A Exxon Mobil superou nesta sexta-feira as estimativas para o lucro ajustado do primeiro trimestre, embora o lucro não ajustado tenha caído ao menor nível em cinco anos devido a embarques interrompidos pela guerra entre EUA e Israel contra o Irã, além de um grande impacto negativo relacionado a efeitos temporais de derivativos financeiros.
O lucro ajustado nos três primeiros meses do ano foi de US$ 1,16 por ação, acima da estimativa consensual de US$ 1,00 compilada pela LSEG. O valor ajustado excluiu uma perda de US$ 700 milhões referente a cargas que não puderam ser entregues por causa da guerra.
Excluindo também o impacto dos derivativos financeiros, o lucro foi de US$ 2,09 por ação. O lucro líquido no primeiro trimestre foi de US$ 4,2 bilhões, abaixo dos US$ 7,7 bilhões no mesmo período de 2025, e o menor desde o primeiro trimestre de 2021.
A produtora americana de petróleo foi beneficiada pelos preços mais altos do petróleo e pelo aumento da produção em seus principais ativos na Bacia do Permiano e na Guiana, o que ajudou a compensar interrupções na produção no Oriente Médio.
Em comunicado, o CEO da Exxon, Darren Woods, disse que a empresa está mais forte do que há alguns anos, mas que “os acontecimentos no Oriente Médio testaram essa força, com a segurança de nossas pessoas permanecendo como prioridade máxima”.
O conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo desde o fim de fevereiro, mas o efeito sobre os lucros das grandes petroleiras tem sido desigual.
A Exxon já havia divulgado anteriormente um impacto de vários bilhões de dólares decorrente desses efeitos temporais, que espera reverter nos próximos trimestres, em contraste com a britânica BP, que nesta semana reportou lucros maiores impulsionados por suas operações de trading de petróleo.
A Exxon usa derivativos financeiros para reduzir o risco de variações de preço durante o período necessário para entregar cargas aos clientes. O valor físico da remessa não é refletido no lucro até que a transação seja concluída, criando esse efeito temporal, afirmou a empresa.
“Em geral, leva alguns meses para isso se reverter”, disse o diretor financeiro da Exxon, Neil Hansen, em entrevista, acrescentando que é difícil prever novos impactos temporais no futuro, pois isso depende de como os preços das commodities irão variar.
Impacto no Oriente Médio
Hansen disse que o negócio principal permaneceu resiliente e que, excluindo todos os efeitos temporais e cargas não entregues, o lucro líquido cresceu em comparação ao ano anterior.
Cerca de 20% da produção de petróleo e gás da Exxon está localizada no Oriente Médio, uma das maiores exposições entre concorrentes como a Chevron, segunda maior produtora de petróleo dos EUA, que informou nesta sexta-feira que menos de 5% de sua produção vem da região.
As interrupções causadas pela guerra reduziram a produção do primeiro trimestre em 6% em comparação com os três meses anteriores, informou a Exxon em documento regulatório divulgado no início deste mês.
Durante uma teleconferência com analistas ainda nesta sexta-feira, executivos provavelmente receberão perguntas sobre o cronograma de reparo de ativos danificados no Oriente Médio, região que também representa grande parte do portfólio de gás natural liquefeito da Exxon.
A petroleira possui participações em duas instalações de gás natural liquefeito no Catar que foram atingidas por ataques iranianos.
Os ativos de exploração e produção mais importantes da Exxon são a Bacia do Permiano e a produção offshore na Guiana. Hansen disse que a produção na Guiana atingiu novo recorde e que a empresa continua expandindo no Permiano.
O fluxo de caixa livre da Exxon foi de US$ 2,7 bilhões no primeiro trimestre, abaixo dos US$ 8,8 bilhões no mesmo período do ano anterior. A empresa pagou US$ 4,3 bilhões em dividendos e recomprou US$ 4,9 bilhões em ações no primeiro trimestre.
Os investimentos em capital em caixa totalizaram US$ 6,2 bilhões, em linha com a projeção anual da companhia.