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domingo, maio 3, 2026

A História do Bilionário Que Sobreviveu a Falência, Julgamento Criminal e Construiu um Império

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Faltando uma semana para o 152º Kentucky Derby, o magnata do transporte Robert Low acompanha um tipo diferente de carga. Renegade, um cavalo de três anos criado na fazenda de Low nos arredores de Springfield, Missouri, acaba de chegar a Louisville após voar de Miami, vindo da vitória no Arkansas Derby no mês passado. “Estou esperando me ligarem dizendo que ele está confortável e bem acomodado. Ele é tranquilo”, diz Low, com seu sotaque sulista característico.

Low e sua esposa, Lawana, namorados desde o ensino médio e casados desde 1973, criaram Renegade na Primatara Farm, uma operação de criação de cavalos de 300 acres nas colinas de Ozarks, a 15 minutos do centro de Springfield. Em mais de três décadas no turfe, o casal criou centenas de puro-sangues, incluindo competidores do Kentucky Derby como Steppenwolfer, em 2006, e Magnum Moon, em 2018. Para Low, Renegade representa o tipo de favorito “feito em casa” que ele sempre buscou. “Estamos nesse negócio há 30 anos e sempre sonhamos em ter um cavalo assim”, afirma Low, de 76 anos.

A Primatara Farm fica próxima da mansão de 6.500 metros quadrados do casal, construída com mármore importado da Bulgária. A casa tem seis suítes para hóspedes, 17 banheiros, uma adega de 550 metros quadrados, garagem para 12 carros que também funciona como salão de festas e uma sala de jogos temática de hipismo. “Às vezes fazemos festas com amigos, mas também usamos para eventos beneficentes, leilões e encontros com políticos que apoiamos”, diz Low, que já doou US$ 8 milhões (R$ 40 milhões) a candidatos republicanos desde 2000.

A origem da fortuna de Low é a New Prime, empresa de transporte refrigerado que ele fundou em 1970 com a mãe e transformou em uma das maiores transportadoras privadas dos Estados Unidos, com receita anual estimada em mais de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,5 bilhões). Ao longo de cinco décadas, Low construiu um império multibilionário e acumulou patrimônio estimado em US$ 5 bilhões (R$ 25 bilhões).

Modelo de negócio foi questionado na Justiça

Apesar do sucesso, o modelo de negócios da Prime transfere grande parte dos custos para os motoristas, que atuam como contratados independentes e arcam com despesas como financiamento do caminhão, seguro e manutenção. Ainda assim, dependem da estrutura da empresa para cargas, combustível e tecnologia. Isso permite à companhia manter controle sem registrar esses trabalhadores como empregados.

O modelo já foi alvo de disputas judiciais. Em 2020, a empresa concordou em pagar até US$ 28 milhões (R$ 140 milhões) para encerrar ações coletivas que alegavam pagamento abaixo do salário mínimo.

Mesmo com as controvérsias, muitos motoristas relatam boas experiências. Alguns conseguiram acumular renda suficiente para comprar seus próprios caminhões e operar de forma independente.

A trajetória de Low começou em uma pequena cidade do Missouri. Ele vendeu gado da família para comprar seu primeiro caminhão enquanto estudava na universidade. Em 1970, fundou a empresa ainda como estudante, mas abandonou o curso pouco depois para trabalhar como motorista em tempo integral.

A empresa cresceu rapidamente até entrar em recuperação judicial no início dos anos 80, pressionada pela alta de juros promovida pelo Federal Reserve. Foram quatro anos de dificuldades, incluindo um empréstimo feito pela mãe, usando a casa como garantia, para manter o negócio vivo.

Nesse período ocorreu o episódio mais controverso de sua vida. Em 1983, durante uma viagem de caça no Colorado, Low esfaqueou um colega após uma discussão sobre dinheiro. Ele foi acusado de agressão, mas absolvido ao alegar um estado de psicose temporária causado pelo consumo excessivo de pastilhas para tosse combinadas com privação de sono.




Mais e mais disputas

Após superar a crise financeira e o processo criminal, Low reconstruiu a empresa em um setor que passava por mudanças com a desregulamentação do transporte nos Estados Unidos.

Hoje, seus negócios vão além do transporte e incluem construção e investimentos imobiliários, também cercados por disputas judiciais. Ainda assim, sua trajetória permanece como um exemplo de como uma liderança forte e uma cultura empresarial própria podem sustentar crescimento mesmo diante de controvérsias.

Do fazendeiro que largou a faculdade ao bilionário que superou falência e acusações criminais, a história de Robert Low foge do roteiro tradicional do sucesso empresarial.

*Matéria originalmente publicada pela Forbes.com

[Fonte Original]

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