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sexta-feira, maio 1, 2026

Lula anuncia em pronunciamento na TV novo Desenrola com descontos de até 90% da dívida

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Em pronunciamento em rede nacional em alusão ao Dia Mundial do Trabalhador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (30) que o novo Desenrola Brasil será anunciado na próxima segunda-feira (4). O programa de renegociação de dívidas terá taxa de juros de até 1,99% ao mês. Segundo o presidente, poderão ser renegociadas dívidas do cartão de crédito, do cheque especial, do rotativo, do crédito pessoal e Fies, com descontos que variam de 30% a 90% do total da dívida.

Lula confirmou que cada pessoa poderá sacar até 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para pagamento das dívidas. O impacto no fundo será de R$ 4,5 bilhões, como adiantou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, na quarta-feira (29).

O endividamento crescente da população tem sido uma das principais preocupações do governo e também dos coordenadores da pré-campanha de Lula, que disputará a reeleição. Dados recentes indicam que o endividamento e o comprometimento de renda atingiram patamares recordes, alcançando, respectivamente, 49,9% e 29,7% em fevereiro. O tema acendeu o alerta da campanha de Lula, especialmente na esteira da queda de popularidade do governo e do desempenho do petista nas pesquisas eleitorais.

O presidente ressaltou que quem aderir ao programa ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line, as bets. “Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos”, disse.

“Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando”, declarou Lula, que em outra ocasião afirmou que, se dependesse dele, fecharia todas as casas de apostas.

O pronunciamento, de sete minutos, foi exibido em cadeia nacional de rádio e televisão às 20h30. Em sua fala, o presidente defendeu o fim da escala 6×1, com ênfase na dupla jornada enfrentada pelas mulheres, detalhou medidas para conter o aumento do endividamento das famílias e criticou as bets.

Em um aceno à classe trabalhadora, o presidente voltou a criticar “a turma do andar de cima”. Na avaliação dele, a elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador, como salário mínimo, férias remuneradas e 13º salário.

“O Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte. Porque toda vez que a vida do trabalhador melhora, a roda da economia gira com mais força, e todo mundo acaba ganhando. É isso que vai acontecer com o fim da escala 6×1”, afirmou.

Apesar do respaldo político e da população, a proposta enfrenta resistência em segmentos do setor produtivo, que demonstram preocupação com possíveis impactos econômicos decorrentes das mudanças na jornada de trabalho.

Lula também afirmou que há dificuldades para avançar com a agenda do governo, argumentando que, a cada tentativa de melhorar as condições de vida da população, “o sistema joga contra”. Segundo ele, isso incluiria “o andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo”. O presidente acrescentou que, “se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil”.

Ele também mencionou iniciativas para mitigar os efeitos da guerra do Oriente Médio na economia brasileira e reforçar a soberania nacional. Lula mencionou, ainda, indicadores econômicos e sociais do governo, como inflação, salário mínimo e desemprego, além de medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) e da licença-paternidade. Por fim, fez críticas à concentração de renda entre os mais ricos.

Como mostrou o Valor na quarta-feira (29), o presidente não deve comparecer aos atos do Dia Mundial do Trabalho, em São Paulo, nesta sexta-feira (1). A decisão vem após frustração em 2024, quando compareceu a um ato esvaziado das centrais sindicais em Itaquera, zona leste paulista, e demonstrou irritação. À época, disse que o ato foi “mal convocado”.

Em relação à escala 6×1, Lula voltou a defender a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, por meio de um modelo de 5×2. “Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia”, pontuou.

Lula afirmou que a escala 6×1 é “muito mais difícil” para as mulheres e citou a dupla jornada: “Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos”.

Semanas atrás, o governo encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê o fim da escala 6×1, com redução da jornada de 44h para 40h semanais, sem redução salarial.

O projeto do governo, no entanto, segue parado na Câmara dos Deputados, que, paralelamente, avança na tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o mesmo tema. Na quarta-feira (29), o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), instalou a comissão especial para analisar a PEC do fim da escala 6×1. A ideia é votar a PEC antes de 29 de maio, antes que o PL do Executivo passe a trancar a pauta.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Ricardo Stuckert/PR

[Fonte Original]

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