19.3 C
Brasília
quinta-feira, junho 11, 2026

Dólar à vista tem leve recuo com cautela de investidor e exterior adverso

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

O dólar à vista exibiu leve desvalorização frente ao real, perto da estabilidade, em dia em que a divisa americana exibiu volatilidade elevada no exterior, sem uma direção bem definida entre os mercados mais líquidos acompanhados pelo Valor. Apesar de dados de inflação nos Estados Unidos em sua maioria em linha com as projeções dos agentes financeiros, o real e outros pares emergentes seguiram sem conseguir buscar recuperação consistente das perdas recentes.

No caso específico do Brasil, operadores entendem que o real vinha se beneficiando nos últimos meses pelo cenário externo favorável, e agora, com uma mudança na direção dos ventos de fora e com a proximidade das eleições locais, a divisa fica mais apática.

Encerradas as negociações desta quarta-feira, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,10%, a R$ 5,1721, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,1590 e encostado na máxima de R$ 5,1975. Já o euro comercial depreciou 0,10%, a R$ 5,9690. Perto das 17h10, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,12%, aos 100,030 pontos.

O dólar abriu a sessão em alta leve, que se manteve até a divulgação de dados de inflação dos Estados Unidos, relativos ao mês de maio. Os números dos preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) vieram em linha com o esperado pelos agentes do mercado, não alterando as precificações do mercado sobre o ciclo de juros nos Estados Unidos. Após a apresentação dos dados, o dólar passou a perder força globalmente, inclusive frente ao real. O movimento, porém, não se sustentou por aqui, e o dólar passou a rondar a estabilidade, com viés de alta na maior parte da manhã.

Estrategistas do banco BBVA lembram, em nota, que as moedas de mercados emergentes e da América Latina continuam bastante dependentes do apetite global por risco, das mudanças nas expectativas em relação ao Oriente Médio, dos preços das commodities e dos rendimentos dos títulos públicos. Os profissionais apontam que a expectativa de resultados considerados mais favoráveis ao mercado nas eleições do Peru e da Colômbia levou o sol peruano e o peso colombiano de volta aos níveis mais fortes em vários anos. “Isso cria um precedente para o real e para a volatilidade que pode surgir às vésperas das eleições de outubro no Brasil, dado que o resultado para a moeda tende a ser binário.”

Em relatório econômico de junho, o PicPay aponta que a instabilidade no cenário internacional se fez sentir no mercado de câmbio brasileiro pela primeira vez desde que o real entrou em processo de apreciação frente ao dólar, ainda no início do ano. “A maior instabilidade do influxo de investimento estrangeiro no mercado de câmbio via esfera financeira, algo que até então vinha sendo sentido essencialmente no mercado de juros, foi a principal responsável por proporcionar leve desaceleração da cotação da moeda doméstica no decorrer das últimas semanas, com o real encontrando nova faixa de suporte”, afirmam os economistas Ariane Benedito e Matheus Pizzani.

Os profissionais afirmam que o movimento recente não se deu em função de um único motivo, sendo resultado da conjunção de diferentes fatores de ordem conjuntural combinados. “Dentre estes fatores, destaque para a saída de investidores estrangeiros da bolsa local, revertendo o intenso movimento de entrada observado nos primeiros meses do ano em um momento em que o mercado revê suas principais teses e volta a apostar no mercado de tecnologia como principal motor de crescimento e geração de dividendos em nível global”, dizem.

Eles também afirmam que tem ocorrido uma drenagem de recursos por parte do mercado de títulos americanos, “mais especificamente no caso dos títulos soberanos de longo prazo, que novamente têm sido buscados por investidores em nível global em meio ao ambiente de forte incerteza e perspectiva de mudanças na rota da política monetária de economias desenvolvidas e dos players emergentes”.

Apesar da perda de fôlego no curto prazo, os economistas dizem não ver inflexão na trajetória prevista para o real. “Uma vez estabilizado o fluxo de saídas, a perspectiva para os próximos meses segue majoritariamente positiva para a moeda doméstica, que deve seguir significativamente beneficiada pela entrada de divisas via esfera comercial, com o saldo da balança comercial potencializado pelas exportações de petróleo sendo o principal vetor de alta deste processo.”

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img