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segunda-feira, maio 4, 2026

A Nova Era da Berkshire Hathaway Começa com Caixa Recorde de US$ 398 Bi e Alerta de Warren Buffett

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Greg está fazendo tudo o que eu fiz — e mais um pouco“, afirmou Warren Buffett na reunião anual de 2026. O encontro anual da Berkshire Hathaway, foi realizado no sábado, 2 de maio. O evento marcou uma transição de liderança, com Greg Abel assumindo como CEO e conduzindo a reunião pela primeira vez.

O público foi menor, mas ainda assim um número expressivo de investidores viajou até Omaha. Warren Buffett manteve o cargo de chairman, mas ficou sentado junto aos membros do conselho, em vez de estar no palco. Ele falou brevemente no início da reunião e participou de uma entrevista curta com Becky Quick, da CNBC, durante o intervalo entre as sessões de perguntas e respostas.

Greg Abel e Ajit Jain (vice-presidente das operações de seguros) responderam às perguntas na primeira sessão. Na segunda, Abel foi acompanhado por Katie Farmer (CEO da BNSF Railway) e Adam Johnson (CEO da NetJets e presidente da divisão de produtos de consumo, serviços e varejo).

Como esperado, houve maior foco no desempenho dos diversos negócios da Berkshire nesta reunião. Abel iniciou o encontro com uma revisão detalhada das operações e uma avaliação de resultados.

Resultados do trimestre

Abel abriu a parte operacional discutindo os resultados do primeiro trimestre. Ele destacou que os lucros do segmento de seguros foram impactados por perdas com incêndios florestais no primeiro trimestre de 2025, de modo que a ausência de eventos catastróficos relevantes até agora em 2026 contribuiu positivamente para os resultados.

O lucro operacional cresceu 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. Buffett já afirmou anteriormente que esse indicador é a forma “mais representativa” de avaliar a Berkshire, pois elimina a volatilidade de curto prazo das oscilações de mercado presente no lucro líquido.

Outras receitas também avançaram, principalmente devido à contabilização das variações cambiais. Excluindo esses efeitos, o lucro operacional apresentou alta de 7%.

Historicamente, a Berkshire não divulga projeções de resultados, e Abel manteve essa postura. Ele afirmou que o segmento de seguros está passando por uma fase de maior concorrência, com mais capital entrando na indústria. Além disso, houve menção a pressões de preços relacionadas ao conflito com o Irã, que elevou o preço do petróleo.

Embora os resultados do primeiro trimestre tenham superado moderadamente as expectativas e possam melhorar as projeções para 2026, fatores adversos devem limitar o crescimento do lucro operacional anual a níveis baixos, possivelmente na casa de um dígito.

Alocação de capital: a montanha de caixa

A Berkshire vendeu, em termos líquidos, quase US$ 8,2 bilhões (R$ 40,84 bilhões) em ações negociadas em bolsa, marcando o 14º trimestre consecutivo de redução dessa carteira. Mais detalhes serão divulgados no formulário 13F previsto para 15 de maio.

Com vendas de ações e geração de caixa, a reserva da empresa ultrapassou US$ 397 bilhões (R$ 1,98 trilhão). Trata-se de um recorde tanto em termos absolutos quanto em relação ao tamanho da companhia.

Abel explicou que, embora o valor oficial seja de US$ 397,4 bilhões (R$ 1,98 trilhão), é necessário considerar um passivo de US$ 17,2 bilhões (R$ 85,66 bilhões) referente a uma operação com títulos do Tesouro ainda não liquidada ao fim do trimestre. O caixa ajustado, portanto, seria de US$ 380,2 bilhões (R$ 1,89 trilhão) — uma diferença pouco relevante nesse nível.

As ações da Berkshire ficaram baratas o suficiente no primeiro trimestre para justificar recompras de US$ 235 milhões (R$ 1,17 bilhão). Embora modesto frente ao volume de caixa, o movimento é positivo por contribuir para o aumento do valor intrínseco e do lucro por ação.

Dada a trajetória de Abel como operador, surgiram algumas perguntas sobre sua capacidade de alocação de capital. Ele apresentou um modelo em linha com a filosofia de Buffett: compreender o negócio e seus riscos, avaliar sua economia futura, contar com uma gestão competente e íntegra e, por fim, investir apenas a preços que ofereçam margem de segurança. Ele não descartou investimentos em tecnologia, desde que esses critérios sejam atendidos.

Buffett comentou o elevado nível de caixa durante sua entrevista, afirmando que há poucas oportunidades que atendam aos critérios da Berkshire. “Os preços de muitas coisas parecem simplesmente absurdos”, disse.

Excelência operacional

Se houve um tema dominante no encontro, foi “excelência operacional”. Buffett e o falecido Charlie Munger geraram retornos expressivos por meio da alocação de capital, dedicando menos tempo à gestão direta. Abel, por outro lado, valoriza sua experiência operacional e vê nessa área uma oportunidade adicional de geração de valor.

Ele apresentou métricas concretas de desempenho e comparações com concorrentes para avaliar a eficiência das operações. Buffett já havia apontado que a BNSF estava abaixo do esperado, e Abel reforçou essa visão com dados: a empresa ocupava a quinta posição entre seis ferrovias em termos de margem operacional. A boa notícia é que houve evolução, com a companhia subindo para a quarta posição no primeiro trimestre.

Para impulsionar melhorias contínuas, Abel destacou a transformação tecnológica em curso na Berkshire. Segundo ele, a empresa está deixando de ser apenas compradora de tecnologia para se tornar desenvolvedora de soluções próprias. Também ressaltou o uso de inteligência artificial restrita (IA) para aumentar a produtividade e aprimorar a tomada de decisão.

O legado continua

A Berkshire adotou como tema da reunião deste ano “O legado continua”. Como em toda transição de liderança, a preocupação central é a perenidade do negócio. Abel, com breves comentários de Buffett, reforçou a ideia de que a companhia tem bases sólidas para continuar relevante no longo prazo.

Há argumentos convincentes de que Abel é o líder adequado para este momento. Buffett e Munger transformaram uma empresa têxtil, antes destinada ao fracasso, na nona maior companhia do S&P 500.

Agora, o tamanho alcançado abre espaço para um gestor com forte perfil operacional gerar valor adicional enquanto aguarda novas oportunidades de aquisição.

É improvável que a Berkshire volte a crescer no mesmo ritmo de antes, devido à sua escala. Ainda assim, o balanço robusto e a avaliação razoável tendem a oferecer uma relação risco-retorno atrativa para investidores conservadores.

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

[Fonte Original]

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