A venezuelana María Elena Rocha compartilha como sua devoção religiosa a sustenta quatro meses após o terremoto de 24 de junho de 2026. A tragédia, que vitimou mais de 6.000 pessoas na Venezuela, destruiu a residência de María Elena em La Guaira, resultando na morte de seu marido, Wilson, e de seus dois filhos, Ricardo e Enrique, enquanto ela realizava uma peregrinação religiosa na capital, Caracas.
Como María Elena Rocha recebeu a notícia da tragédia com sua família?
María Elena estava em uma peregrinação em Caracas quando o terremoto ocorreu às 18h04. Após duas horas sem comunicação devido à queda da rede elétrica e da internet, ela iniciou uma viagem angustiante de volta para La Guaira. Ao chegar por volta da meia-noite, encontrou o edifício onde morava transformado em escombros. Em meio ao caos de incêndios e saques na cidade, ela sentiu uma inexplicável paz interior e foi guiada até o local onde seu filho mais novo, Enrique, ainda estava vivo, embora preso sob os restos da estrutura, o que permitiu um último contato entre os dois.
Qual foi o momento mais marcante durante os esforços de resgate?
As primeiras horas após o sismo foram dramáticas, pois a falta de equipamentos adequados obrigou que os resgates fossem feitos manualmente. María Elena permaneceu ao lado de Enrique durante toda a noite, cumprindo a promessa de não abandoná-lo. O jovem resistiu até a tarde do dia seguinte, quando deu seu último suspiro na presença da mãe. Somente dias depois os corpos de Enrique, de seu irmão Ricardo e do pai, Wilson, foram recuperados para receberem um enterro cristão. Esse momento de despedida, apesar de doloroso, é visto por ela como uma graça de poder ter acompanhado o filho.
De que maneira a fé ajudou María Elena a processar o luto?
A trajetória de María Elena não foi isenta de crises; ela admite ter sentido raiva e questionado Deus sobre os motivos de ter sido poupada. No entanto, ela decidiu transformar sua dor em oferta religiosa pela alma de seus entes queridos. Atualmente, ela participa de grupos de oração e busca indulgências — que na tradição católica são formas de intercessão pela remissão das penas dos falecidos. Ela encara a felicidade como uma decisão pessoal e uma forma de honrar a memória da família, acreditando que eles gostariam de vê-la mantendo a alegria que sempre foi característica do seu lar.
O que a Igreja ensina sobre o sofrimento em tragédias como essa?
A visão cristã compartilhada por María Elena esclarece que Deus não deseja o sofrimento nem é o autor do mal, mas permite que tragédias ocorram dentro da liberdade do mundo. A dor adquire um novo sentido quando vivida em união com a figura de Cristo, despertando a solidariedade e a reflexão social. Para ela, o fardo torna-se mais leve ao confiar as dificuldades à Providência e à Virgem Maria. Ela afirma que, ao agradecer tanto pelas coisas boas quanto pelas ruins, as bênçãos se tornam visíveis, permitindo que ela cumpra sua missão terrena sem medo da morte.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.