A temporada de resultados do segundo trimestre no mercado brasileiro será marcada por desempenhos divergentes, refletindo um ambiente de juros altos e fatores externos díspares, diz o Santander.
Os analistas Aline de Souza Cardoso, Andres Soto e Ulises Argote escrevem que s setores ligados a commodities serão destaque, enquanto as empresas de foco doméstico apresentarão uma clara desaceleração em seus balanços.
A projeção consolidada aponta para uma retração anual média de 10% na receita líquida, 23% no Ebitda e 20% no lucro líquido, mas, apesar da queda generalizada, a composição dos números revela dinâmicas setoriais bem definidas.
O cenário-base da temporada é delineado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, que elevaram o prêmio de risco e levaram o barril de petróleo Brent a se aproximar da faixa de US$ 87, beneficiando produtoras.
No mercado interno, o banco afirma que a combinação de riscos fiscais elevados e dados recentes de inflação forçou uma reprecificação da curva de juros e um adiamento da perspectiva de queda na Selic.
Esse ambiente de juros reais persistentemente altos e condições de crédito mais restritas tem pesado sobre a atividade econômica e, consequentemente, sobre o balanço de empresas sensíveis à taxa.
O setor de petróleo e gás consolida-se como o grande destaque positivo, estimando que as empresas do bloco de commodities registrarão um salto médio de 33% no Ebitda na comparação anual mesmo com uma retração esperada de 11% nas receitas.
Em contrapartida, as companhias dependentes do ciclo doméstico devem apresentar queda de 10% nas receitas, 8% no Ebitda e 10% no lucro líquido, na comparação anual, uma desaceleração evidente em relação ao primeiro trimestre.
Petrobras e Prio são as grandes apostas, sustentadas pelo forte nível do Brent e boa execução operacional, enquanto Gerdau, Usiminas, Frasle Mobility, Multiplan, Smart Fit e TIM Brasil também devem se destacar.
Do lado negativo, o banco aponta que a Natura enfrentará dificuldades com queda projetada de 10% na receita e compressão severa de margens operacionais no Brasil, enquanto Aura Minerals, Grupo Mateus, Marcopolo e Pague Menos também terão números ruins.