A Receita Federal divulgou nesta sexta, 17, os dados de negociação de criptomoedas no Brasil surante 2025. Os dados são referentes as informações prestadas pelas empresas seguindo a obrigação da IN 1888, portanto, volumes negociados em DEX, serviços de swap e wallets web3 não estão computados no valor.
Os dados consolidados da Receita Federal mostram que o mercado brasileiro de criptoativos movimentou R$ 505,5 bilhões em 2025. O número coloca o ano passado em um novo patamar histórico e amplia com folga o ritmo visto nos dois anos anteriores.
Em 2024, o volume total somou R$ 416,1 bilhões. Em 2023, ficou em R$ 285,0 bilhões. Isso significa que o mercado cresceu R$ 89,4 bilhões de 2024 para 2025, avanço de 21,5%, e adicionou R$ 220,5 bilhões em relação a 2023, uma expansão de cerca de 77,3% em dois anos. O pico mensal de 2025 também reforça essa aceleração: novembro registrou R$ 54,7 bilhões, acima do então recorde de dezembro de 2024, com R$ 51,8 bilhões.
Crescimento do mercado
Quando o recorte passa do total geral para o perfil do declarante, o retrato fica ainda mais claro. As operações ligadas a pessoas físicas (CPF/PF) somaram, em 2025, cerca de R$ 8,54 bilhões, considerando as declarações com uso de exchanges no exterior e sem uso de exchanges.
Em 2024, esse montante havia sido de R$ 5,93 bilhões. Em 2023, ficou em R$ 1,98 bilhão. Ou seja, o volume associado a pessoas físicas praticamente quadruplicou em dois anos.
Já as operações vinculadas a pessoas jurídicas (CNPJ/PJ), incluindo também o bloco de exchanges domiciliadas no Brasil, chegaram a R$ 496,96 bilhões em 2025, contra R$ 410,21 bilhões em 2024 e R$ 283,06 bilhões em 2023. Isso mostra que a alta de 2025 veio sobretudo do lado corporativo e institucional, que respondeu por aproximadamente 98,3% de todo o volume declarado no ano, enquanto as pessoas físicas ficaram perto de 1,7%.
Em dezembro de 2025, a Receita registrou 3.544.986 CPFs e 67.324 CNPJs únicos. Em dezembro de 2024, eram 6.189.756 CPFs e 84.390 CNPJs. Em dezembro de 2023, apareciam 2.434.080 CPFs e 374.579 CNPJs.
Eu acredito que os brasileiros estão começando a buscar investimentos diferenciados, seja para ter mais controle sobre o próprio dinheiro ou para sair do tradicional em busca de maior conforto financeiro e, muitas vezes, de rentabilidades superiores às do mercado convencional”, destacou Rocelo Lopes, chefe da Iniciativa de moedas digitais da Rezolve Ai.
De acordo com Lopes, outro ponto importante é que o mercado cripto permite que o investidor, inclusive o pequeno, tenha acesso direto aos seus ativos, podendo ser o seu próprio banco por meio de carteiras de autocustódia. A evolução da regulamentação também tende a fortalecer ainda mais esse ecossistema nos próximos anos, trazendo mais segurança e credibilidade.
Já estamos vendo o surgimento de plataformas reguladas, com estruturas sólidas, onde é possível, por exemplo, emprestar criptomoedas e obter rendimentos. Existem casos de rentabilidade em Tether USD na casa de 16% ao ano, podendo chegar a cerca de 20% em algumas corretoras, impulsionadas pela demanda por liquidez dentro das plataformas.Mas talvez o ponto mais interessante seja a facilidade de acesso. Hoje, o brasileiro pode simplesmente enviar um PIX e esse valor ser convertido instantaneamente em cripto, como USDT. A partir daí, ele pode diversificar, seja adquirindo ativos como o Tether Gold ou até acessando plataformas como a Bitfinex Securities, que permitem investir em ativos do mundo real, não apenas em criptomoedas.Isso muda completamente o perfil do investidor. Já não estamos mais falando apenas de investidores qualificados. Hoje, qualquer pessoa pode participar desse mercado. Um vendedor ambulante, por exemplo, pode vender um produto, receber via PIX e já converter aquele valor em criptoativo instantaneamente”, completa.
10% de todo o volume de investimentos no Brasil
Com esse crecimento o mercado cripto no Brasil já tem um volume de negociação que chega a 10% de tudo que é negociado na B3. Somando os principais fluxos dos dados de negociações divulgados pela Bolsa, o mercado tradicional atingiu aproximadamente R$ 5,25 trilhões em 2025, resultado da combinação de R$ 747,7 bilhões no mercado à vista, R$ 1,7 trilhão negociado por institucionais, R$ 2,8 trilhões por estrangeiros e R$ 4,2 trilhões no mercado secundário de renda fixa.
Nesse cenário o mercado cripto representa cerca de 9,6% do volume total do mercado financeiro tradicional brasileiro. Ou seja, para cada R$ 10 negociados no sistema tradicional, aproximadamente R$ 1 já circula em criptoativos.
No entanto, como estão computados nos dados da B3 o valor dos ETFs, fundos de investimento e BDRs, incluindo o ETF HASH11 que está entre os mais negociados da bolsa, o volume movimentado em cripto no Brasil é muito maior do que o divulgado pela Receita que também, como dito, não leva em consideração exchanges no exterior, DEX, wallets, Swaps, entre outros.
Ainda assim, quando a análise foca apenas no mercado à vista (ações, BDRs, ETFs e FIIs), a proporção muda significativamente. Os R$ 505,5 bilhões em cripto equivalem a cerca de 67,6% dos R$ 747,7 bilhões negociados nesse segmento, mostrando que os ativos digitais já competem diretamente com a renda variável tradicional.
Criptomoedas mais negociadas
O ranking das moedas mais negociadas reforça uma transformação importante do mercado brasileiro: a liderança não está no Bitcoin, mas nas stablecoins.
A Receita informa, no Relatório nº 4, que os nomes dos ativos são consolidados por grupo, caso de “bitcoin” em BTC e das variações de “tether” em USDT.
A partir da soma das entradas mensais de 2025, a USDT lidera com folga, com cerca de R$ 326,9 bilhões em operações. Em seguida aparecem BTC, com R$ 48,0 bilhões, USDC, com R$ 33,0 bilhões, ETH, com R$ 16,9 bilhões, SOL, com R$ 8,1 bilhões, e XRP, com R$ 5,84 bilhões.
Em 2024, o topo também foi dominado por USDT, com aproximadamente R$ 258,4 bilhões, seguida por BTC (R$ 57,4 bilhões), USDC (R$ 14,7 bilhões), ETH (R$ 14,2 bilhões) e BRZ (R$ 10,7 bilhões). Em 2023, a fotografia já apontava a mesma direção, com USDT em R$ 209,2 bilhões, muito à frente de BTC (R$ 13,8 bilhões), USDC (R$ 11,1 bilhões), BRZ (R$ 5,27 bilhões) e ETH (R$ 3,22 bilhões).