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As Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram ter realizado novos ataques no sul do Irã, atingindo bases de mísseis iranianas e embarcações que tentavam instalar minas marítimas.
Em comunicado divulgado na noite desta segunda-feira (25/5), o Comando Central dos EUA (CETCOM) informou que as ações foram conduzidas em “legítima defesa” e tinham como objetivo “proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”.
Um porta-voz do órgão afirmou que os militares americanos “continuam defendendo suas forças, ao mesmo tempo em que atuam com contenção durante o cessar-fogo em andamento”.
Os ataques acontecem horas após o Irã dizer que houve avanços nas negociações com os EUA, embora um acordo para encerrar o conflito “não esteja próximo”.
Até agora, não houve reação oficial do governo iraniano. No entanto, a imprensa estatal do país informou anteriormente que autoridades locais investigavam explosões ouvidas em Bandar Abbas, cidade localizada no Estreito de Ormuz.
Ainda não está claro qual será o impacto dos novos ataques americanos sobre um possível acordo de paz entre Washington e Teerã.
EUA e Irã mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril. As forças iranianas seguem controlando a navegação no Golfo por meio do Estreito de Ormuz, enquanto a Marinha americana busca bloquear portos iranianos..
No fim de semana, o presidente Donald Trump sugeriu que os países estavam perto de um acordo, mas depois disse disse que que havia instruído os negociadores a “não se apressarem em fazer um acordo”.

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Durante a manhã, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que negociadores americanos e iranianos têm “uma proposta bastante sólida sobre a mesa” e que um acordo entre os dois países poderá ser alcançado ainda nesta segunda-feira.
“Ainda estamos trabalhando”, disse Rubio durante uma visita à Índia.
Contudo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, afirmou que “ninguém pode fazer esse tipo de afirmação”.
“É correto dizer que chegamos a uma conclusão sobre grande parte das questões em discussão. Mas afirmar que isso significa que a assinatura de um acordo é iminente — ninguém pode fazer tal afirmação.”
Apesar de autoridades dos dois lados minimizarem a possibilidade de um avanço decisivo, o principal negociador iraniano e o ministro das Relações Exteriores do país estiveram em Doha para conversas com o primeiro-ministro do Catar sobre um possível acordo com os EUA, segundo a Reuters.
O acordo supostamente envolve uma extensão de 60 dias do cessar-fogo, a reabertura do estreito de Ormuz e um plano para novas negociações sobre o programa nuclear do Irã.
Nesta segunda-feira, os preços do petróleo caíram fortemente e as bolsas de valores na Ásia subiram, diante de expectativas de que um acordo seja firmado.
No entanto, o Irã negou que um acordo seja iminente.
“É correto dizer que chegamos a uma conclusão sobre grande parte das questões em discussão”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, em coletiva de imprensa em Teerã nesta segunda-feira.
“Mas dizer que isso significa que a assinatura de um acordo é iminente… ninguém pode fazer tal afirmação.”
Baghaei disse que o Irã continuará controlando o tráfego pelo estreito de Ormuz cobrando taxas de serviço.
“Os serviços prestados — serviços de navegação, além das medidas necessárias para proteger o meio ambiente do estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Mar de Omã — exigem a cobrança de certas taxas”, disse.
Críticas de republicanos
Horas antes, o secretário de Estado dos EUA havia sugerido que os dois países estavam próximos de um acordo.
“Ainda estamos trabalhando. Como eu disse, achávamos que poderíamos ter algumas novidades ontem à noite. Talvez hoje”, disse Rubio na segunda-feira na capital indiana.
“Temos o que eu acho que é uma proposta bastante sólida em relação à capacidade [dos iranianos] de abrir o estreito”, disse ele, referindo-se ao estreito de Ormuz — por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo e que está bloqueado pelo Irã.
Mas Rubio também alertou que não se deve “tirar muitas conclusões” das negociações ainda e que “leva um pouco de tempo para se obter uma resposta do Irã”.
A CBS News informou que a inteligência dos EUA acredita que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei — que foi ferido em um ataque israelense que matou seu pai e antecessor no primeiro dia da guerra — está escondido em um local não revelado, dificultando a comunicação com seus enviados e, portanto, atrasando o ritmo das negociações com os EUA.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse no fim de semana que os dois lados estavam “muito próximos e muito distantes” de chegar a um acordo.
