Bom dia. Estamos na quarta-feira, 27 de maio.
Cenários
O IBGE divulga o IPCA-15 de maio nesta quarta-feira (27). A mediana das expectativas para a inflação acumulada em 12 meses é de 4,55%, confirmando a ruptura do teto da meta de inflação. O IPCA-15 funciona como uma prévia da inflação oficial do país e antecipa, com razoável precisão, o que o IPCA cheio vai mostrar no mês seguinte.
O número chega num momento de atenção redobrada dos mercados. O petróleo caiu mais de 5% nesta semana devido ao otimismo dos investidores com as perspectivas para o conflito entre Estados Unidos e Irã. As negociações entre os dois países avançaram e um eventual acordo incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% da oferta do petróleo consumido no mundo.
Essa perspectiva foi suficiente para derrubar as cotações. O barril do tipo Brent chegou a cair 5,2% em relação ao fechamento de sexta-feira, sendo negociado a US$ 96,50. O WTI recuou para perto de US$ 90.
A queda das cotações alivia as pressões inflacionárias, mas não resolve o aumento de preços que ocorreu desde o fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. O conflito elevou os preços do petróleo de cerca de US$ 70 para US$ 110 por barril. Essa alta nas cotações já atravessou a cadeia produtiva, entrando nos custos do frete e nos insumos industriais. Apareceu nos preços do atacado. E agora começa a chegar ao varejo.
Essa é a principal preocupação dos investidores. O petróleo está no combustível dos caminhões que transportam alimentos e na produção de plásticos, fertilizantes e embalagens. A alta dos custos demora algum tempo para ser percebida pelo consumidor final. No entanto, apesar de a transmissão do aumento dos custos ser gradual, ela também é persistente. E pode manter a pressão inflacionária elevada durante períodos longos.
Na edição mais recente do Relatório Focus, divulgada na segunda-feira (25), a previsão dos investidores para o IPCA em 2026 subiu de 4,92% para 5,04%. Na última edição antes do início do conflito, a estimativa era de 3,91%. Em sua reunião mais recente, realizada no fim de abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) reconheceu que está monitorando o conflito e seus efeitos sobre a inflação.
O IPCA-15 deve capturar parte desse movimento. O índice coleta preços até o dia 15 de maio, período em que o petróleo ainda estava elevado e o conflito, no auge. Em abril, o IPCA-15 já havia registrado alta de 0,89%, com destaque para transportes e alimentação. Nos últimos 12 meses, o acumulado chegou a 4,37%.
Nos Estados Unidos, o cenário é parecido. A alta do petróleo pressionou os preços dos combustíveis e dos bens industriais. O Federal Reserve (FED), o banco central americano, tem o mesmo dilema: cortar juros para estimular a economia ou mantê-los altos para conter a inflação. A trégua com o Irã pode aliviar a pressão. Mas o impacto já acumulado não some com um acordo assinado.
Perspectivas
A mediana das expectativas é de que a inflação nos 12 meses até maio avance para 4,55% ante os 4,37% dos 12 meses até abril, superando definitivamente o teto da meta, que é de 4,50%. Por isso, as ações brasileiras negociadas em Nova York estão em queda no pré-mercado, com uma baixa de 0,3%.
Já os contratos futuros dos principais índices americanos estão em alta, com os investidores globais otimistas com as negociações entre Estados Unidos e Irã. A expectativa do mercado é que, apesar das declarações em contrário, os lados beligerantes cheguem a um acordo para permitir o trânsito de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
Indicadores
BRASIL
IPCA-15 (Mai)
Esperado: 0,53%
Anterior: 0,89%
IPCA-15 (12m)
Esperado: 4,55%
Anterior: 4,37%
ESTADOS UNIDOS
Sem indicadores relevantes