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segunda-feira, abril 20, 2026

Crítica | Star Trek: Lower Decks (2024) – Vol. 3: Segundo Segundo Contato – Plano Crítico

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Por escolha de Mike McMahan, cada uma das cinco temporadas da infelizmente encerrada Star Trek: Lower Decks usou estrutura híbrida, em que episódios autocontidos continham elementos de uma história mais ampla sendo contada “por trás” que era então resolvida no último episódio. Quando, em 2024, a animação ganhou uma série mensal em quadrinhos pela IDW, depois de a editora testar as águas com uma minissérie de três edições dois anos antes, o roteirista Ryan North elegeu contar uma história completa a cada duas edições, sem uma narrativa maior de pano de fundo. Foi assim no primeiro encadernado Segundo Contato e também no segundo, Sinais Confusos, comandado por Tim Sheridan. No entanto, o mesmo Sheridan, que continuou no leme da HQ, decidiu mudar as coisas em Segundo Segundo Contato, voltando para a estrutura tradicional dos quadrinhos americanos, ou seja, contar uma história única ao longo de um arco de seis edições, marcando a primeira vez em que Lower Decks ganha uma “temporada pura”, por assim dizer.

E o que Sheridan faz é o que North conseguiu fazer diversas vezes a partir do momento que sua criação foi sedimentada: mostrar que Lower Decks é mais do que uma série que se apoia inteligentemente na mitologia da franquia Star Trek como um todo, conseguindo construir narrativas a partir de sua própria e bem particular mitologia. A premissa de Segundo Segundo Contato mostra exatamente isso, pois parte de Primeiro Primeiro Contato, último episódio da segunda temporada da série animada em que a tripulação da USS Cerritos faz primeiro contato (o primeiro da nave, já que ela é especializada em segundos contatos) com os laapeerianos, anfíbios humanoides inteligentes do planeta Laapeeria, como gatilho narrativo, com a nave voltando ao planeta para um segundo contato e descobrindo que toda sua população desapareceu. Visitando o planeta irmão vizinho, Laapoonia, para tentar descobrir com os laapoonianos o que teria acontecido com os laaperianos, a tripulação começa a envolver-se em um mistério intrigante que envolve uma nave invencível de aparência agressiva que consegue causar danos de monta na Cerritos.

Para contar essa história e sustentá-la ao longo das seis edições do arco, Sheridan se socorre da mitologia que ele mesmo introduziu no encadernado anterior, em que aprendemos mais sobre o passado da Capitã Carol Freeman, usando esses elementos para espertamente trazê-los a tempo presente. Da mesma forma, ele trabalha muito bem as características inerentes dos alferes, envolvendo Boimler e Rutherford com um robô que a dupla compra, mas que é normalmente usado para sexo, como Mariner deixa muito claro logo de imediato (e isso sem contar que eles pedem uma robô do sexo feminino, mas o que chega é a versão masculina), fazendo Boimler insistir em ser o líder da expedição para Laapoonia, o que é imediatamente negado por Jack Ransom, usando a obsessão pela perfeição de D’Vana Tendi contra ela ao fazê-la achar que a vulcana T’Lin está competindo com ela por atenção e, claro, elevando Mariner ao seu posto usual de uma particularmente eficiente guerreira. E tudo isso em meio a muito comicidade e referências à mitologia geral da franquia como um todo, como não poderia deixar.

A manutenção do “grande mistério” – que é bem bolado, admito – até o final exige que Sheridan leve sua história em direções mais tortuosas do que talvez fosse necessário, e o ritmo narrativo é frenético, mas ao mesmo tempo carregado de explicações e contextualizações que, ironicamente, a desaceleram um pouco e dão a sensação de que há muito barulho por nada no arco. Essa questão é amplificada pelo uso de basicamente todos os personagens da série e de humor insano, por vezes até bizarro, como são  as introduções e finalizações que nos apresentam à uma televisão contando as cenas dos capítulos anteriores e futuros sem realmente contar nada (propositalmente) e o uso de chistes internos como é o caso de T’Ana pregando uma peça em seus colegas oficiais sobre o calendário laapoonia. É, talvez, informação demais em um estilo por vezes bem maluquinho como uma versão Looney Tunes de Star Trek, que recheia a narrativa, mas ao mesmo tempo dá sensação de inchaço.

Na arte, Vernon Smith, que desenhou a segunda dupla de edições do encadernado anterior, retorna para tomar conta de todo o arco aqui, o que é uma ótima notícia, pois ele havia sido o único artista da HQ que conseguiu trazer traços mais autorais, fugindo um pouco da simples cópia da arte da animação. Dito e feito, ele novamente faz seu trabalho tentando imprimir seu estilo, mas sem exageros que descaracterizem aquilo que estamos acostumados a ver. Tudo funciona muito bem com sua arte consistente e eficiente, tanto na forma como sequências mais paradas são conduzidas, como nos momentos frenéticos de ação. Ele e Sheridan, portanto, conseguem entregar um arco de Lower Decks composto de seis edições que até pode por vezes cansar o leitor por excessos aqui e ali, mas que funciona muito bem como mais uma temporada de uma série que deveria ter continuado indefinidamente na telinha.

Star Trek: Lower Decks (2024) – Vol. 3: Segundo Segundo Contato (Star Trek: Lower Decks (2024) – Vol. 3: Second Second Contact – EUA, 2025)
Contendo: Star Trek: Lowers Decks (2024) #13 a 18
Roteiro: Tim Sheridan
Arte: Vernon Smith
Cores: Charlie Kirchoff
Letras: Clayton Cowles
Editoria: Cassandra Jones, Heather Antos
Editora: IDW Publishing
Datas originais de publicação: 12 de novembro e 10 de dezembro de 2025; 14 de janeiro, 11 de fevereiro, 11 de março e 08 de abril de 2026
Páginas: 136



[Fonte Original]

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