Crédito, Reuters
- Author, André Biernath
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
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Mas esse não foi o único lugar do mundo a registrar tremores mais fortes nesta data.
Horas antes, um terremoto de magnitude 5,6 aconteceu na Califórnia, nos Estados Unidos.
E, cerca de 30 minutos depois dos abalos sísmicos na Venezuela, foi a vez do Japão sentir o chão tremer, num evento com magnitude de 6,9.
A proximidade dos horários chamou atenção de algumas pessoas e virou tema de postagens em redes sociais.
Mas será que esses quatro terremotos têm alguma relação entre si?
A BBC News Brasil entrou em contato com o Serviço Geológico Britânico para encontrar a resposta para essa pergunta.
E, segundo especialistas da entidade, a resposta é não — e, embora seja incomum que tremores com magnitude mais elevada aconteçam em horários tão próximos, isso não significa que eles estejam conectados de alguma maneira.
Os tremores
Lá, é possível ver que, no dia 24 de junho, foram registrados quatro abalos que ultrapassaram a magnitude 5.
O primeiro aconteceu na Califórnia, nos Estados Unidos, às 16h10, no horário UTC+1 (Tempo Universal Coordenado, na sigla em inglês), que é equivalente ao atual horário de verão britânico, usado como padrão para medições do tipo.
A magnitude desse evento foi de 5,6.
Mais tarde, às 23h04, foi registrado o primeiro terremoto no norte da Venezuela, com magnitude 7,2.
Cerca de um minuto depois, às 23h05, veio o segundo terremoto no mesmo local, com uma magnitude ligeiramente maior, de 7,5.
Alguns minutos depois, às 23h30, o USGS detectou um novo tremor de magnitude 6,9 no Japão.

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Coincidência incomum
O Serviço Geológico Britânico explica que os terremotos no norte da Venezuela “estão relacionados às complexas dinâmicas da placa tectônica do Caribe”.
Essa placa interage com outras quatro placas tectônicas: a da América do Norte, da América do Sul, de Nazca e de Cocos.
Já os tremores no Japão estão relacionados às interações entre a placa tectônica do Pacífico e a placa de Okhotsk (que comumente é considerada como uma parte da placa da América do Norte).
Por fim, os abalos sentidos na Califórnia são causados pelas falhas geológicas que atravessam a região, sendo que a Falha de San Andreas é a mais famosa delas.
Ou seja: segundo os especialistas, apesar da proximidade de horários, todos esses fenômenos aconteceram em placas tectônicas distintas e não há nada, até o momento, que os conecte.
O Serviço Geológico Britânico calcula que, a cada ano, são esperados cerca de 100 terremotos com magnitude entre 6 e 7 em todo o planeta.
Estima-se que nesse mesmo período aconteçam entre 10 e 15 terremotos de magnitude 7 a 8.
E ocorrem um ou dois terremotos de magnitude maior que 8.
“Nós sabemos amplamente onde esses eventos podem ocorrer, mas não quando isso acontecerá”, conclui o Serviço Geológico Britânico.
Os ‘terremotos gêmeos’ da Venezuela
Segundo físicos, geólogos e especialistas em sismologia, os dois terremotos consecutivos que atingiram a região — separados por apenas 39 segundos — configuram o que se conhece como “terremotos gêmeos”.
Esse fenômeno é especialmente incomum.
A sequência mais típica é a ocorrência de um terremoto principal, seguido por uma série de réplicas de menor intensidade. Mas o que ocorreu na Venezuela foi diferente.
Em termos simples, os “terremotos gêmeos” ocorrem quando há dois terremotos principais, e o segundo não pode ser considerado apenas uma réplica do primeiro — seja porque ambos têm intensidade semelhante ou porque seus epicentros estão muito próximos entre si. E foi exatamente isso que aconteceu na Venezuela.
O primeiro terremoto, ocorrido na região da costa às 18h04, teve magnitude 7,2 e epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy, cerca de 280 km a oeste de Caracas.
O segundo terremoto ocorreu 39 segundos depois, a apenas 45 quilômetros de distância, com epicentro próximo ao município de Yumare. Esse tremor foi ainda mais forte, atingindo magnitude 7,5.
“Entendemos que estamos diante de terremotos gêmeos: dois terremotos que ocorreram muito próximos tanto no tempo quanto no espaço”, explicou à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, William Barnhart, coordenador adjunto do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
“O segundo foi cerca de três vezes mais potente que o primeiro e é muito provável que o terremoto de magnitude 7,2 tenha desencadeado o de magnitude 7,5”, acrescentou.
O fator do tempo que separa os dois abalos também é relevante, embora haja menos consenso científico sobre esse ponto.
Alguns pesquisadores afirmam que, para caracterizar os “gêmeos”, o segundo terremoto deve ocorrer em um intervalo curto — de segundos, minutos, horas ou dias. Outros, porém, consideram que ele pode acontecer até anos depois, sendo o mais importante a ligação física entre os dois eventos.