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quarta-feira, abril 22, 2026

“O Brasil É o Próximo Grande Mercado”, Diz CEO da Royal Enfield, a Moto Indiana Que Virou Fenômeno no País

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A Royal Enfield deixou de olhar o Brasil como mercado de teste e passou a tratá-lo como prioridade de expansão. A mudança de escala ficou evidente na visita de B. Govindarajan, CEO global da marca, ao país, no começo de abril, ao lado de todo o board da empresa – a primeira vez em que isso ocorreu, em um movimento que ajuda a medir o peso do Brasil na estratégia da fabricante.

Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, Govindarajan resumiu esse novo momento em uma frase direta: “O Brasil é o próximo grande mercado da Royal Enfield fora da Índia.” A declaração vem acompanhada de números. Fundada em 1901, na Inglaterra, a Royal Enfield chegou ao Brasil em 2017, mas foi sobretudo nos últimos três anos que acelerou um plano de expansão apoiado em novos modelos, aumento da rede e ampliação da produção local. “Triplicamos nosso volume no Brasil em três anos”, disse o executivo.

O mercado também ajudou. Segundo a Fenabrave, os emplacamentos de motos no Brasil cresceram 17,13% em 2025, para 2.197.308 unidades, ante 1.875.890 em 2024. No mesmo período, o mercado de carros, por exemplo, cresceu 2,58%. Nesse cenário, a Royal Enfield fechou 2025 como a sexta marca no ranking geral, com 31.077 motos vendidas. O dado ganha peso extra quando comparado à projeção inicial da empresa. “A projeção inicial era chegar a 25 mil motos em dois ou três anos”, afirmou Govindarajan.

O Brasil no centro do plano

Para o CEO que pilota todos os finais de semana, a discussão interna na empresa já mudou de patamar. “O conselho hoje não pergunta mais se o Brasil vai crescer, mas qual é o próximo plano de crescimento para o país.” A leitura da companhia se apoia no desempenho recente e na receptividade do mercado local. “O Brasil abraça novidades e produtos premium com preço acessível – e é por isso que estamos investindo aqui”, disse.

DivulgaçãoSuper Meteor 650: um dos principais lançamentos da Royal Enfield

A marca se define fora da lógica de preço puro. “Não somos uma marca cara nem de entrada; somos uma marca de valor, com motos premium em um preço acessível”, afirmou Govindarajan. Na avaliação dele, esse posicionamento ajuda a explicar a resposta brasileira. “Não vendemos apenas motocicletas; vendemos um estilo de vida”, disse.

Hoje, todas as motos da Royal Enfield vendidas no país são montadas na Zona Franca de Manaus, no regime CKD (Completely Knocked-Down), com componentes vindos da Índia. Mas a operação local já entrou em outra fase. “Pelo ritmo de crescimento no Brasil, decidimos avançar para uma fábrica própria”, afirmou o executivo. Em outra resposta, reforçou a lógica do movimento: “Queremos controlar nosso próprio destino em logística e manufatura no Brasil.”

Rede, modelos e crescimento

A expansão também passa pela rede comercial. A Royal Enfield já soma 60 concessionárias distribuídas nas cinco regiões do Brasil. O avanço do portfólio ajuda a sustentar esse crescimento. Em 2025, na categoria custom, onde a marca mais se destaca, cinco das dez motos mais vendidas foram da Royal Enfield, segundo a Fenabrave. A liderança desse recorte ficou com a Hunter 350, que vendeu 7.293 unidades no ano.

Outro destaque de 2025 foi a Himalayan 450, lançada em abril. Mesmo chegando com três meses de atraso em relação ao calendário cheio, a trail fechou o ano com 6.732 unidades emplacadas e quase 20% de market share, tornando-se líder do segmento. A moto parte de R$ 29.990 e traz motor de 452 cilindradas, rodas de 21 polegadas na dianteira e 17 na traseira, além do painel com navegação integrada em tela circular.

Globalmente, a Royal Enfield também opera em outra escala. “No ano passado, vendemos cerca de 1,2 milhão de motocicletas, um crescimento de quase 29% em relação ao ano anterior”, afirmou Govindarajan. Na Índia, entre 250 cc e 750 cc, a marca tem cerca de 89% de participação de mercado.

Ao falar do futuro, o executivo também tocou na eletrificação, mas sem anunciar pressa. “Não estamos numa corrida apressada para lançar elétricos, mas precisamos estar prontos quando o cliente pedir uma Royal Enfield elétrica.”

No fim, o movimento da Royal Enfield no Brasil parece menos tático e mais estrutural. A presença do CEO global com todo o board no país, o salto para 31 mil motos vendidas, o avanço da rede e a decisão de caminhar para uma fábrica própria indicam que a operação brasileira deixou de ser periférica. Como resumiu Govindarajan à Forbes Brasil: “Se o mercado crescer 5% ou 6%, nós vamos crescer acima dele.”

[Fonte Original]

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