De acordo com a imprensa dos EUA, o acordo em discussão não é um acerto final e deixa algumas das questões mais espinhosas para serem negociadas posteriormente — incluindo o escopo e o momento do alívio das sanções iranianas, a liberação de fundos iranianos congelados e as exigências de Washington para que o Irã restrinja suas ambições nucleares.

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O acordo proposto dividiu os republicanos — alguns criticaram que ele seria leniente demais com o Irã.
O senador Ted Cruz disse que um acordo nesses moldes seria “um erro desastroso”, enquanto Roger Wicker, que preside o Comitê de Serviços Armados do Senado, afirmou que um cessar-fogo de 60 dias significaria que “tudo o que foi alcançado pela Operação Epic Fury teria sido em vão!”
O senador Lindsey Graham, que é aliado próximo de Trump, também criticou qualquer acordo que deixe o Irã como uma força dominante na região.
“Isso nos faz pensar por que a guerra começou”, disse ele.
Trump respondeu dizendo que não “dá ouvidos a perdedores, que criticam algo sobre o qual não sabem nada”.
“Se eu fizer um acordo com o Irã, será bom e adequado”, escreveu ele no Truth Social.
No entanto, mesmo na melhor das hipóteses, é improvável que os efeitos de um acordo sejam vistos imediatamente.
O setor de transporte marítimo pode precisar de meses para conseguir voltar às cadeias de suprimentos, disse Lars Jensen, executivo-chefe da empresa Vespucci Maritime.
Mesmo que um acordo entre o Irã e os EUA seja anunciado nos próximos dias, o setor ainda permaneceria “cauteloso e hesitante” em realizar quaisquer “grandes mudanças operacionais”, explicou Jensen.
Os EUA e Israel lançaram ataques de grande escala contra o Irã em 28 de fevereiro, provocando conflitos em todo o Oriente Médio. O Irã respondeu atacando Israel e os aliados dos EUA no Golfo e fechou o estreito de Ormuz. A mudança fez com que os preços do petróleo subissem globalmente.
Logo após o acordo de cessar-fogo no início de abril, os EUA estabeleceram um bloqueio aos portos iranianos, que, segundo Trump, permanecerão “em pleno vigor até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”.
No post de domingo no Truth Social, Trump reiterou que o Irã “precisa entender” que não pode desenvolver uma arma nuclear. Teerã disse em diversas ocasiões que seu programa nuclear é exclusivamente para fins pacíficos.
Alguns relatos na imprensa dos EUA sugerem que o acordo poderia prever que o Irã concorde em eventualmente entregar seu urânio altamente enriquecido.
No início da guerra, acredita-se que o Irã tinha cerca de 440 kg de urânio enriquecido com até 60% de pureza — a um pequeno passo de chegar a 90%, o que teoricamente poderia permitir a criação de uma bomba nuclear.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse à TV estatal que o país está pronto “para garantir ao mundo que não estamos atrás de uma arma nuclear”.
Israel amplia ataques no Líbano
Também nesta segunda, o exército israelense afirmou ter iniciado uma nova onda de ataques em diferentes regiões do Líbano após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciar que Israel intensificará sua ofensiva contra o Hezbollah.
Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), os ataques atingiram posições do Hezbollah no Vale do Bekaa, no leste do Líbano, além de outras áreas do país.
A ofensiva ocorreu após um pronunciamento em vídeo de Netanyahu, no qual o premiê afirmou que Israel está ‘em guerra com o Hezbollah’ e disse ter ordenado aos militares um ‘golpe devastador’ contra o grupo.
No início deste mês, Líbano e Israel concordaram em estender por 45 dias o cessar-fogo, embora confrontos esporádicos tenham continuado.
Em Beirute, cresce o temor de que os ataques israelenses passem a atingir também a capital libanesa.
Netanyahu afirmou ainda que a ofensiva israelense contra o Hezbollah já “eliminou mais de 600 terroristas”.
“Mas o que isso exige de nós agora é aumentar os ataques, aumentar a intensidade”, declarou.
Desde a assinatura do cessar-fogo, em 16 de abril, os ataques israelenses têm se concentrado principalmente no sul do Líbano, onde tropas de Israel seguem posicionadas e de onde, segundo o governo israelense, drones e foguetes foram lançados.