Até aqui, um tema que boa parte dos economistas considera prioritário quase não mobilizou a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro: o ajuste fiscal. Os dois candidatos têm propostas para as contas públicas, mas pouco têm sido pressionados a detalhar as escolhas difíceis que elas exigiriam. A explicação talvez esteja na conjuntura. Com inflação abaixo de 5%, desemprego próximo das mínimas históricas, renda real em alta e PIB crescendo perto de 2%, o eleitorado não parece sentir emergência econômica. Ganharam espaço pautas mais próximas do cotidiano: o endividamento das famílias, o aumento do Bolsa Família, a segurança pública, a religião, o fim das bets e, mais recentemente, o fim da escala 6×1.