Os microplásticos são um dos grandes problemas ambientais da atualidade. Eles já foram encontrados nos oceanos, na água potável, em frutos do mar, no ar que respiramos e, cada vez mais, em diferentes partes do corpo humano, da placenta ao cérebro.
Agora, um novo estudo realizado por pesquisadores italianos e publicado no European Heart Journal acrescenta mais um órgão a essa lista: a circulação sanguínea do próprio coração. Mas, embora a descoberta de microplásticos no sangue das artérias coronárias seja preocupante, o aspecto mais interessante do estudo talvez não seja a presença dessas partículas em si, e sim a forma como elas podem estar chegando até lá.
Os pesquisadores descobriram que fumantes tinham seis vezes mais probabilidade de apresentar micro e nanoplásticos detectáveis no sangue que irriga o coração do que pessoas que não fumavam. Mais impressionante ainda: todos os fumantes que também estavam expostos a níveis elevados de poluição do ar apresentaram partículas plásticas no sangue, enquanto isso ocorreu em apenas 12,5% dos participantes que não fumavam nem estavam sujeitos a altos níveis de poluição. Trata-se de uma diferença expressiva, mesmo em um estudo com um número reduzido de participantes.
Mais do que simplesmente confirmar mais um efeito nocivo do cigarro, os resultados levantam uma hipótese intrigante: o cigarro pode funcionar como um eficiente sistema de transporte de partículas microscópicas de plástico. Há décadas se sabe por que fumar prejudica o coração e os vasos sanguíneos. A fumaça do tabaco contém milhares de substâncias químicas capazes de provocar inflamação, lesionar os vasos, favorecer a formação de coágulos e acelerar o acúmulo de gordura nas artérias.