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domingo, maio 3, 2026

Prefeitura rompe acordo com Teatro de Contêiner e inviabiliza transferência para novo terreno – Revista Cult

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Quase um ano após a ordem de despejo da Prefeitura de São Paulo contra o Teatro de Contêiner, emitida em junho de 2025, a situação do espaço de encenação, localizado no centro da cidade, volta à cena com um novo ato de incerteza sobre o futuro da companhia.

Após episódios de violência que visavam retirar o teatro de seu terreno na rua dos Gusmões, como a Cult noticiou em agosto de 2025, quando a GCM invadiu o espaço ocupado pela Cia. Mungunzá, os atores e profissionais que compõem o grupo conseguiram um acordo com a prefeitura para a realocação das instalações do teatro para outro espaço — na rua Helvétia.

No entanto, após meses sem mais respostas da gestão municipal, a Cia. Mungunzá foi notificada indiretamente de que a prefeitura “informou não ter interesse em manter a oferta” do terreno, como diz a nota obtida pelo portal Metrópolis. Quem narra à Cult a atual situação do Teatro de Contêiner é o ator e produtor da companhia, Marcos Felipe.

“Eles haviam nos oferecido três terrenos, que não se adequavam à prática teatral e não dialogavam com a arquitetura e territorialidade do teatro. Oferecemos, então, uma alternativa, na rua Helvétia, que inicialmente foi negada, mas foi aceita após a pressão da sociedade civil.”

“No início das negociações, informamos à prefeitura que não tínhamos dinheiro para bancar a transferência do teatro — orçada em R$ 2 milhões. Conseguimos verba por meio de uma emenda parlamentar do vereador Celso Giannazi e chegamos a comunicar à prefeitura que faríamos um empréstimo no banco para custear a reinstalação, mas a essa altura já não tínhamos resposta da prefeitura.”

“Após da notícia de que a prefeitura não tem intenção de cumprir o acordo, avaliamos que eles apenas cederam essa alternativa para abafar a pressão social, depois deixaram o assunto decantar para não cumprirem o combinado.”

“Somos uma companhia de teatro de aproximadamente 20 pessoas incrédulas, vivendo à base de remédios — completamente adoecidos e entristecidos por tamanha violência e brutalidade da prefeitura de São Paulo. Não entendemos por que, depois de 18 anos de trabalhos — muitos deles promovidos, inclusive, em parceria com a prefeitura —, estamos sendo tratados dessa forma.”

“Em janeiro deste ano, em um gesto de violência, eles lacraram o teatro, desmontaram e destruíram tudo sem nenhuma comunicação. Ficamos nos perguntando por que não realocaram os contêineres para o novo terreno, mas não tivemos nenhuma resposta.”

“Temos um acordo. Agora depositamos todas as nossas esperanças no Poder Judiciário para que se faça o mínimo de justiça diante desse caso. Mesmo após artistas e a sociedade civil se organizarem e falarem sobre a importância do teatro, meia dúzia de gestores públicos desrespeitam de forma violenta os combinados e o que a sociedade quer.”

“A nós, causa imenso espanto ver um secretário de Cultura que afirma ter um histórico de luta não conseguir mediar essa situação e apenas observar o desmantelamento de políticas públicas para a cultura e a demolição dos teatros da cidade. Os megaeventos estão entrando no lugar das políticas estruturantes de cultura.”



[Fonte Original]

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