Depois de iniciar a manhã no campo positivo e subir até os 198.666 pontos, o Ibovespa virou para o negativo – movimento que se manteve até o fim do dia, ao encerrar com perda de 0,55%, aos 195.734 pontos. Pela manhã, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, publicou, em suas rede sociais, que a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz foi “declarada completamente aberta pelo restante do período de cessar-fogo”. A notícia alimentou uma forte queda nos preços de petróleo, o que trouxe alívio ao mercado local.
Minutos depois, porém, falas do presidente americano, Donald Trump, de que o bloqueio naval no Irã permanecerá em vigor fizeram o Ibovespa se afastar das máximas do dia. Mais tarde, novas declarações de Trump de que os EUA e o Irã estão removendo as minas do estreito e que o Irã concordou em “nunca mais fechar Ormuz” ajudaram a ampliar as perdas do petróleo, o que afetou em cheio a Petrobras.
Embora tenha renovado máximas históricas de fechamento nas primeiras sessões desta semana, a correção registrada pelo Ibovespa desde quarta-feira (15) fez a principal referência acionária local encerrar com queda de 0,81% na semana.
Hoje, o tombo das ações da Petrobras ajudou a ampliar as perdas do índice, em um pregão em que as demais blue chips também não ofereceram suporte expressivo para uma virada do Ibovespa. No fim, as PN da Petrobras cederam 4,86%, ao passo que as ON recuaram 5,31%.
Para o especialista em inteligência de mercado da Stonex, Bruno Cordeiro, o anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz é positivo, mas é natural observar, em um primeiro momento, maior cautela das companhias marítimas na alocação de seus ativos, especialmente no trânsito pelo local.
“Diante desse cenário, o mercado passa a monitorar dois pontos principais: o volume de navios transitando pelo Estreito nos próximos dias e o avanço das negociações diplomáticas entre Teerã e Washington ao longo da próxima semana. A reabertura da via pode sinalizar uma reaproximação mais consistente entre os dois países, com potencial de evolução para uma solução mais duradoura”, afirma o profissional.
Em virtude do forte recuo nos preços de petróleo, outras ações de petroleiras também apresentaram queda expressiva, caso de Brava (-6,28%) e de PetroReconcavo, que cedeu 4,12%. Segundo cálculos feitos pelo VALOR DATA, o Ibovespa teria subido 0,20% sem o recuo significativo de petrolíferas no pregão de hoje.
Na ponta contrária, bancos fecharam majoritariamente no azul, com destaque para os papéis preferenciais do Bradesco, que subiram 1,97%. Após apresentar números de produção e vendas considerados “robustos” por analistas, a Vale também encerrou o pregão em alta de 2,64%.
Enquanto ações relacionadas a empresas de commodities cederam, com destaque para petroleiras, papéis cíclicos domésticos apresentaram alta firme no pregão. Segundo participantes do mercado, o movimento parece ter refletido uma rotação interna na bolsa brasileira, com investidores reduzindo a exposição a commodities e a temas globais, para ampliar posições em empresas mais ligadas à economia doméstica, em uma sessão de forte recuo dos juros futuros.
Entre as maiores altas ficaram as ações da Vamos e da Direcional, com ganhos de 6,27% e 4,48%. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa hoje foi expressivo e chegou a R$ 31,1 bilhões, alcançando R$ 41,7 bilhões na B3.
O movimento local ocorreu na contramão dos principais índices americanos, que subiram. Por lá, o Dow Jones teve alta de 1,79%; o Nasdaq subiu 1,52%; e o S&P 500 ganhou 1,20%.