A SK Hynix, da Coreia do Sul, triplicará sua capacidade de produção de wafers (placas de silício) até 2034 para atender à demanda por seus chips de memória, essenciais para computação de inteligência artificial, afirmou o presidente do conselho do Grupo SK, Chey Tae-won, em entrevista exclusiva ao “Nikkei Asia” nesta quarta-feira.
“Como estamos prosseguindo com o plano de expansão ao máximo, nossos cálculos mostram que nossa capacidade de produção de wafers dobrará em cinco anos. Mas, honestamente, quando todas essas instalações estiverem construídas, não apenas dobrará, como triplicará por volta de 2034”, disse Chey à margem do fórum “Nikkei Future of Asia”, em Tóquio. “Já há quem diga que mesmo isso não será suficiente.”
Seus comentários vêm apenas uma semana depois de ele revelar os planos da fabricante de chips de dobrar a capacidade de produção nos próximos cinco anos, durante sua participação na feira de tecnologia Computex, em Taipei (Taiwan).
A SK Hynix está construindo quatro fábricas de chips em Yongin, Coreia do Sul, com a primeira fase prevista para ser concluída no início do próximo ano.
A construção estava inicialmente prevista para se estender até 2045, mas Chey afirmou que a empresa antecipou o cronograma em cerca de 10 anos. “Atualmente, não há como acelerar o processo”, disse ele.
A SK Hynix é a principal produtora mundial de chips DRAM e de memória de alta largura de banda (HBM), fornecendo-os para a Nvidia e outras grandes empresas de tecnologia. Os chips HBM, em particular, são essenciais para garantir o funcionamento eficiente das plataformas de processadores de inteligência artificial da Nvidia.
Após a conclusão das fábricas planejadas em seu país de origem, o presidente afirmou que a SK Hynix considerará a construção de unidades adicionais no exterior, inclusive no Japão, onde toda a infraestrutura necessária — energia suficiente, água potável, engenheiros qualificados e fornecedores de produtos químicos — já está disponível.
“É, de fato, um excelente candidato para nós. Considerando as opções fora da Coreia, acreditamos que seja um candidato mais do que adequado”, disse ele sobre o Japão. “Só podemos operar a fábrica se houver um ecossistema em funcionamento para fornecer todos os materiais e produtos químicos necessários. Não dá para simplesmente chegar a um lugar onde não há nada e construir uma fábrica.”
O Japão abriga muitas empresas de equipamentos e materiais para a indústria de semicondutores, incluindo a Tokyo Electron, uma fabricante líder de ferramentas para chips, e a JSR, que produz materiais essenciais para litografia.
O presidente, que lidera o segundo maior conglomerado da Coreia do Sul há quase três décadas, disse estar confiante na demanda contínua por infraestrutura de inteligência artificial no futuro e em investimentos em larga escala no setor. “O número de pessoas tentando entrar no mercado de infraestrutura de inteligência artificial só vai crescer”, disse Chey, argumentando que o mercado de evoluirá da adoção corporativa para o uso individual por meio de serviços de inteligência artificial autônomos.
No entanto, ele reconheceu que a volatilidade do mercado de ações provavelmente continuará por algum tempo.
A capitalização de mercado da SK Hynix triplicou este ano, tornando-a a terceira empresa asiática a entrar para o clube do US$ 1 trilhão no mês passado, depois da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) e da Samsung Electronics. “O mercado de ações sempre ultrapassa os limites, e quando cai, cai drasticamente”, disse ele. “Francamente, o mercado não está estável agora. Está em um estado muito instável, e há uma boa chance de que continue a se mover dessa forma.”
O preço das ações da SK Hynix tem oscilado bastante ultimamente: despencou 7,5% na quarta-feira, depois de subir mais de 15% no dia anterior. O índice de referência Kospi, no qual a SK Hynix e a Samsung têm uma influência desproporcional, também seguiu a tendência, caindo 4,5% na quarta-feira, após subir 8,2% no dia anterior.
Chey, que também preside a Câmara de Comércio da Coreia do Sul, sugeriu a criação de uma “comunidade econômica” que una as economias do Japão e da Coreia do Sul para sobreviver em um mundo em transformação, onde as duas maiores economias — as dos Estados Unidos e da China — estão crescendo mais rapidamente do que elas.
“Acredito que chegamos a um ponto crítico em que os dois países não têm outra escolha senão unir forças”, disse ele. “Estamos agora enfrentando uma situação de emergência completamente diferente de tudo o que já vivenciamos.”