que alguém vai ganhar do Lula, mas não dizem quem. Porque não há uma alternativa claramente colocada para fazer essa virada.”
Para o CEO da Quaest, quem irá definir as eleições, ou seja, o público que ainda não se decidiu, são os empresários, empreendedores individuais e liberais sociais. “Sendo que hoje esses três grupos estão muito mais desmobilizados, desengajados, desanimados com a eleição, desinteressados.”
Segundo ele, será necessário acompanhar o noticiário a cada semana para entender como vão se desenrolar as eleições. “Essa é uma eleição que vai ser definida nos detalhes.”