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terça-feira, julho 21, 2026

Burnham escolhe ex-ministro da Defesa para comandar Finanças do Reino Unido

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O novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, nomeou nesta segunda-feira o ex-secretário de Defesa John Healey para o cargo de ministro das Finanças, apenas algumas semanas depois de ele deixar o governo anterior com duras críticas à forma como o Tesouro havia falhado em garantir recursos suficientes para a defesa.

Bem visto pelos colegas, Healey, de 66 anos, terá agora a tarefa de encontrar mais recursos para investir em áreas prioritárias, como a defesa, acelerar uma economia que cresce lentamente e reduzir os gastos com assistência social, ao mesmo tempo em que cumpre a promessa de Burnham de respeitar as regras fiscais.

Sua nomeação também pode sinalizar uma nova abordagem para o funcionamento do poderoso Tesouro britânico. No início deste mês, Healey criticou a cultura da instituição e a “ortodoxia do Tesouro”, afirmando que ela atuava como um “freio” a um governo dinâmico.

Parlamentares do Partido Trabalhista comemoraram a escolha, afirmando que ela sinaliza ao presidente americano, Donald Trump, e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que o Reino Unido leva a sério o financiamento da defesa. Já parlamentares de outros partidos pediram que Burnham e Healey avaliem a emissão de “títulos de defesa” para captar recursos destinados especificamente a investimentos no setor.

Healey deixou o governo de Keir Starmer em junho, afirmando que o então primeiro-ministro era “incapaz” e que o Ministério das Finanças não tinha “vontade” de encontrar os recursos necessários para manter o país seguro. Em seu discurso de renúncia no Parlamento, declarou que “nossos adversários não seguem os cronogramas estabelecidos pelo Tesouro”.

Healey não era apontado como um dos principais candidatos ao comando da pasta das Finanças. No entanto, por ter atuado como secretário de Estado no Tesouro entre 2002 e 2007, durante o período em que Gordon Brown era ministro das Finanças, e por ter ocupado cargos de destaque sob todos os líderes do Partido Trabalhista desde então, sua escolha foi recebida por investidores, analistas e parlamentares como a de um nome confiável.

Pessoas familiarizadas com a decisão disseram que Healey e Burnham compartilham visões semelhantes sobre a necessidade de preservar a estabilidade econômica e impulsionar o crescimento por meio da descentralização de poderes, da redução do custo de vida e do fortalecimento da base industrial britânica.

Em entrevista à BBC no início deste mês, Healey afirmou que os investimentos em defesa poderiam fazer parte da revitalização e da reindustrialização do país.

A libra esterlina avançou levemente após sua nomeação — depois de ter caído mais cedo, quando Burnham mencionou a possibilidade de maior flexibilidade nas regras fiscais do país —, e a reação inicial entre analistas foi positiva.

“Healey traz experiência no Tesouro e sinaliza que Burnham respeitará os mercados de títulos públicos como um freio ao seu radicalismo, em vez de promover mudanças significativas que possam desestabilizar a posição fiscal”, disse Richard Carter, diretor de pesquisa de renda fixa da Quilter Cheviot.

Mas ele enfrentará muitos desafios. Como ministro da Defesa, Healey passou meses pressionando Starmer e o Ministério das Finanças a estabelecer um plano para elevar os gastos com defesa a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030, em vez dos 2,68% do PIB que acabaram sendo previstos no orçamento do governo.

A inesperada saída de Healey, aliado leal de Starmer e um dos ministros mais experientes do governo, representou um duro golpe para o então primeiro-ministro, que anunciou sua renúncia menos de duas semanas depois.

Um integrante do governo que trabalhou com Healey o descreveu como um político competente e pragmático, e não como um ideólogo.

Healey também foi ministro responsável pelos governos locais, área central da agenda de Burnham, e defendeu que mais recursos e poderes para arrecadação de impostos sejam transferidos do governo central para as lideranças regionais.

[Fonte Original]

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