As gigantes da tecnologia fecharam o primeiro trimestre de 2026 com números que redefinem escalas de mercado. O movimento é impulsionado pela demanda contínua por infraestrutura de Inteligência Artificial (IA).
A Meta lucrou US$ 26,77 bilhões com alta de 62% na comparação com resultado reportado um ano antes. Já a Microsoft registrou um lucro de US$ 31,8 bilhões e a Alphabet viu sua receita crescer 22%.
O balanço da Amazon veio com alta de 17% na receita, chegando a US$ 181,5 bilhões, em relação aos US$ 155,7 bilhões no mesmo período do ano anterior. No dia 22 de abril, a Tesla já tinha reportado os resultados. Os números vieram mistos, com surpresa negativa na receita (-1,5%) e positiva no lucro por ação (8%). O lucro operacional atingiu US$ 941 milhões. Ainda hoje, a Apple divulga seus resultados do primeiro trimestre, em um momento em que os investidores a percebem como estando atrás na corrida pela IA.
O mercado reagiu de forma mista aos resultados das big techs. Nesta quinta-feira (30), as ações da Alphabet avançaram 9,44%, a R$ 380,09. Em contrapartida, os papéis da Meta recuaram 3,94%, para R$ 107,59, enquanto a Microsoft registrou queda de 5,21%, a R$ 83,11. A Amazon também caminha para fechar o dia em queda de 0,87%, a R$ 64,71.
Mesmo que a Microsoft tenha registrado receita acima da estimativa do mercado, a receita do Azure — plataforma de nuvem da Microsoft — aumentou 40% durante o período de janeiro a março, em linha com as expectativas da Visible Alpha. Os investidores consideraram o desempenho decepcionante, em parte pois o crescimento da Azure ficou em linha com as previsões, em vez de superá-las.
No caso da Meta e da Amazon, o desempenho das ações indica que Wall Street não está disposto a endossar a escalada de gastos em inteligência artificial no setor — especialmente diante dos planos da companhia de ampliar ainda mais seus investimentos no segmento.
É esperado que Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta invistam coletivamente mais de US$ 600 bilhões este ano para expandir a capacidade de IA. Isso acontece à medida que a concorrência se intensifica e as empresas correm para garantir poder computacional.
No comunicado de resultados, a Amazon ressaltou o avanço de suas áreas ligadas à inteligência artificial, infraestrutura em nuvem, contratação e desenvolvimento de chips proprietários.
De acordo com Andy Jassy, presidente e CEO da companhia, a Amazon Web Services (AWS) registrou crescimento de 28% — o ritmo mais acelerado em 15 trimestres — enquanto o setor de chips superou uma receita anualizada de US$ 20 bilhões, com expansão de três dígitos na comparação anual.
“Tivemos um trimestre histórico, com forte impulso em todos os nossos aplicativos e o lançamento do nosso primeiro modelo do Meta Superintelligence Labs”, disse Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta.
Satya Nadella, presidente do conselho e diretor-executivo da Microsoft, afirmou em carta que acompanhou o balanço, que estão “focados em entregar infraestrutura e soluções de nuvem e IA que capacitem todas as empresas a maximizar seus resultados na era da computação agêntica.”
“Nosso negócio de IA superou uma taxa anualizada de receita de US$ 37 bilhões, um aumento de 123% em relação ao ano anterior”, destacou o executivo da Microsoft.
Disparada de lucros
A Meta Platforms, controladora do WhatsApp, Facebook e Instagram, saiu de um lucro por ação de US$ 6,43 para US$ 10,44. Entre janeiro e março, a companhia teve receitas de US$ 56,31 bilhões — 33% maior ao faturado no mesmo período de 2025. O mercado esperava receita de US$ 55,6 bilhões e lucro ajustado de US$ 6,67 por ação.
A maioria do faturamento da empresa vem da venda de anúncios digitais em seus aplicativos, principalmente no Facebook e Instagram. A divisão respondeu por US$ 55,02 bilhões da receita líquida da Meta — um avanço anual de 32,9%.
No primeiro trimestre, o lucro operacional da Meta somou US$ 22,87 bilhões, aumento de 30,3% ante o ano passado. Para o segundo trimestre de 2026, a companhia espera que a receita total fique na faixa de US$ 58 bilhões a US$ 61 bilhões.
Já a Alphabet, dona do Google, superou as estimativas do mercado. A receita total da Alphabet aumentou para US$ 109,9 bilhões no primeiro trimestre, em comparação com a estimativa de US$ 107,2 bilhões, segundo dados da LSEG.
A receita do Google Cloud cresceu 63%, para US$ 20 bilhões no primeiro trimestre encerrado em março — em relação à projeção média dos analistas de um aumento de 50,1%.
Segundo a empresa, a carteira de pedidos da unidade de nuvem quase dobrou em relação ao trimestre anterior, ultrapassando US$ 460 bilhões. A Alphabet é uma das principais beneficiárias do aumento global nos gastos com IA.
A procura por serviços de IA na nuvem segue acima da capacidade de oferta em toda a indústria, levando os hiperescaladores a ampliar os aportes em data centers, semicondutores de última geração e infraestrutura de redes.
Por outro lado, a limitação de capacidade segue como um dos principais desafios no setor, restringindo o potencial dos provedores de aproveitar a demanda gerada pela IA, mesmo diante de planos robustos de expansão.
Superando projeções
A Microsoft registrou uma alta de 33% no lucro líquido ante o registrado no mesmo período do ano anterior. O lucro por ação saiu de US$ 3,46 no último ano para US$ 4,27.
O lucro operacional ficou 20% acima do reportado no mesmo trimestre fiscal no ano passado, chegando a US$ 38,4 bilhões. A receita da companhia avançou 18% no período, para US$ 82,9 bilhões.
“Entregamos resultados que superaram as expectativas em receita, lucro operacional e lucro por ação, refletindo forte execução e a crescente demanda pela Microsoft Cloud”, acrescentou Amy Hood, vice-presidente executiva e diretora financeira da Microsoft.